Processos Trabalhistas Batem Recorde de R$ 50 Bi

Processos trabalhistas crescem no país e empresas desembolsam maior valor já registrado - Grupo BRA 360

As empresas brasileiras desembolsaram R$ 50,7 bilhões em ações trabalhistas em 2025, marcando a primeira vez na história em que os pagamentos superaram a marca de R$ 50 bilhões em um único ano. Foram apresentadas 2,3 milhões de novas ações nas varas do trabalho, uma alta de 8,7% em relação ao ano anterior. Os números revelam um cenário preocupante para o setor empresarial e reforçam a urgência de investir em compliance trabalhista e gestão preventiva de riscos.

Para profissionais contábeis e gestores financeiros, esse recorde impacta diretamente as provisões para contingências, o planejamento orçamentário e a saúde financeira das organizações.

Os números recordes de 2025

Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) revelam a dimensão do problema:

  • R$ 50,7 bilhões desembolsados em ações trabalhistas, recorde histórico
  • 2,3 milhões de novas ações ajuizadas nas varas do trabalho
  • Alta de 8,7% no número de novos processos em relação ao ano anterior
  • Taxa de conciliação caiu para 20,9%, ante 26% em 2021
  • Aumento de 57% em pedidos de reconhecimento de vínculo empregatício por pejotização

Principais causas do crescimento

Diversos fatores contribuíram para o aumento expressivo dos processos trabalhistas no Brasil:

1. Ampliação do acesso à justiça gratuita

Uma mudança nas regras do TST passou a permitir que a solicitação de justiça gratuita fosse feita por autodeclaração de insuficiência financeira, sem necessidade de comprovação imediata. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou dois trechos da reforma trabalhista de 2017, consolidando a gratuidade como direito constitucional dos empregados.

Com a eliminação do risco financeiro de sucumbência, mais trabalhadores se sentiram encorajados a ingressar com ações judiciais, mesmo em casos com menor probabilidade de êxito.

2. Crescimento da pejotização

Os pedidos de reconhecimento de vínculo empregatício relacionados à chamada pejotização, contratação de trabalhadores como pessoa jurídica para mascarar relação de emprego, cresceram 57% em 2025. Esse fenômeno atinge setores como tecnologia, saúde, transporte por aplicativo e serviços profissionais.

3. Questões de saúde ocupacional

O aumento de diagnósticos de burnout, ansiedade e depressão relacionados ao trabalho tem gerado demandas por indenizações e reconhecimento de doenças ocupacionais. A pandemia acelerou essa tendência, que continua impactando os tribunais.

4. Novas formas de trabalho

O trabalho remoto, híbrido e por plataformas digitais gerou novas categorias de litígios trabalhistas, incluindo questões sobre controle de jornada, fornecimento de equipamentos e ergonomia no home office.

Impacto financeiro nas empresas

O crescimento dos passivos trabalhistas afeta diretamente a saúde financeira das organizações de diversas formas:

Provisões contábeis

As normas contábeis (CPC 25 / IAS 37) exigem que as empresas constituam provisões para contingências trabalhistas classificadas como prováveis. Com o aumento do volume e dos valores envolvidos, essas provisões podem comprometer significativamente o resultado operacional.

Para profissionais de contabilidade estratégica, a gestão adequada dessas provisões é fundamental para garantir a transparência e a confiabilidade das demonstrações financeiras.

Queda nas conciliações

A proporção de processos resolvidos por conciliação caiu de 26% em 2021 para apenas 20,9% em 2025. Com a gratuidade da justiça, menos trabalhadores têm incentivo para aceitar acordos rápidos, preferindo aguardar o julgamento completo da ação. Para as empresas, isso significa processos mais longos e custos mais elevados.

Estratégias de prevenção

Investir em prevenção é significativamente mais econômico do que lidar com passivos trabalhistas. As empresas devem adotar uma abordagem proativa:

Compliance trabalhista robusto

  • Auditoria trabalhista periódica: Revisão sistemática de contratos, folha de pagamento, jornada e benefícios
  • Políticas internas claras: Regulamento interno, código de conduta e procedimentos disciplinares documentados
  • Canal de denúncias: Sistema acessível para que colaboradores reportem irregularidades
  • Gestão de jornada: Controle efetivo de ponto, horas extras e banco de horas

Gestão de contratos

É fundamental revisar a forma de contratação de prestadores de serviço para evitar a caracterização de pejotização. Os requisitos de pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade devem ser cuidadosamente analisados para distinguir uma prestação de serviços legítima de uma relação de emprego disfarçada.

Investimento em saúde e segurança

Programas efetivos de saúde ocupacional, prevenção de acidentes e promoção do bem-estar reduzem significativamente o risco de ações trabalhistas relacionadas a doenças ocupacionais e acidentes de trabalho.

O papel da tecnologia na prevenção

A inteligência artificial e a tecnologia podem ser aliadas poderosas na prevenção de passivos trabalhistas:

  • Sistemas de gestão de RH: Automatização do controle de jornada, férias e benefícios
  • Analytics preditivo: Identificação de padrões que indicam risco de litígio
  • Plataformas de compliance: Monitoramento automatizado do cumprimento de obrigações trabalhistas
  • Gestão documental: Digitalização e organização de documentos trabalhistas para facilitar a defesa em eventuais ações

Planejamento financeiro para contingências

As empresas devem incorporar a gestão de riscos trabalhistas ao seu planejamento patrimonial e financeiro:

  1. Mapear e classificar contingências trabalhistas (provável, possível, remota)
  2. Constituir provisões adequadas conforme normas contábeis
  3. Estabelecer política clara de acordos judiciais
  4. Monitorar a evolução dos processos e atualizar provisões periodicamente
  5. Incluir riscos trabalhistas nas análises de viabilidade de novos projetos

Considerações finais

O recorde de R$ 50,7 bilhões em processos trabalhistas em 2025 é um sinal de alerta para o setor empresarial brasileiro. A combinação de maior acesso à justiça, novas formas de trabalho e crescimento da pejotização exige que as empresas invistam em prevenção, compliance e gestão estratégica de riscos trabalhistas.

O Grupo BRA 360 oferece consultoria especializada em compliance trabalhista, gestão de riscos e planejamento empresarial. Nossa equipe pode ajudar sua empresa a implementar políticas preventivas eficazes e reduzir a exposição a passivos trabalhistas. Entre em contato para uma avaliação personalizada.

Fonte original: Contábeis, Processos trabalhistas crescem no país e empresas desembolsam maior valor já registrado

Perguntas frequentes

Qual foi o recorde de gastos com processos trabalhistas no Brasil em 2025?

Em 2025, as empresas brasileiras desembolsaram R$ 50,7 bilhões em ações trabalhistas, a primeira vez na história que os pagamentos superaram R$ 50 bilhões em um único ano. Foram apresentadas 2,3 milhões de novas ações nas varas do trabalho, uma alta de 8,7% em relação ao ano anterior, segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho.

Por que os pedidos de reconhecimento de vínculo empregatício por pejotização cresceram?

Os pedidos relacionados à pejotização, contratação de trabalhadores como pessoa jurídica para mascarar relação de emprego, cresceram 57% em 2025. O fenômeno atinge setores como tecnologia, saúde, transporte por aplicativo e serviços profissionais, impulsionado por mudanças nas regras de gratuidade da justiça que reduziram o risco financeiro para os trabalhadores.

Como as provisões para contingências trabalhistas devem ser registradas contabilmente?

As normas contábeis CPC 25 e IAS 37 exigem que empresas constituam provisões para contingências trabalhistas classificadas como prováveis. Com o aumento do volume e dos valores envolvidos, essas provisões podem comprometer significativamente o resultado operacional, tornando a gestão adequada dessas provisões essencial para a transparência das demonstrações financeiras.

O que explica a queda na taxa de conciliação trabalhista?

A taxa de conciliação caiu de 26% em 2021 para 20,9% em 2025. A principal razão é a ampliação do acesso à justiça gratuita, que passou a ser obtida por autodeclaração de insuficiência financeira, sem comprovação imediata, reduzindo o risco financeiro do trabalhador e tornando os acordos rápidos menos atrativos.

Quais medidas preventivas as empresas podem adotar para reduzir passivos trabalhistas?

As empresas devem investir em compliance trabalhista com auditoria periódica de contratos, folha e jornada; criação de políticas internas claras com regulamento e código de conduta; treinamento de gestores; adequação das relações com prestadores de serviço para evitar reconhecimento de vínculo; e monitoramento de questões de saúde ocupacional como burnout e doenças relacionadas ao trabalho.

Por Rodrigo Brustolin

Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

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