Open Finance no Brasil: por que a adoção ainda é lenta apesar dos benefícios comprovados
O Open Finance no Brasil completa cinco anos em 2026, mas a adoção pelo público ainda está abaixo do esperado. Embora 76% dos brasileiros conheçam a tecnologia, apenas 37% autorizam o compartilhamento de seus dados financeiros. Com mais de 900 instituições participantes e mais de 143 milhões de consentimentos ativos, o país é líder global em Open Finance, mas ainda enfrenta desafios para converter esse potencial em benefícios concretos para consumidores e empresas.
Neste artigo, analisamos as razões para a adoção lenta, os benefícios já comprovados e as mudanças previstas para 2026 que podem acelerar a adesão.
O que é o Open Finance?
O Open Finance, anteriormente chamado de Open Banking, é um sistema regulamentado pelo Banco Central do Brasil que permite o compartilhamento padronizado de dados e serviços financeiros entre instituições, mediante autorização do cliente.
Na prática, com o Open Finance, o consumidor pode autorizar que um banco acesse seu histórico financeiro em outra instituição, permitindo ofertas mais personalizadas de crédito, seguros, investimentos e outros produtos financeiros.
O sistema foi implementado em fases a partir de fevereiro de 2021 e hoje abrange dados de contas, cartões, crédito, investimentos, seguros, câmbio e previdência.
Por que a adoção é lenta?
Diversos fatores contribuem para a baixa adesão dos brasileiros ao Open Finance:
Jornada de consentimento complexa
O processo de autorização para compartilhamento de dados ainda é considerado complexo por muitos usuários. A necessidade de redirecionamento entre aplicativos de diferentes instituições gera atrito na experiência do usuário e desestimula a adesão. Muitos desistem no meio do processo por considerá-lo confuso ou demorado.
Desconfiança sobre segurança de dados
Apesar de o Open Finance utilizar protocolos rigorosos de segurança e criptografia, muitos brasileiros ainda desconfiam do compartilhamento de informações financeiras. Pesquisas indicam que o medo de fraudes e vazamentos de dados é a principal barreira apontada pelos consumidores.
Falta de percepção de valor
Grande parte dos usuários ainda não percebe benefícios concretos em compartilhar seus dados. Muitas instituições financeiras não traduzem o acesso aos dados em ofertas visivelmente melhores, o que reduz o incentivo para adesão.
Baixo investimento em educação financeira
A falta de campanhas educativas eficazes sobre o funcionamento e os benefícios do Open Finance contribui para a resistência do público. Muitos consumidores simplesmente não entendem o que o sistema pode oferecer de vantajoso.
Benefícios comprovados do Open Finance
Apesar da adoção ainda modesta, os benefícios do Open Finance já são mensuráveis:
Taxas de juros mais baixas
Com acesso a um histórico financeiro mais amplo, instituições conseguem avaliar melhor o perfil de risco do cliente. Bons pagadores que compartilham seus dados tendem a receber ofertas com taxas de juros significativamente menores.
Portabilidade de crédito facilitada
A partir de fevereiro de 2026, a portabilidade de crédito via Open Finance reduziu o prazo do processo de cinco para três dias úteis, com acompanhamento digital em tempo real. Isso permite que consumidores migrem seus empréstimos e financiamentos para instituições com condições melhores de forma mais rápida e transparente.
Gestão financeira integrada
Aplicativos de gestão financeira podem consolidar informações de múltiplas contas e instituições em um único painel, facilitando o controle de gastos, investimentos e planejamento financeiro pessoal e empresarial.
Ofertas personalizadas
Seguradoras, gestoras de investimentos e fintechs podem oferecer produtos mais adequados ao perfil real do cliente, aumentando a satisfação e reduzindo custos desnecessários.
O que muda no Open Finance em 2026
Diversas mudanças regulatórias e tecnológicas previstas para 2026 podem acelerar a adoção do Open Finance:
PIX Automático
O PIX Automático permitirá pagamentos recorrentes programados, como mensalidades e assinaturas, diretamente pela conta bancária. Integrado ao Open Finance, o recurso pode aumentar significativamente a interação dos usuários com o ecossistema.
Jornada sem redirecionamento
O Banco Central está trabalhando na ampliação da jornada sem redirecionamento, que permitirá ao usuário compartilhar dados sem sair do aplicativo da instituição receptora. Essa melhoria na experiência do usuário é considerada crucial para aumentar a adesão.
Inclusão de PMEs
A ampliação do Open Finance para incluir pequenas e médias empresas como participantes ativas do ecossistema pode trazer novos benefícios para o setor empresarial, como acesso a crédito mais competitivo e serviços financeiros integrados.
Educação financeira obrigatória
Uma nova regulamentação estabelece que instituições financeiras participantes do Open Finance terão responsabilidade formal na promoção da educação financeira de seus clientes, com metas e indicadores de efetividade. Essa obrigatoriedade pode ajudar a superar uma das principais barreiras à adoção.
Impacto para contadores e empresas
O Open Finance tem implicações diretas para profissionais da contabilidade e gestores financeiros. A integração de dados financeiros pode automatizar processos de conciliação bancária, facilitar a análise de fluxo de caixa e melhorar a precisão das demonstrações financeiras.
Para empresas que buscam automação no compliance fiscal, o Open Finance representa uma oportunidade de integrar dados bancários diretamente aos sistemas contábeis, reduzindo erros e aumentando a eficiência.
Além disso, a possibilidade de acesso a crédito mais competitivo via Open Finance pode ser um diferencial para a gestão financeira estratégica das empresas, especialmente em um cenário de reformas tributárias significativas como a implementação do IBS e CBS.
Brasil como líder global
Apesar dos desafios de adoção, o modelo brasileiro de Open Finance é reconhecido internacionalmente como um dos mais completos do mundo. Com mais de 900 instituições participantes e investimentos bilionários em infraestrutura tecnológica, o Brasil está à frente de mercados como Reino Unido, Austrália e União Europeia em termos de abrangência e sofisticação do sistema.
Conclusão
O Open Finance no Brasil possui um potencial transformador que ainda está longe de ser plenamente realizado. As mudanças regulatórias e tecnológicas previstas para 2026, como o PIX Automático, a jornada sem redirecionamento e a inclusão de PMEs, podem ser o catalisador necessário para acelerar a adoção e entregar benefícios concretos a consumidores e empresas.
O Grupo BRA 360 acompanha as inovações do sistema financeiro e ajuda seus clientes a aproveitarem as oportunidades do Open Finance para otimizar a gestão financeira e contábil. Entre em contato com nossa equipe para saber como integrar essas novidades à sua estratégia empresarial.
Perguntas frequentes
O que e o Open Finance e como ele funciona no Brasil?
O Open Finance e um sistema regulamentado pelo Banco Central que permite o compartilhamento padronizado de dados e servicos financeiros entre instituicoes, mediante autorizacao do cliente. Implementado em fases a partir de fevereiro de 2021, ele abrange dados de contas, cartoes, credito, investimentos, seguros, cambio e previdencia, com mais de 900 instituicoes participantes.
Por que a adocao do Open Finance ainda e lenta no Brasil?
Apesar de 76% dos brasileiros conhecerem o Open Finance, apenas 37% autorizam o compartilhamento de dados. Os principais obstaculos sao: jornada de consentimento considerada complexa com redirecionamento entre aplicativos de diferentes bancos, desconfianca sobre seguranca e privacidade dos dados, falta de percepcao de valor concreto e baixo investimento em educacao financeira sobre os beneficios do sistema.
Quais sao os beneficios comprovados do Open Finance para consumidores e empresas?
Entre os beneficios ja mensurados estao: taxas de juros menores para bons pagadores que compartilham historico financeiro, portabilidade de credito com reducao do prazo de cinco para tres dias uteis a partir de fevereiro de 2026, gestao financeira integrada em um unico painel consolidando multiplas contas e ofertas personalizadas de seguros, investimentos e credito baseadas no perfil real do cliente.
O que muda no Open Finance em 2026?
Para 2026, estao previstas mudancas regulatorias e tecnologicas para acelerar a adocao. Entre elas, a integracao do Open Finance com o Pix, que pode tornar o processo de consentimento mais fluido e familiar aos usuarios. As mudancas buscam reduzir o atrito na jornada de autorizacao de compartilhamento de dados, que e um dos principais fatores de desistencia apontados pelos consumidores.
Como o Open Finance pode beneficiar a gestao financeira de empresas?
Para empresas, o Open Finance permite consolidar informacoes de multiplas contas e instituicoes em um unico ambiente de gestao, facilitando o controle de fluxo de caixa e o planejamento financeiro. Alem disso, o acesso ao historico financeiro compartilhado pode facilitar a obtencao de credito com condicoes mais adequadas ao perfil real da empresa junto a diferentes instituicoes financeiras.
Por Junior Brustolin
Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Atua na estruturação contábil, tributária e societária de empresas que precisam crescer com segurança jurídica e fiscal.
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Fonte: Contábeis | TI Inside