A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que fortalece a validade jurídica da assinatura digital no Brasil. Pela proposta, a assinatura digital qualificada passa a ter o mesmo peso jurídico do reconhecimento de firma feito em cartório, desde que emitida por meio de certificados da ICP-Brasil, a Infraestrutura de Chaves Públicas oficial do país.
De autoria do deputado Rafael Prudente (MDB-DF), o texto busca eliminar a exigência de autenticação presencial em cartório quando o documento já foi assinado com certificado digital qualificado. Hoje, mesmo com a assinatura eletrônica disponível, muitos contratos ainda demandam o reconhecimento de firma físico, obrigando cidadãos e empresas a se deslocarem até um cartório.
O que muda com a proposta
A medida equipara, para fins legais, a assinatura digital qualificada ao reconhecimento de firma tradicional. Na prática, um contrato assinado digitalmente com certificado ICP-Brasil teria presunção de autenticidade equivalente à de um documento autenticado em cartório, dispensando a etapa presencial. Isso atinge desde contratos comerciais até documentos societários e instrumentos de crédito.
O relator, deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), destacou que a proposta alinha a legislação ao avanço da digitalização dos serviços e moderniza as relações comerciais no país. A lógica é simples: se a tecnologia já garante a autoria e a integridade do documento, não faz sentido manter uma exigência presencial que apenas adiciona custo e tempo ao processo.
Impacto para empresas
Para o ambiente de negócios, os ganhos são concretos. A equiparação agiliza processos corporativos, reduz custos operacionais, elimina deslocamentos desnecessários e acelera transações comerciais que hoje dependem de etapas presenciais. Empresas que fecham contratos com parceiros em outras cidades ou estados deixam de depender da logística de enviar documentos físicos para autenticação.
Setores que lidam com alto volume de contratos, como o imobiliário, o financeiro e o de serviços, tendem a sentir o efeito de forma imediata. Além da economia de tempo, há ganho de segurança: o certificado digital qualificado garante a identidade do signatário e a integridade do conteúdo, dois elementos que reduzem o risco de fraude e de questionamento posterior.
Próximos passos
A aprovação na comissão é um passo importante, mas o projeto ainda precisa avançar. O texto seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e, dependendo da tramitação, pode passar pelo Senado. Para virar lei e produzir efeitos em todo o território nacional, é preciso a aprovação das duas casas legislativas e a sanção do governo federal.
Ainda assim, a sinalização do Legislativo aponta para uma tendência consolidada: a desburocratização das relações jurídicas e comerciais por meio da tecnologia. A redução da dependência de etapas presenciais acompanha o movimento mais amplo de digitalização do Estado e das empresas, já visto em obrigações fiscais, registros e serviços públicos.
Segurança jurídica e prova em juízo
Um dos principais benefícios da equiparação é a robustez da assinatura digital qualificada como prova. O certificado emitido no padrão ICP-Brasil vincula a assinatura à identidade do signatário por meio de criptografia, registrando data e hora e garantindo que o documento não foi alterado após a assinatura. Esse conjunto de garantias dá ao contrato eletrônico força probatória elevada, reduzindo espaço para contestação sobre autoria ou conteúdo.
Na prática, isso significa que disputas contratuais tendem a se resolver com mais agilidade quando o documento foi assinado digitalmente com certificado qualificado. A presunção de autenticidade, antes reservada ao reconhecimento de firma, passa a alcançar também o ambiente digital, alinhando o Brasil a padrões internacionais de confiança eletrônica.
Como as empresas podem se preparar
Mesmo antes da eventual sanção da lei, vale às empresas estruturar o uso da certificação digital. Isso inclui definir quais colaboradores podem assinar em nome da organização, manter os certificados válidos e atualizados, e adotar plataformas de assinatura que registrem a trilha de auditoria de cada documento. A governança sobre quem assina o quê é tão importante quanto a tecnologia em si.
Negócios que ainda mantêm fluxos híbridos, com parte dos contratos em papel, podem aproveitar o momento para migrar de forma definitiva ao digital, ganhando velocidade e reduzindo custos de armazenamento e deslocamento.
Para o contador e o assessor jurídico, a novidade simplifica rotinas que envolvem a coleta de assinaturas em contratos sociais, alterações societárias e procurações. Menos idas ao cartório significam processos societários mais rápidos, custos menores para o cliente final e maior agilidade na abertura e na reorganização de empresas.
No Grupo BRA 360, a área jurídica acompanha de perto a evolução dessas regras para orientar empresas na adoção segura de assinaturas digitais e na revisão de seus fluxos de contratos. Adotar a certificação digital de forma correta, com governança sobre quem assina o quê, é o caminho para colher os ganhos de agilidade sem abrir mão da segurança jurídica. Quando a lei moderniza, cabe à empresa estar pronta para usar a nova ferramenta a seu favor.
Fonte: Portal Contábeis