Grupo BRA360

Categoria: Gestão Financeira e Planejamento

Tudo o que você precisa saber para manter as finanças da sua empresa organizadas e sustentáveis. Aqui abordamos fluxo de caixa, elaboração de orçamentos, projeções financeiras e estratégias para otimizar o capital de giro — porque uma gestão financeira sólida é a base de qualquer negócio que queira crescer com segurança.

  • FGTS: Senado libera crédito a Santas Casas até 2030

    FGTS: Senado libera crédito a Santas Casas até 2030

    O Senado aprovou, em 15 de julho de 2026, o Projeto de Lei nº 2.465/2026, que altera a Lei 8.036/1990 e reabre, até 2030, o uso de recursos do FGTS em operações de crédito para hospitais filantrópicos, Santas Casas e entidades sem fins lucrativos que complementam o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O texto agora segue para sanção presidencial.

    O que muda com o PL 2.465/2026

    A proposta aprovada pelo Senado retoma uma linha de crédito lastreada em recursos do FGTS que havia expirado em 2022. Entre 2019 e 2022, essa modalidade chegou a distribuir cerca de R$ 3 bilhões a aproximadamente 140 entidades filantrópicas em todo o país, segundo os dados que embasam o projeto. Com a nova autorização, válida até 2030, o setor de saúde filantrópica volta a ter acesso a esse tipo de financiamento, desta vez com prazo estendido e, conforme o caso, maior previsibilidade para o planejamento financeiro das instituições.

    O texto altera diretamente a Lei 8.036/1990, que disciplina o FGTS, e depende agora de sanção presidencial para entrar em vigor. Até a publicação desta matéria, o PL ainda não havia sido sancionado, de modo que as regras de operacionalização (bancos operadores, taxas e critérios de habilitação) tendem a ser detalhadas em normativos posteriores.

    Quem pode ser beneficiado

    Segundo o texto aprovado, a linha de crédito é voltada a:

    • Hospitais filantrópicos;
    • Santas Casas de Misericórdia;
    • Entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência;
    • Organizações que complementam, de forma comprovada, o atendimento prestado pelo SUS.

    Na prática, o critério comum entre essas instituições é a atuação filantrópica ou sem fins lucrativos no setor de saúde, com vínculo direto ou complementar à rede pública. A confirmação, para cada entidade, deve seguir os critérios de habilitação que ainda serão definidos após a sanção da lei.

    Para que servem os recursos

    De acordo com o texto do projeto, os recursos liberados por essa linha se destinam sobretudo à renegociação de dívidas e à reestruturação financeira do setor de saúde filantrópica, um segmento historicamente pressionado por custos assistenciais crescentes e margens apertadas. Não se trata de repasse a fundo perdido, mas de operação de crédito, o que significa que a entidade beneficiada assume compromisso de pagamento nas condições que vierem a ser definidas pelos agentes financeiros operadores.

    Esse desenho é semelhante ao que já orienta outras frentes de organização financeira de empresas e entidades, como o uso de critérios de capacidade de pagamento em negociações de dívidas, em que a análise da saúde financeira da instituição é determinante para as condições obtidas.

    O que a entidade filantrópica deve fazer na prática

    Ainda que o PL 2.465/2026 aguarde sanção, hospitais filantrópicos e Santas Casas podem começar a se preparar para eventual habilitação à linha de crédito. Entre os pontos que costumam pesar na análise de operações desse tipo estão:

    • Regularidade fiscal e cadastral da entidade;
    • Organização contábil e demonstrações financeiras atualizadas;
    • Mapeamento das dívidas existentes e do fluxo de caixa projetado;
    • Documentação que comprove a atuação filantrópica ou complementar ao SUS.

    Uma gestão financeira empresarial bem estruturada tende a facilitar a habilitação da entidade quando a linha for regulamentada, além de sustentar decisões mais seguras sobre o momento e o volume de crédito a contratar, sempre conforme o caso de cada instituição.

    Riscos e pontos de atenção

    Por se tratar de operação de crédito, e não de subvenção, a entidade que recorrer à linha assume obrigações de pagamento que precisam ser compatíveis com sua capacidade de geração de caixa. A experiência do ciclo anterior (2019 a 2022) mostra que o acesso a esse tipo de recurso pode ajudar na reestruturação financeira, mas depende de planejamento para não se transformar em novo passivo de difícil equacionamento. Questões como variação de custos e impacto de indicadores econômicos no custo do crédito, como os relacionados à taxa Selic sobre o custo de operações financeiras, também merecem acompanhamento pela entidade ao longo do prazo da dívida.

    Vale reforçar que o PL ainda não é lei: até a sanção presidencial, os termos definitivos de operacionalização, prazos de habilitação e eventuais condições específicas por região ou porte de entidade ainda podem sofrer ajustes.

    Como o Grupo BRA 360 pode ajudar sua empresa

    Entidades filantrópicas e empresas do setor de saúde que pretendem se preparar para linhas de crédito como a do PL 2.465/2026 podem contar com o Grupo BRA 360 em frentes complementares:

    • Contábil: organização e atualização das demonstrações financeiras exigidas em processos de habilitação a crédito;
    • Consultoria tributária: análise da regularidade fiscal necessária para acessar linhas de financiamento;
    • Capital e financeiro: estruturação do fluxo de caixa e avaliação da capacidade de pagamento antes de contratar novas dívidas;
    • Jurídico e societário: apoio na análise de contratos e condições das operações de crédito, conforme o caso de cada instituição.

    Entre em contato com o Grupo BRA 360 e fale com nossos especialistas.

    Fonte: Portal Contábeis

  • Pix Automático deve chegar à conta-salário em 2026

    Pix Automático deve chegar à conta-salário em 2026

    A partir de julho de 2026, segundo o Banco Central, o Pix Automático passa a valer também para quem recebe salário em conta-salário, sem precisar manter uma conta corrente vinculada. A mudança amplia a base de clientes aptos à cobrança recorrente via Pix e reforça a consolidação do Pix como infraestrutura de pagamentos recorrentes para empresas com receita de assinatura ou mensalidade.

    O que muda: Pix Automático passa a valer na conta-salário

    O Pix Automático foi lançado pelo Banco Central em junho de 2025 como uma modalidade de pagamento recorrente que funciona de forma parecida com o débito automático tradicional, mas usa a infraestrutura do Pix. Até aqui, apenas contas correntes e contas de pagamento podiam iniciar operações nessa modalidade. Contas-salário ficavam de fora, o que impedia milhões de trabalhadores formais, que recebem exclusivamente em conta-salário, de autorizar cobranças recorrentes por Pix.

    Segundo o Banco Central, essa expansão está prevista para começar em julho de 2026 e integra a agenda evolutiva do arranjo Pix discutida no Fórum Pix. Na prática, isso significa que um público que hoje só consegue pagar mensalidades por boleto, cartão ou transferência manual passa a poder autorizar o débito direto pela conta em que recebe o salário, sem precisar transferir o dinheiro para outra conta antes de pagar.

    Para empresas que vendem por assinatura ou cobrança mensal, isso representa uma ampliação relevante do público apto a pagar por Pix Automático, especialmente entre clientes de menor renda ou que usam a conta-salário como conta principal.

    Consentimento único: como funciona a autorização

    O funcionamento do Pix Automático continua o mesmo, independentemente do tipo de conta. O cliente autoriza o pagamento uma única vez, no ambiente seguro do próprio aplicativo do banco, após autenticação por senha ou biometria. Nessa autorização, ele confirma dados como valor máximo por cobrança, recebedor, frequência (semanal, mensal, trimestral, semestral ou anual) e data de débito.

    Depois desse consentimento inicial, as cobranças seguintes são debitadas automaticamente, sem exigir nova autenticação a cada pagamento. O cliente pode cancelar a autorização a qualquer momento, direto no aplicativo do banco, e o cancelamento tem efeito imediato sobre a recorrência associada. Não há cobrança de tarifa para o cliente pagador nessa modalidade.

    Esse desenho de consentimento único é o que torna o Pix Automático mais previsível do que a cobrança manual repetida todo mês: a empresa deixa de depender de o cliente lembrar de pagar, gerar boleto ou aprovar um novo QR Code a cada ciclo.

    Cobrança híbrida: boleto e QR Code Pix em uma única cobrança

    Outra novidade prevista na agenda de evolução do Pix para 2026, segundo o Banco Central, é a cobrança híbrida, que combina boleto e QR Code de Pix em um único documento de cobrança. A proposta é que a empresa emita uma cobrança só e o cliente escolha pagar por boleto ou por Pix, podendo usar o próprio QR Code para autorizar a recorrência do Pix Automático no primeiro pagamento.

    Se confirmada, essa mudança tende a reduzir a necessidade de manter dois fluxos de cobrança separados, um para boleto e outro para Pix, e a simplificar a experiência de quem paga, o que pode diminuir atrito e, por consequência, atraso.

    O que isso muda no fluxo de caixa e na gestão de recebíveis

    Para empresas com receita recorrente, como escolas, academias, clínicas, provedores de internet e plataformas de assinatura, a ampliação do Pix Automático para a conta-salário tem impacto direto sobre a gestão financeira do negócio. Uma parcela relevante dos clientes que hoje pagam por boleto ou cartão, e que ficam de fora do Pix Automático por só terem conta-salário, passa a poder autorizar o débito recorrente diretamente.

    Isso tende a se traduzir em três efeitos práticos para o financeiro da empresa:

    • Menos inadimplência por esquecimento, já que o débito ocorre automaticamente após o consentimento único, sem depender de o cliente lembrar de pagar todo mês;
    • Menos reemissão de cobrança, o que reduz o trabalho operacional do time financeiro com régua de cobrança e negociação de atrasos pontuais;
    • Fluxo de caixa mais previsível, já que a empresa passa a ter maior certeza sobre a data e o valor que entrará em caixa a cada ciclo de cobrança.

    Esse ganho de previsibilidade se soma a outras mudanças recentes no ecossistema de pagamentos que já afetam o caixa das empresas, como o impacto do split payment sobre o fluxo de caixa em modelos de cobrança com intermediação de terceiros. Juntas, essas mudanças reforçam a tendência de o Pix se firmar como a principal infraestrutura de recebimento recorrente no país, ao lado do cartão de crédito recorrente e do débito automático tradicional.

    O que a empresa deve preparar até julho

    Antes de a ampliação para conta-salário entrar em vigor, é recomendável que empresas com cobrança recorrente revisem alguns pontos da operação financeira:

    • Confirmar com o banco ou a adquirente se o sistema de cobrança já está habilitado para receber autorizações de Pix Automático originadas em conta-salário;
    • Revisar o texto de autorização apresentado ao cliente no momento do consentimento, garantindo clareza sobre valor, frequência e forma de cancelamento;
    • Atualizar contratos e termos de assinatura para prever a cobrança recorrente via Pix como opção de pagamento, ao lado de boleto e cartão;
    • Ajustar a projeção de fluxo de caixa considerando a redução esperada de inadimplência por esquecimento entre o público que hoje usa conta-salário.

    Empresas que ainda não têm controle estruturado sobre recebíveis, aging de carteira e conciliação de cobrança tendem a sentir menos esse ganho de previsibilidade, porque não têm como medir o efeito da mudança sobre o caixa. Por isso, a ampliação do Pix Automático é também um bom momento para revisar processos internos de controladoria e gestão de recebíveis.

    Como o Grupo BRA 360 pode ajudar sua empresa

    A ampliação do Pix Automático para a conta-salário reforça a necessidade de uma gestão financeira estruturada, capaz de acompanhar a entrada de recebíveis em tempo real e ajustar a operação conforme o comportamento de pagamento dos clientes muda. O Grupo BRA 360 apoia empresas nesse processo com:

    • Gestão de recebíveis, incluindo revisão de régua de cobrança e adequação a novos meios de pagamento recorrente;
    • Planejamento de fluxo de caixa, com projeção de entradas considerando diferentes formas de cobrança e prazos de compensação;
    • Controladoria financeira, com acompanhamento de indicadores de inadimplência, ticket médio e previsibilidade de caixa.

    Entre em contato com o Grupo BRA 360 e descubra como preparar a gestão financeira da sua empresa para a expansão do Pix Automático.

    Fonte: Banco Central do Brasil (Fórum Pix) | FAQ do Pix Automático

  • FGTS Digital: empresas já podem pedir restituição de estorno

    FGTS Digital: empresas já podem pedir restituição de estorno

    O Ministério do Trabalho e Emprego avançou na análise dos pedidos de estorno registrados no FGTS Digital e já soma mais de 140 mil solicitações avaliadas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho. Empresas com o pedido aprovado agora podem solicitar a restituição dos valores diretamente para suas contas bancárias, por meio do módulo CVE (Conta Virtual do Empregador), mas o próprio Ministério faz um alerta importante para os empregadores.

    O que é o estorno no FGTS Digital

    Desde a implementação do FGTS Digital, muitas empresas identificaram cobranças indevidas de FGTS geradas por inconsistências nas informações prestadas ao eSocial. Quando isso acontece, o empregador pode solicitar o estorno dos valores recolhidos incorretamente, corrigindo a origem do erro e recuperando os recursos pagos a mais.

    O volume de pedidos analisados até agora mostra que o problema não é pontual. Mais de 140 mil solicitações já passaram pela avaliação da Secretaria de Inspeção do Trabalho, o que reforça a importância de o departamento pessoal revisar periodicamente as informações enviadas ao eSocial antes que gerem cobranças equivocadas de FGTS.

    As duas fases do procedimento de estorno

    O processo de estorno no FGTS Digital é dividido em duas etapas bem definidas, e entender essa sequência evita retrabalho e atrasos na recuperação dos valores.

    • Primeira fase, correção: o empregador identifica o erro que gerou a cobrança indevida e faz a correção das informações diretamente no eSocial ou no próprio FGTS Digital. Em seguida, solicita o bloqueio dos valores nas contas vinculadas dos trabalhadores, procedimento realizado pela Caixa Econômica Federal.
    • Segunda fase, avaliação: depois da confirmação do bloqueio, o pedido segue para análise da Secretaria de Inspeção do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, que verifica a documentação apresentada e decide pela aprovação ou pela negativa do estorno.

    Somente após o deferimento do pedido os recursos são transferidos para o módulo CVE, liberando a possibilidade de restituição para a conta bancária da empresa. Esse fluxo tem relação direta com temas que já vêm ganhando espaço na rotina fiscal das empresas, como as novas regras de devedor contumaz perante o Fisco, que também exigem atenção redobrada à regularidade das obrigações.

    Como pedir a restituição pela CVE

    Com o pedido de estorno deferido, o passo seguinte é acessar o módulo CVE, a Conta Virtual do Empregador, dentro do próprio FGTS Digital. É nesse ambiente que a empresa solicita formalmente a restituição dos valores estornados, indicando a conta bancária de destino para o crédito.

    Empregadores que ainda aguardam a análise do pedido devem acompanhar o andamento com regularidade, tanto pelo módulo CVE quanto pela central de mensagens da plataforma, onde o Ministério do Trabalho e Emprego pode solicitar documentos complementares ou informar pendências que precisam ser resolvidas antes da conclusão da análise.

    Esse acompanhamento constante se soma a outras rotinas de monitoramento fiscal que as empresas já precisam manter, como o acompanhamento contínuo de benefícios fiscais exigido pela Receita Federal, reforçando a necessidade de um departamento pessoal e um setor fiscal integrados e atentos aos prazos.

    O alerta do Ministério do Trabalho sobre a aprovação do estorno

    Apesar do avanço no processamento dos pedidos, o Ministério do Trabalho e Emprego fez questão de esclarecer um ponto que pode gerar interpretação equivocada por parte dos empregadores. A aprovação do estorno não representa quitação de débitos relacionados ao FGTS, nem comprova a regularidade do empregador quanto às suas obrigações perante o Fundo.

    Na prática, isso significa que o deferimento do pedido autoriza apenas a movimentação dos valores estornados, sem eliminar a possibilidade de que inconsistências sejam identificadas em fiscalizações trabalhistas futuras. A empresa que teve um estorno aprovado continua sujeita à verificação de suas obrigações relacionadas ao FGTS em outras frentes, e a restituição dos valores não substitui a regularização completa da situação junto ao Fundo.

    Esse detalhe é especialmente relevante para empresas que utilizam a comprovação de regularidade fiscal e trabalhista em processos de crédito, licitações ou negociações societárias. Confundir a aprovação de um estorno pontual com a quitação geral de débitos de FGTS pode gerar surpresas desagradáveis em auditorias e due diligences, por isso o acompanhamento próximo do departamento pessoal e da contabilidade é indispensável em todas as etapas do processo.

    Como o Grupo BRA 360 pode ajudar sua empresa

    • Revisão e correção de informações no eSocial e no FGTS Digital para reduzir cobranças indevidas de FGTS.
    • Acompanhamento completo do processo de estorno, do pedido de bloqueio na Caixa até a restituição pelo módulo CVE.
    • Gestão de folha de pagamento e departamento pessoal com foco em compliance trabalhista e prevenção de inconsistências.
    • Recuperação de valores pagos indevidamente e organização da documentação exigida pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

    Entre em contato com o Grupo BRA 360 e conte com um time especializado para acompanhar seus pedidos de estorno no FGTS Digital e manter a regularidade trabalhista da sua empresa.

    Fonte: Portal Contábeis

  • Gestão financeira empresarial: guia completo

    Gestão financeira empresarial: guia completo

    Gestão financeira empresarial é o conjunto de decisões que garante caixa, controla o custo da dívida e sustenta a capacidade de investir mesmo quando os juros estão altos e as regras mudam. Em 2026, empresas brasileiras precisam equilibrar capital de giro caro, folha de pagamento pressionada por novas normas e uma reforma tributária em plena implementação, tudo sem perder de vista os indicadores que mostram se o negócio está saudável. Este guia reúne, em um só lugar, o que a gestão financeira empresarial precisa monitorar agora. Guia atualizado em julho de 2026.

    Fluxo de caixa e capital de giro: base da gestão financeira empresarial

    A gestão financeira empresarial começa pelo caixa. Sem previsibilidade de entradas e saídas, qualquer decisão sobre investimento, contratação ou renegociação de dívida fica no escuro. Em um cenário de juros ainda elevados, o custo de manter capital de giro financiado por crédito bancário é alto, o que torna a eficiência do ciclo financeiro (a soma do prazo médio de recebimento e do prazo médio de estocagem, descontado o prazo médio de pagamento) um fator determinante de resultado.

    Reduzir esse ciclo em poucos dias pode representar economia relevante em juros pagos ao longo do ano, como mostra a análise sobre como gerir o caixa empresarial com a Selic em 14,5% ao ano. O mesmo material recomenda dois indicadores de referência para acompanhar a saúde financeira: o índice de cobertura de juros (EBIT dividido pelas despesas financeiras), que deveria ficar acima de 2,5 para garantir conforto operacional, e o índice de endividamento líquido sobre EBITDA, que passa a preocupar quando ultrapassa 3 vezes.

    Renegociação e alongamento de dívidas

    Empresas que dependem de linhas de capital de giro, antecipação de recebíveis ou financiamento de equipamentos devem revisar periodicamente o portfólio de dívidas. Contratos indexados ao CDI tendem a responder mais rápido a quedas da Selic, enquanto contratos com taxas fixadas em períodos de juros altos continuam pesando no resultado até o vencimento. A análise sobre o impacto da Selic no crédito e no planejamento financeiro das empresas em 2026 reforça que, em ambiente de juros ainda elevados, priorizar o alongamento de prazos e reduzir a dependência de crédito de curto prazo, que costuma ter os spreads mais altos, é uma medida prática para preservar caixa.

    Empresas com caixa disponível, por outro lado, têm a oportunidade de transformar o saldo em fonte de receita financeira, aplicando o excedente em CDBs, LCIs, LCAs e fundos de renda fixa pós-fixados, sempre observando o prazo de resgate compatível com a necessidade de liquidez do negócio.

    O efeito da Selic e do crédito caro nas decisões financeiras

    A trajetória da Selic é, hoje, um dos principais condicionantes da gestão financeira empresarial no Brasil. Depois de um período em patamar de 15% ao ano, o Banco Central iniciou um ciclo gradual de cortes, e o corte da Selic para 14,25% ao ano em junho de 2026 marcou a terceira redução consecutiva desde o início da flexibilização monetária. Ainda assim, mesmo em queda, a taxa segue entre as mais altas do mundo em termos reais, o que mantém o crédito bancário caro e exige rigor na gestão do capital de giro.

    Um pouco antes, a queda da Selic para 14,5% ao ano em abril de 2026 pelo Copom já havia sido classificada pelo setor produtivo como um alívio tímido, já que o custo do crédito para capital de giro, antecipação de recebíveis e financiamento seguia em patamares que comprometem investimentos e competitividade. Pequenas e médias empresas, com menor acesso a linhas subsidiadas, sentem esse custo de forma mais aguda.

    Alternativas de crédito mais barato

    • Linhas do BNDES para inovação, exportação, modernização produtiva e sustentabilidade, com taxas inferiores às de mercado.
    • Crédito da Finep para projetos de inovação, com carência ampliada e taxas abaixo da Selic.
    • Benefícios da Lei do Bem para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, reduzindo carga tributária e liberando caixa para reinvestimento.

    Rever o mix entre capital próprio e capital de terceiros também faz parte da decisão. Em um ambiente de juros ainda elevados, cada nova captação, seja empréstimo bancário, emissão de dívida ou aporte de sócios, precisa ser avaliada à luz do custo de capital vigente e das projeções de queda gradual da Selic para os próximos anos.

    Folha de pagamento e mudanças trabalhistas que pesam no caixa

    A folha de pagamento costuma ser um dos maiores custos fixos de qualquer empresa, e mudanças normativas nessa área impactam diretamente o caixa. É o caso das novas alíquotas previdenciárias da IN RFB 2.321/2026, que alteraram, a partir da competência de abril de 2026, contribuições previdenciárias de produtores rurais, municípios de menor porte e Sociedades Anônimas do Futebol. Empresas e contadores que atuam nesses setores precisam revisar os sistemas de folha para evitar recolhimento incorreto, já que os efeitos valem desde a competência em que a norma entrou em vigor.

    Outro tema que exige simulação antecipada é a discussão sobre o impacto do fim da escala 6×1 no caixa e na folha de pagamento. A proposta prevê reduzir a jornada semanal sem reduzir salário, o que, na prática, significa pagar o mesmo por menos horas trabalhadas. Setores de operação contínua e uso intensivo de mão de obra, como farmácias, supermercados, comércio de vestuário, alimentação, logística e e-commerce, são os mais expostos, porque a folha representa fatia expressiva dos custos.

    Como se antecipar

    • Mapear o peso atual da folha sobre a receita e sobre o EBITDA.
    • Simular o custo de manter a operação em diferentes cenários de jornada e contratação.
    • Avaliar investimentos em produtividade e automação como alternativa à contratação adicional.
    • Revisar a política de preços e a estrutura de margens com antecedência.

    Ignorar esse tipo de mudança e ser pego de surpresa é o pior cenário possível para a gestão financeira empresarial. O planejamento, mesmo antes da aprovação definitiva de uma norma, permite decisões mais seguras.

    Contabilidade consultiva como apoio à decisão

    A reforma tributária do consumo, que substitui PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por CBS e IBS, é hoje um dos maiores desafios técnicos para quem cuida das finanças de uma empresa, e a contabilidade consultiva tem papel central nessa transição. A Receita Federal e o Conselho Federal de Contabilidade uniram forças em uma capacitação conjunta sobre a Reforma Tributária que reuniu mais de 74 mil pessoas, movimento inédito de cooperação entre fisco e profissão contábil, já que a implementação bem-sucedida da reforma depende do preparo de quem assessora as empresas.

    O alcance da iniciativa mostra o tamanho do interesse pelo tema: o curso de 18 módulos sobre a Reforma Tributária do Consumo com 51 mil inscritos reuniu contadores em exercício, profissionais de outras áreas, como direito, finanças e gestão, e estudantes de Ciências Contábeis, sinal de que dominar o IBS e a CBS deixou de ser questão só técnica para se tornar decisão estratégica dentro das empresas.

    O conteúdo também está aberto a empresários e gestores, como mostra o curso gratuito sobre Reforma Tributária do Consumo aberto a empresários e contadores, que cobre desde hipóteses de incidência e regras de apuração até regimes diferenciados para setores como saúde, educação e agronegócio, além de mecanismos de compensação para empresas em fase de transição. Para quem gere o financeiro de um negócio, entender essa estrutura evita erros de cálculo, perda de créditos legítimos e autuações, além de qualificar a conversa com o escritório de contabilidade.

    A profissionalização não se limita ao setor privado: o programa de capacitação continuada em contabilidade pública do CFC, feito em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional, estabelece cadastro nacional de contadores públicos e carga mínima de educação continuada a partir de 2027, o que tende a elevar a qualidade das informações fiscais usadas por empresas que dependem de contratos e repasses públicos.

    Inflação (IPCA) como referência para reajustes e contratos

    O IPCA funciona como bússola para uma série de decisões dentro da gestão financeira empresarial, da política de reajuste salarial à precificação de contratos de longo prazo. Em fevereiro de 2026, a queda do IPCA para 3,81% em fevereiro de 2026 levou a inflação acumulada em 12 meses para abaixo de 4% pela primeira vez em quase dois anos, patamar que fica dentro da meta do Banco Central, resultado puxado principalmente pela deflação em itens da cesta básica, como frutas, óleo de soja, arroz e café.

    Convenções coletivas costumam usar o IPCA acumulado como referência para negociações salariais, o que torna o acompanhamento mensal do índice parte da rotina de quem planeja custos de folha. Inflação dentro da meta também abre espaço para o Banco Central seguir cortando a Selic, o que tende a baratear o crédito e favorecer investimentos produtivos ao longo do tempo, ainda que com defasagem entre o corte da taxa básica e o repasse efetivo pelos bancos.

    Estrutura societária e o momento certo de rever o modelo contábil

    Parte da gestão financeira empresarial também passa por decisões de estrutura: enquadramento tributário, natureza jurídica e o modelo de atendimento contábil escolhido no início da operação. O material sobre os casos em que vale a pena abrir empresa com contabilidade online mostra que esse modelo tende a ser mais indicado para prestadores de serviço, profissionais liberais, profissionais que atuam como pessoa jurídica e negócios digitais, justamente os perfis que não dependem de fiscalização presencial recorrente.

    A escolha do modelo de contabilidade não é apenas operacional. Uma definição inadequada de enquadramento fiscal na abertura da empresa pode gerar pagamento indevido de impostos, limitações operacionais ou necessidade de ajustes futuros, com reflexo direto no caixa nos anos seguintes. Empresas em crescimento, mudança de atividade ou expansão para novos estados fazem bem em revisitar essa decisão periodicamente junto à contabilidade, e não apenas no momento da abertura do CNPJ.

    Indicadores financeiros para acompanhar a gestão financeira empresarial

    Nenhuma decisão de caixa, crédito ou investimento deveria ser tomada sem um painel mínimo de indicadores. A partir do que já foi tratado neste guia, alguns merecem monitoramento constante:

    • Índice de cobertura de juros (EBIT dividido pelas despesas financeiras): manter acima de 2,5 dá conforto para operar mesmo com juros altos.
    • Dívida líquida sobre EBITDA: acima de 3 vezes, o espaço para navegar em ambientes de juros elevados fica reduzido.
    • Ciclo financeiro (prazo médio de recebimento mais prazo médio de estocagem, menos prazo médio de pagamento): quanto menor, menor a dependência de capital de giro financiado por crédito.
    • Peso da folha sobre a receita e sobre o EBITDA: essencial para simular o impacto de mudanças trabalhistas antes que elas se tornem obrigatórias.
    • IPCA acumulado em 12 meses: referência direta para reajustes contratuais e salariais, e sinalizador do espaço para novos cortes de Selic.

    Acompanhar esses números de forma recorrente, e não apenas no fechamento do balanço, é o que diferencia uma gestão financeira empresarial reativa de uma gestão que antecipa cenários e negocia em posição de força.

    Como o Grupo BRA 360 pode ajudar sua empresa

    • Diagnóstico de fluxo de caixa e capital de giro, com plano de ação para reduzir o ciclo financeiro.
    • Revisão de contratos de crédito e estrutura de dívida à luz da Selic vigente.
    • Consultoria de adequação à Reforma Tributária (IBS e CBS), incluindo revisão de sistemas fiscais e apuração.
    • Gestão da folha de pagamento e simulação de impactos de mudanças trabalhistas.
    • Contabilidade consultiva com acompanhamento de indicadores financeiros mês a mês.

    Entre em contato com o Grupo BRA 360 e conheça nossos serviços.

  • Split Payment: o Impacto no Fluxo de Caixa da Empresa

    Split Payment: o Impacto no Fluxo de Caixa da Empresa

    A partir de 3 de agosto, o prazo de adaptação à reforma tributária sobre o consumo termina e o novo modelo passa a ter impacto direto na operação das empresas. A emissão de notas fiscais eletrônicas sem os campos da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) deixa de ser tolerada para companhias do regime regular. Mais do que uma exigência burocrática, a mudança altera a lógica de caixa, a formação de preços, os contratos e a relação com fornecedores, e por isso precisa entrar na pauta financeira do empresário agora, não apenas na pauta fiscal.

    O que muda com o split payment do IBS/CBS

    O centro da reforma é a adoção do IVA Dual, formado pela CBS e pelo IBS, que substituem tributos hoje fragmentados: PIS, Cofins e IPI no âmbito federal, e ICMS (estadual) e ISS (municipal), agora unificados sob o IBS. Os dois tributos foram criados pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentados pela Lei Complementar nº 214/2025.

    Na fase de teste iniciada agora, será informada nas notas fiscais uma alíquota de 1%, dividida em 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. A partir de agosto, se a nota fiscal não estiver parametrizada corretamente com esses campos, o sistema do Fisco pode travar a emissão ou a empresa fica sujeita a penalidades.

    O elemento mais relevante para a gestão financeira é o split payment, o pagamento dividido. No modelo tradicional, o imposto é embutido no preço final do produto ou serviço e o empresário retém esse valor até o repasse ao governo no mês seguinte, funcionando como uma espécie de capital de giro temporário. Com o split payment, essa lógica muda: o tributo passa a ser recolhido no exato momento em que o pagamento da transação é efetuado, e deixa de estar disponível como fôlego de caixa para o negócio.

    Por que o fluxo de caixa da empresa muda de lógica

    Especialistas ouvidos pela Forbes Brasil reforçam que o impacto vai muito além da adaptação de sistemas. Patrick Seixas, sócio líder de tributos indiretos na Ernst & Young Brasil, explica que o centro das mudanças está justamente na adoção desse IVA Dual, que substitui uma série de tributos fragmentados por uma lógica unificada de recolhimento.

    Ulisses Brondi, CEO da plataforma de inteligência fiscal ASIS Tax Tech, alerta que muitas empresas ainda enxergam 2026 apenas como um período de adaptação sem risco aparente, quando na prática deveria ser tratado como um momento estratégico. Em suas palavras, trata-se de uma reforma com efeito financeiro direto, porque impacta preço e contratos.

    Para o empresário, isso significa que o capital de giro que hoje vem do intervalo entre a cobrança do imposto no preço e o seu recolhimento mensal tende a desaparecer. Sem esse fôlego, o recálculo de preços, prazos de pagamento e política de estoque precisa ser revisto antes que o caixa sinta o efeito, e não depois.

    Crédito tributário condicionado: o risco na relação com fornecedores

    Outra mudança profunda está no condicionamento do direito ao crédito tributário. No modelo do IVA Dual, a empresa compradora só pode aproveitar o crédito de uma operação se o imposto devido pelo fornecedor tiver sido efetivamente liquidado.

    Alessandro Barreto Borges, sócio da área tributária do Benício Advogados, ilustra o gargalo que essa regra pode criar nas relações comerciais com um exemplo direto: um fornecedor vende para um cliente com prazo de pagamento de 120 dias, mas precisa recolher o tributo antes de receber qualquer valor dessa venda. Caso o cliente se torne inadimplente, o fornecedor terá pago o tributo, o cliente terá ficado com o crédito, e o fornecedor não terá recebido nada pela venda.

    • A escolha de parceiros comerciais e fornecedores passa a levar em conta, de forma mais explícita, o risco fiscal da relação.
    • Prazos de pagamento longos concedidos a clientes tornam-se um fator de risco financeiro direto para quem vende.
    • A governança de contratos e a política de crédito a clientes precisam ser revisadas à luz dessa condicionalidade.

    Impacto por setor: quem sente mais e quem pode se beneficiar

    Os efeitos da reforma não são uniformes entre os setores da economia. O comércio e o varejo, que historicamente operam com margens estreitas, correm o risco de ver a rentabilidade comprometida caso não recalculem os preços de forma precisa diante da nova dinâmica de recolhimento.

    No setor de serviços, haverá um aumento nominal de alíquotas, o que exige revisão de precificação e de contratos em vigor. Já as empresas que dependem de incentivos fiscais regionais enfrentam um cenário mais crítico, com a extinção gradual desses benefícios programada até 2033.

    Do outro lado, dois setores podem sair fortalecidos. A indústria tende a se beneficiar do fim do efeito cascata e da adoção do sistema de crédito pleno, que permite recuperar integralmente os impostos pagos na compra de insumos, energia e maquinário, reduzindo custos acumulados e estimulando investimentos em modernização. No agronegócio, pequenos produtores rurais contam com isenção de IBS e CBS sem que os compradores percam o direito ao crédito, enquanto insumos como fertilizantes e defensivos recebem redução de 60% na alíquota padrão, preservando margens.

    Há ainda um efeito relevante para negócios digitais: a migração da cobrança da origem para o destino redefine a lógica de e-commerces e plataformas SaaS. O imposto passa a pertencer ao local onde está o consumidor final, o que elimina a relevância estratégica de benefícios ligados à localização física da empresa.

    Cronograma da transição até 2033

    A reforma segue um calendário definido, e cada etapa exige uma preparação financeira específica:

    • Agosto: fim do prazo de adaptação. O preenchimento dos campos de IBS/CBS deixa de ser teste e passa a ser obrigatório nas notas fiscais.
    • Setembro: empresas do Simples Nacional precisam avisar a Receita Federal se vão calcular o IBS e o CBS por fora do boleto em 2027, para poder repassar créditos maiores a clientes grandes em operações B2B.
    • Janeiro de 2027: PIS e Cofins deixam de existir e entra a CBS com alíquota cheia, estimada entre 8,5% e 9%. O IBS segue em fase de teste, em 0,1%.
    • 2029 a 2032: ICMS e ISS diminuem ano a ano, enquanto o IBS sobe na mesma proporção, período em que as empresas conviverão com os dois modelos simultaneamente.
    • Janeiro de 2033: fim da transição. ICMS e ISS deixam de existir e o país passa a operar 100% no novo modelo, com CBS e IBS.

    Esse cronograma mostra que a preparação exige um processo contínuo de ajuste de preços, contratos, sistemas e fluxo de caixa, que se estende por quase uma década.

    Como o Grupo BRA 360 pode ajudar sua empresa

    Diante de um cronograma que combina alíquota teste, condicionamento de créditos e mudança na lógica de recolhimento, o empresário precisa de uma leitura financeira que vá além do cumprimento fiscal. O Grupo BRA 360 acompanha a operação de cada cliente para traduzir essas mudanças em decisões concretas: como recalcular a formação de preços considerando a perda do fôlego de caixa gerado pelo split payment, como revisar contratos e prazos concedidos a clientes à luz do risco de crédito tributário, e como priorizar a escolha de fornecedores com maior aderência fiscal.

    A atuação integrada entre as áreas contábil, de consultoria e jurídica permite antecipar o impacto setorial específico do negócio, seja o recálculo de margens no varejo, o ajuste de alíquotas no setor de serviços, ou o planejamento da perda gradual de incentivos regionais até 2033, transformando um cronograma legal em um plano financeiro estruturado.

    Fonte: Forbes Brasil

  • Selic cai para 14,25%: o que muda na sua empresa

    Selic cai para 14,25%: o que muda na sua empresa

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano na reunião de 17 de junho de 2026. O corte foi de 0,25 ponto percentual e a decisão foi unânime, marcando a terceira queda consecutiva da taxa básica de juros desde o início do ciclo de afrouxamento monetário em março deste ano. Para empresas e gestores financeiros, entender o impacto dessa mudança no caixa, no custo do crédito e nas estratégias de captação é fundamental para tomar decisões mais acertadas nos próximos meses.

    Contexto da decisão do Copom

    O Banco Central iniciou o atual ciclo de redução de juros em março de 2026, após manter a Selic em 15% ao ano durante todo o segundo semestre de 2025. O patamar de 15% foi o resultado de uma escalada de aperto monetário para conter a inflação que havia se desancorado ao longo de 2024 e início de 2025.

    Com a queda progressiva — de 15% para 14,75%, depois para 14,50% e agora para 14,25% —, o Banco Central sinaliza uma trajetória de normalização, ainda que de forma cautelosa. O comunicado do Copom deixou os próximos passos em aberto, indicando que novos cortes dependerão do comportamento da inflação e das expectativas do mercado.

    O cenário externo segue como fator de atenção: a indefinição sobre os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio mantém a volatilidade nos mercados globais, afetando o câmbio e os preços de commodities — variáveis que influenciam diretamente a inflação doméstica.

    Por que ainda é uma taxa elevada

    Embora a Selic esteja em trajetória de queda, 14,25% ao ano ainda representa um custo de capital bastante elevado para a economia brasileira. O Brasil segue como um dos países com maior juro real do mundo — a taxa efetiva descontada da inflação projetada fica acima de 9%, um patamar que comprime o investimento produtivo e eleva o custo das dívidas corporativas.

    Para as empresas, isso significa que o crédito bancário ainda é caro, os investimentos de longo prazo exigem retornos elevados para se justificarem, e a gestão do capital de giro precisa ser feita com rigor. As expectativas de inflação para 2026, segundo o boletim Focus, estão em 5,30% — acima da meta —, o que mantém o Banco Central em postura restritiva mesmo com os cortes graduais.

    Impactos diretos para a gestão financeira empresarial

    A redução da Selic afeta as empresas em diferentes frentes:

    Custo da dívida: Contratos de crédito indexados ao CDI (que acompanha a Selic) terão redução automática de custo com a nova taxa. Empresas com dívidas atreladas ao CDI devem revisar seus contratos para verificar quando as atualizações entram em vigor.

    Aplicações financeiras: O retorno dos investimentos em renda fixa de curto prazo, como CDB, LCI, LCA e fundos DI, também recua com a queda da Selic. Empresas que mantêm reservas de caixa aplicadas nessas modalidades verão uma redução nos rendimentos. Isso reforça a importância de diversificar as aplicações de excedente de caixa e avaliar alternativas com retornos um pouco maiores e prazos compatíveis com as necessidades de liquidez do negócio.

    Capital de giro: Com a queda gradual dos juros, o custo das linhas de capital de giro tende a ceder ao longo do tempo, embora os bancos costumem repassar as reduções com alguma defasagem. Empresas que renovam contratos de capital de giro devem negociar ativamente as condições à luz do novo patamar da Selic.

    Investimentos em ativos reais: Com a renda fixa rendendo menos, o apetite por investimentos produtivos pode crescer gradualmente — especialmente para expansão de capacidade, aquisição de equipamentos ou projetos com retorno acima do CDI. A queda da Selic reduz o custo de oportunidade do capital e favorece análises de viabilidade de projetos que, a 15%, não fechavam.

    O que esperar nos próximos meses

    O Copom deixou em aberto os próximos passos da política monetária. O mercado financeiro, conforme o boletim Focus divulgado antes da reunião, já elevou sua projeção para a Selic ao fim de 2026 para 13,75% ao ano. Isso sugere que, dependendo do comportamento da inflação, pode haver mais dois ou três cortes de 0,25 ponto até o final do ano.

    No entanto, a incerteza é real. A inflação de serviços permanece persistente, o mercado de trabalho está aquecido e as expectativas seguem desancoradas. Qualquer surpresa negativa no IPCA ou no câmbio pode levar o Banco Central a interromper ou desacelerar o ciclo de cortes.

    Para entender como o cenário de juros afeta o planejamento financeiro da empresa, confira também o que muda com a gestão do caixa empresarial com a Selic anterior a 14,5% e como o PGFN avalia a capacidade de pagamento para concessão de descontos em dívidas tributárias.

    Recomendações práticas para gestores

    Diante do cenário de juros ainda altos, mas em trajetória de queda, algumas ações fazem sentido do ponto de vista da gestão financeira:

    — Revisar o custo médio ponderado de capital (WACC) da empresa com o novo patamar da Selic;
    — Avaliar a renegociação de contratos de crédito indexados ao CDI;
    — Diversificar as aplicações do excedente de caixa, considerando títulos com prazos maiores que possam travar taxas atuais ainda elevadas;
    — Analisar projetos de investimento que possam se tornar viáveis com a queda gradual do custo do capital;
    — Monitorar o boletim Focus semanalmente para acompanhar as expectativas do mercado e calibrar o planejamento financeiro.
    — Verificar se há dívidas de longo prazo indexadas à Selic ou ao CDI que possam ser antecipadas ou renegociadas com melhores condições.

    Confira as orientações da Secretaria do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda sobre os efeitos da política monetária na economia e nas finanças públicas.

    Para adequar a gestão financeira da sua empresa ao novo cenário de juros, conte com o suporte especializado do Grupo BRA 360. Nossa equipe de especialistas em gestão financeira e planejamento tributário está pronta para apoiar as melhores decisões estratégicas para o seu negócio.

    Fonte: InfoMoney

  • Saldo credor de ICMS: como recuperar antes de 2033

    Saldo credor de ICMS: como recuperar antes de 2033

    Muitas empresas carregam no balanço um ativo que parece dinheiro, mas não vira caixa: o saldo credor de ICMS. Esse acúmulo aperta o capital de giro, distorce o resultado e, com a reforma tributária a caminho, ganhou um prazo de validade. Como o ICMS será extinto até 2033, organizar e recuperar esses créditos antes da virada deixou de ser apenas uma boa prática e passou a ser uma questão de tempo.

    O que é o saldo credor de ICMS

    O ICMS é um imposto não cumulativo. A empresa registra créditos pelas entradas, ou seja, pelas compras de insumos e mercadorias, e débitos pelas saídas, pelas vendas. A apuração mensal é simples na fórmula: os débitos pelas saídas menos os créditos pelas entradas resultam no ICMS a recolher. Quando os créditos superam os débitos, o resultado é negativo e gera um saldo credor, que é transportado para os meses seguintes.

    O problema aparece quando esse saldo cresce e não é consumido. Em vez de abater imposto a pagar, ele se acumula mês após mês, virando um valor parado que a empresa tem direito de usar, mas não consegue transformar em dinheiro com facilidade.

    Como o saldo se acumula

    O acúmulo é comum em empresas cujas saídas têm tributação menor do que as entradas. Isso acontece com frequência em operações de exportação, no agronegócio, no setor de transportes, em importadores e em atividades que usufruem de benefícios fiscais que reduzem ou afastam o imposto na saída. Nesses casos, a empresa paga ICMS ao comprar, gera crédito, mas não tem débito suficiente nas vendas para absorver esse crédito.

    O resultado é um saldo credor que só cresce. Quanto mais a operação se mantém nesse perfil, maior o valor imobilizado, e mais pesado fica o efeito no caixa.

    O custo escondido desse crédito parado

    Saldo credor acumulado significa capital imobilizado. É dinheiro que a empresa adiantou ao fisco e que não está disponível para girar o negócio, comprar estoque ou honrar fornecedores. Há ainda um efeito menos visível: esse crédito parado pode gerar um lucro apenas contábil no ativo.

    Para empresas no lucro real, esse ponto é delicado. O reconhecimento desse valor pode acabar atraindo a incidência de IRPJ e CSLL sobre um resultado que nunca virou caixa. Ou seja, a empresa corre o risco de pagar imposto sobre um ganho que existe só no papel, um custo financeiro real sem contrapartida em receita efetiva.

    Como recuperar antes de 2033

    A recuperação do saldo credor é feita por processo administrativo junto à Secretaria da Fazenda do estado. Em São Paulo, por exemplo, utiliza-se o sistema e-CredAc, com regras próprias de homologação. Dependendo da legislação estadual, o crédito reconhecido pode ser usado para abater outros tributos, ser transferido a terceiros ou, em algumas hipóteses, ser ressarcido.

    O prazo de 2033 é o ponto de atenção. Com a extinção do ICMS prevista na reforma, as regras de compensação e de homologação dos saldos existentes vão mudar. A transição reforça a necessidade de organizar e monetizar esses valores antes da virada, já que a compensação futura pode ser parcelada e condicionada a validações que os estados ainda não operacionalizaram por completo.

    O que a empresa deve fazer

    O caminho começa por um diagnóstico: levantar o saldo credor real, confirmar a origem de cada crédito e checar se a documentação sustenta o pedido de recuperação. Em seguida, vale avaliar qual a via mais vantajosa em cada estado, seja a compensação com outros tributos, a transferência a terceiros ou o ressarcimento.

    Deixar para resolver isso na última hora é o pior cenário, porque os processos administrativos levam tempo e dependem de homologação. Empresas que tratam o saldo credor como um ativo a ser gerido, e não como um número esquecido no balanço, recuperam capital, aliviam o caixa e chegam à transição da reforma com a casa em ordem.

    Perguntas frequentes

    O que é saldo credor de ICMS?

    É o crédito que se acumula quando o ICMS das compras supera o das vendas na apuração mensal. Por ser não cumulativo, o imposto gera crédito que é transportado para os meses seguintes.

    Por que esse saldo é um problema?

    Ele imobiliza capital que poderia girar no negócio e, no lucro real, pode atrair IRPJ e CSLL sobre um resultado que não virou caixa, gerando custo financeiro.

    Quais empresas mais acumulam saldo credor?

    Empresas com saídas menos tributadas que as entradas, como exportadoras, agronegócio, transporte, importadores e atividades com benefícios fiscais.

    Como recuperar o saldo credor?

    Por processo administrativo na Secretaria da Fazenda do estado. Conforme a legislação, o crédito pode abater outros tributos, ser transferido a terceiros ou ressarcido.

    Por que recuperar antes de 2033?

    Porque a reforma extingue o ICMS e muda as regras de compensação e homologação. A compensação futura pode ser parcelada e condicionada a validações ainda não operacionais.

    Junior Brustolin
    Sócio no Grupo BRA360 (Contabilidade, Consultoria, Auditoria e Jurídico Empresarial).

    Sua empresa está preparada para essa mudança?

    A BRA360 Consultoria avalia o impacto no seu caso concreto e desenha a estratégia tributária antes que o custo apareça.

    Quero um Diagnóstico Estratégico 360

    Fonte: Portal Contábeis

  • Selic a 14,5%: como gerir o caixa empresarial agora

    Selic a 14,5%: como gerir o caixa empresarial agora

    A Selic chegou a 14,5% ao ano em abril de 2026, após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciar um ciclo gradual de cortes a partir do pico de 15% ao ano registrado entre meados de 2025 e março de 2026. Apesar da queda, o custo do crédito no Brasil ainda está entre os mais elevados do mundo, e a gestão do caixa empresarial precisa ser calibrada com cuidado para aproveitar oportunidades e evitar armadilhas financeiras nesse ambiente.

    O contexto do ciclo de cortes da Selic

    O Banco Central elevou a Selic ao patamar de 15% ao ano para combater a pressão inflacionária que se intensificou ao longo de 2025, impulsionada pela depreciação do real, pelo aumento dos preços de energia e pelos reflexos de conflitos geopolíticos nos mercados internacionais. Com a inflação mostrando sinais de convergência à meta de 3% (com banda de tolerância de até 4,5%), o Copom iniciou o ciclo de alívio monetário de forma cautelosa.

    A redução de 0,5 ponto percentual entre março e abril de 2026 indica que o ciclo de cortes será gradual e dependente dos dados de inflação e atividade econômica. O mercado projetava, em maio de 2026, que a Selic poderia encerrar o ano entre 13% e 13,5%, mas a incerteza geopolítica e a volatilidade do câmbio mantêm o cenário em aberto.

    Impacto direto no custo do crédito empresarial

    Para as empresas, a Selic funciona como piso do custo de capital. Com a taxa em 14,5%, as linhas de crédito empresarial — capital de giro, antecipação de recebíveis, financiamento de equipamentos — estão sendo ofertadas com taxas que variam entre 18% e 30% ao ano, dependendo do perfil da empresa e da modalidade contratada.

    Nesse cenário, o custo financeiro das dívidas existentes precisa ser monitorado de perto. Contratos de crédito indexados ao CDI (que acompanha a Selic) tiveram alívio imediato após os cortes, enquanto contratos com taxas fixadas em períodos de alta continuam pesando mais no resultado. Vale revisar o portfólio de dívidas e avaliar oportunidades de repactuação ou refinanciamento em condições mais favoráveis.

    Gestão de caixa: o momento de revisar o capital de giro

    Com juros ainda elevados, manter excesso de capital de giro financiado por crédito é extremamente oneroso. A gestão eficiente do ciclo de caixa — prazo médio de recebimento, prazo médio de pagamento e prazo médio de estocagem — ganha importância ainda maior. Reduzir o ciclo financeiro em poucos dias pode representar uma economia significativa em juros pagos ao longo do ano.

    Por outro lado, empresas com caixa disponível têm oportunidade de capturar retornos atrativos em aplicações de renda fixa conservadoras, como CDBs, LCIs, LCAs e fundos de renda fixa pós-fixados, que seguem a Selic. Um tesoureiro ou controller atento pode transformar o saldo de caixa em fonte relevante de receita financeira, especialmente em empresas sazonais que acumulam caixa em determinados períodos do ano.

    Indicadores financeiros para monitorar no cenário atual

    Com a Selic em 14,5%, alguns indicadores merecem atenção especial na gestão financeira empresarial. O EBITDA deve ser suficiente para cobrir o serviço da dívida com folga, mantendo um índice de cobertura de juros (EBIT/Despesas Financeiras) acima de 2,5 para garantir conforto operacional. O índice de endividamento líquido sobre EBITDA também precisa ser acompanhado — empresas com dívida líquida superior a 3x o EBITDA têm pouco espaço para navegar em ambientes de juros altos.

    Planejamento tributário e carga financeira

    A carga tributária sobre as receitas financeiras também precisa entrar na conta. Os rendimentos de aplicações financeiras empresariais são tributados pelo IRPJ e pela CSLL no regime do Lucro Real, além do IOF e do IR na fonte conforme a modalidade. No Lucro Presumido, a tributação pode ser ainda mais onerosa, pois as receitas financeiras entram na base de cálculo do IRPJ e da CSLL sem a possibilidade de compensação com despesas financeiras dedutíveis.

    Uma análise criteriosa do regime tributário mais adequado ao perfil de cada empresa — considerando o novo cenário da Reforma Tributária em transição — pode revelar oportunidades de redução legítima da carga fiscal sobre os rendimentos financeiros. Essa análise deve ser feita em conjunto com o planejamento de distribuição de dividendos, considerando as novas regras de tributação dos sócios.

    Investimentos e expansão: hora de agir ou esperar?

    A decisão de investir em expansão, aquisição de ativos ou abertura de novos mercados precisa considerar o custo de oportunidade do capital. Com a Selic a 14,5%, um projeto precisa oferecer retorno significativamente superior a essa taxa para justificar o risco empresarial. O WACC (Custo Médio Ponderado de Capital) das empresas brasileiras está elevado, o que torna projetos com payback longo menos atrativos.

    Isso não significa paralisar investimentos, mas sim priorizá-los com critério. Projetos com retorno rápido, necessidade estratégica comprovada ou que aproveitam linhas de crédito subsidiadas — como as do BNDES, cujas taxas são parcialmente desvinculadas da Selic — merecem avaliação preferencial. O ambiente de juros em queda, ainda que gradual, sugere que os próximos 12 a 18 meses podem ser mais favoráveis para contratação de crédito de longo prazo.

    Como preparar sua empresa para o novo ciclo

    O momento exige disciplina financeira. Empresas que aproveitaram o ambiente de juros baixos dos anos anteriores para se endividar excessivamente agora precisam de um plano robusto de desalavancagem. Para as demais, a prioridade é otimizar o ciclo de caixa, revisar o custo das dívidas existentes e posicionar o caixa livre em aplicações que maximizem o retorno com liquidez adequada às necessidades do negócio.

    Acompanhe a agenda tributária e as decisões do Copom nos próximos meses para antecipar movimentos no custo do crédito e ajustar o planejamento financeiro da sua empresa com agilidade.

    Para estruturar uma gestão financeira eficiente e um planejamento tributário alinhado ao cenário de juros atual, conte com os especialistas do Grupo BRA 360. Nossa equipe combina expertise contábil e financeira para ajudar sua empresa a tomar as melhores decisões em qualquer cenário macroeconômico.

    Fonte: Agência Brasil

  • Fim da escala 6×1 pode pesar no caixa das empresas

    Fim da escala 6×1 pode pesar no caixa das empresas

    A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate e acende um alerta para a gestão financeira das empresas. A proposta prevê diminuir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário, e encerrar o modelo em que o empregado trabalha seis dias e folga um. Para o trabalhador, a promessa é de mais qualidade de vida. Para as empresas, o tema exige planejamento, porque mexe diretamente na folha, nos preços e no lucro.

    O que está em jogo

    Reduzir a jornada sem reduzir salário significa, na prática, pagar o mesmo por menos horas trabalhadas. Para manter o nível de operação, especialmente em negócios que funcionam todos os dias, as empresas precisariam reorganizar escalas, contratar mais pessoas ou investir em automação. Cada uma dessas alternativas tem um custo, e é esse custo que preocupa empregadores e exige atenção redobrada de quem cuida das finanças.

    Os setores mais sensíveis são aqueles de operação contínua e uso intensivo de mão de obra, como farmácias, supermercados, comércio de vestuário, alimentação, logística e e-commerce. Nesses segmentos, a folha de pagamento representa uma fatia expressiva dos custos, e qualquer alteração na jornada se reflete rapidamente no resultado.

    O impacto no caixa

    Um estudo do BTG Pactual projeta que empresas do varejo poderiam registrar uma redução média de 9,5% no Ebitda caso a mudança ocorra sem medidas compensatórias. O Ebitda é um indicador que mostra a geração de caixa operacional do negócio, e uma queda dessa magnitude pressiona diretamente a capacidade de investir, pagar dívidas e remunerar o capital. Sem ajustes de produtividade ou de preços, parte significativa desse impacto recairia sobre a margem.

    Diante disso, as empresas têm basicamente três caminhos, que costumam se combinar: aumentar a produtividade da equipe atual, repassar parte do custo aos preços ou investir em tecnologia para reduzir a dependência de horas trabalhadas. A escolha depende do setor, do porte e da elasticidade de preços de cada mercado. O que não é viável é ignorar o tema e ser pego de surpresa por uma eventual aprovação.

    Negócios menores tendem a sentir o efeito de forma mais aguda, porque têm menos margem para diluir custos e menor capacidade de investir em automação no curto prazo. Um pequeno comércio que funciona todos os dias, por exemplo, pode precisar de um funcionário adicional só para cobrir as folgas extras, o que representa um aumento relevante na folha. Já empresas maiores conseguem, em alguns casos, reorganizar turnos e processos para absorver parte do impacto sem ampliar tanto o quadro. Entender essa realidade específica é o primeiro passo para tomar decisões acertadas.

    O papel do planejamento financeiro

    Mesmo sem definição legislativa, o momento é de simulação. Antecipar cenários permite que o empresário entenda, com números, o que aconteceria com seu caixa em diferentes hipóteses de jornada e de contratação. Esse exercício envolve projetar o custo adicional da folha, avaliar a necessidade de novas contratações, estimar ganhos possíveis de automação e medir o efeito de eventuais reajustes de preço sobre a demanda.

    • Mapear o peso atual da folha sobre a receita e sobre o Ebitda;
    • Simular o custo de manter a operação com jornada reduzida em diferentes cenários;
    • Avaliar investimentos em produtividade e automação como alternativa à contratação;
    • Revisar a política de preços e a estrutura de margens com antecedência;
    • Considerar o impacto sobre encargos, provisões e fluxo de caixa de médio prazo.

    Atenção à folha e aos encargos

    Além do custo direto das horas, qualquer mudança na jornada exige cuidado com encargos, adicionais, banco de horas e compensações. Erros nesse ajuste geram passivos trabalhistas e autuações. Por isso, contadores têm orientado empresários a acompanhar de perto a tramitação da proposta e a manter a folha rigorosamente em dia, preparada para se adaptar com agilidade caso a regra mude.

    Status da proposta

    A redução da jornada e o fim da escala 6×1 ainda estão em debate, sem prazo confirmado de implementação. Isso não significa que o tema deva ser ignorado. Pelo contrário: o intervalo entre a discussão e uma eventual aprovação é justamente a janela ideal para planejar. Empresas que chegarem a esse momento com cenários simulados e estrutura de custos conhecida terão muito mais condições de reagir sem comprometer a operação.

    Outro aspecto que merece atenção é o efeito da mudança sobre a precificação. Em mercados de margem apertada, repassar integralmente o custo adicional ao preço pode reduzir a competitividade e afastar clientes. Por isso, a decisão sobre quanto repassar e quanto absorver precisa ser tomada com base em dados, e não no improviso. Conhecer a estrutura de custos, a sensibilidade da demanda e o comportamento da concorrência é o que permite ajustar preços de forma sustentável, preservando margem sem perder mercado.

    No Grupo BRA 360, ajudamos empresários a transformar incerteza em estratégia financeira. Simulamos o impacto de mudanças como essa no caixa e no resultado, identificamos alavancas de produtividade e estruturamos a folha para que decisões legislativas não peguem o negócio desprevenido. Planejar antes é o que separa quem absorve uma mudança de quem é atropelado por ela.

    Perguntas frequentes

    O que muda para as empresas se o fim da escala 6×1 for aprovado?

    A proposta prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte de salário. Para as empresas, isso significa pagar o mesmo por menos horas trabalhadas. Manter o nível de operação exigiria reorganizar escalas, contratar mais funcionários ou investir em automação, e cada uma dessas alternativas representa custo adicional direto na folha e nos encargos.

    Quais setores seriam mais afetados pelo fim da escala 6×1?

    Os setores de operação contínua e uso intensivo de mão de obra seriam os mais impactados: farmácias, supermercados, comércio de vestuário, alimentação, logística e e-commerce. Nesses segmentos, a folha de pagamento representa uma fatia expressiva dos custos totais, e qualquer alteração de jornada se reflete diretamente no resultado operacional.

    Qual é o impacto projetado no Ebitda das empresas de varejo com a mudança?

    Um estudo do BTG Pactual projeta que empresas do varejo poderiam registrar redução média de 9,5% no Ebitda caso a mudança ocorra sem medidas compensatórias. Essa queda pressiona a capacidade de investir, pagar dívidas e remunerar o capital. Sem ajustes de produtividade ou de preços, parte significativa desse impacto recairia sobre a margem.

    Quais são os caminhos que as empresas têm para absorver o custo da jornada reduzida?

    As empresas dispõem de três alternativas que costumam se combinar: aumentar a produtividade da equipe atual, repassar parte do custo nos preços ao consumidor ou investir em tecnologia para reduzir a dependência de horas trabalhadas. A escolha depende do setor, do porte e da elasticidade de preços de cada mercado.

    Como o planejamento financeiro pode ajudar as empresas a se preparar para essa mudança?

    Mesmo sem definição legislativa, o momento é de simulação. As medidas recomendadas incluem mapear o peso atual da folha sobre a receita e o Ebitda, simular o custo de manter a operação com jornada reduzida em diferentes cenários, avaliar investimentos em produtividade como alternativa à contratação, revisar a política de preços com antecedência e considerar o impacto sobre encargos, provisões e fluxo de caixa de médio prazo.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

    Sua empresa já simulou o impacto financeiro da redução de jornada na folha de pagamento?

    A BRA 360 Jurídico oferece assessoria jurídica empresarial, trabalhista e de compliance integrada à operação contábil e fiscal.

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    Fonte: Portal Contábeis

  • Selic cai para 14,5%: impacto nas empresas

    Selic cai para 14,5%: impacto nas empresas

    A taxa Selic foi reduzida para 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em abril de 2026, marcando o segundo corte consecutivo realizado pelo Banco Central do Brasil. Embora o movimento seja positivo, a Selic ainda permanece em patamar elevado, pressionando o custo do crédito e impactando diretamente a gestão financeira de empresas de todos os portes. Para contadores, gestores e empresários, compreender os efeitos dessa decisão é essencial para um planejamento financeiro estratégico.

    O que levou o Copom a cortar os juros?

    Após manter a taxa básica em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, o Banco Central iniciou um ciclo gradual de afrouxamento monetário. Em março de 2026, a Selic foi reduzida para 14,75% ao ano, e em abril o Copom promoveu novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,5%.

    O cenário, porém, permanece desafiador. As tensões geopolíticas globais, especialmente a guerra no Oriente Médio, impulsionaram os preços de combustíveis e alimentos, dificultando o controle da inflação e limitando a capacidade de o Copom promover cortes mais expressivos. Em maio de 2026, a decisão do comitê foi marcada pela cautela diante das incertezas internacionais e da expectativa de inflação ainda pressionada.

    Impacto no crédito para empresas

    A redução da Selic, mesmo que gradual, tende a baratear o custo do crédito ao longo do tempo. Na prática, taxas de empréstimos bancários, financiamentos e linhas de capital de giro costumam seguir a trajetória dos juros básicos, ainda que com defasagem.

    Entretanto, com a Selic ainda em 14,5% ao ano, o crédito permanece caro para a maioria das empresas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou o corte como “tímido” e alertou que o nível atual dos juros “mantém o custo do crédito em patamar elevado”, comprometendo investimentos e a competitividade do setor produtivo.

    Empresas que dependem de financiamentos para capital de giro ou para expansão ainda enfrentam condições restritivas. O endividamento corporativo e das famílias bate recordes sucessivos, e o custo do serviço da dívida consome parcela crescente do caixa das organizações.

    Efeitos sobre o fluxo de caixa e o planejamento financeiro

    Para a gestão financeira das empresas, o atual ciclo de juros exige atenção redobrada a três frentes principais:

    1. Revisão de contratos de crédito

    Empresas com contratos de crédito atrelados à taxa DI ou ao CDI podem negociar condições mais favoráveis com instituições financeiras à medida que a Selic recua. É o momento de revisar linhas de crédito rotativo, conta garantida e contratos de desconto de recebíveis, buscando spreads menores.

    2. Gestão de investimentos financeiros

    A queda da Selic reduz a rentabilidade de aplicações conservadoras indexadas ao CDI, como CDBs e fundos de renda fixa pós-fixados. Empresas com reservas de caixa devem avaliar a diversificação para instrumentos de maior prazo ou indexados à inflação (IPCA), preservando o poder de compra do capital ocioso.

    3. Planejamento de endividamento e estrutura de capital

    Em um ambiente de juros ainda elevados, o custo de capital próprio versus capital de terceiros deve ser recalculado. Decisões sobre tomada de novos empréstimos, emissão de debêntures ou captação via equity precisam levar em conta o patamar atual e as projeções de queda gradual da Selic ao longo de 2026 e 2027.

    Setor produtivo cobra cortes mais intensos

    A indústria, o comércio e o agronegócio têm pressionado o Banco Central por cortes mais rápidos e expressivos. Segundo entidades representativas, o nível atual da Selic inviabiliza projetos de investimento e encarece a produção, prejudicando a competitividade brasileira no mercado externo.

    O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, projeta que a Selic siga em trajetória de queda ao longo de 2026, com sucessivos cortes de 0,25 ponto percentual a cada reunião do Copom. O ritmo, porém, depende da evolução da inflação e do cenário externo.

    Como a taxa de juros afeta o planejamento tributário

    A Selic também tem impacto direto no planejamento tributário das empresas. A taxa é utilizada como referência para calcular a correção de créditos tributários, juros sobre parcelamentos fiscais (REFIS, Simples Nacional parcelado) e multas de mora. Uma Selic mais baixa reduz o custo efetivo de parcelamentos de débitos tributários e pode tornar mais vantajosa a regularização de passivos fiscais.

    Além disso, empresas que trabalham com planejamento de fluxo de caixa tributário devem revisar suas premissas financeiras, especialmente com a entrada em vigor do split payment da Reforma Tributária. Como detalhamos em nosso artigo sobre o impacto do split payment no caixa do Simples Nacional, a retenção automática de tributos no momento do pagamento elimina o intervalo de gestão de recursos que as empresas utilizavam como fonte informal de capital de giro.

    O que esperar dos próximos meses

    O Banco Central sinalizou que avançará com cautela no ciclo de cortes, condicionando as próximas decisões à trajetória da inflação e às incertezas globais. Para 2026, o mercado projeta que a Selic encerre o ano em torno de 13% a 13,5% ao ano — ainda em patamar restritivo, mas com tendência de alívio progressivo.

    Nesse contexto, empresas que adotam uma estrutura patrimonial organizada, como holdings familiares, têm mais flexibilidade para otimizar a gestão de recursos, diversificar investimentos e reduzir a exposição ao custo elevado do crédito bancário. O planejamento proativo é, mais do que nunca, um diferencial competitivo.

    Para empresas enquadradas no Lucro Real ou Presumido, vale também acompanhar as mudanças recentes nas normas fiscais, como as novas regras da IN 2.306 para empresas com receita acima de R$ 5 milhões, que podem impactar o regime tributário mais vantajoso diante do cenário de juros.

    Impacto Prático para Empresas e Contadores

    A queda da Selic para 14,5% ao ano é um alívio importante, mas insuficiente para reverter as pressões financeiras que empresas acumularam nos últimos 12 meses. Contadores e gestores financeiros devem:

    Revisar os custos financeiros dos contratos de crédito vigentes e negociar novas condições com os bancos. Recalcular o fluxo de caixa projetado incorporando a trajetória esperada de queda dos juros. Avaliar a viabilidade de parcelamentos de débitos tributários, cujos encargos são atualizados pela Selic. Identificar oportunidades de investimento de caixa em instrumentos mais rentáveis do que o CDI pós-fixado no atual patamar.

    Para garantir que a sua empresa tome decisões financeiras e tributárias alinhadas ao cenário econômico atual, conte com a assessoria especializada do Grupo BRA 360. Nossa equipe de especialistas em gestão financeira e planejamento tributário está pronta para apoiar o seu negócio neste momento de transição.

    Perguntas frequentes

    Para qual patamar o Copom reduziu a Selic em abril de 2026 e qual foi o histórico recente?

    O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 14,5% ao ano em abril de 2026, o segundo corte consecutivo. Em março de 2026, a taxa havia sido reduzida de 15% para 14,75%, e em abril houve novo corte de 0,25 ponto percentual. O período anterior, entre junho de 2025 e março de 2026, manteve a Selic em 15% ao ano, o que representa um ciclo prolongado de juros muito elevados.

    Por que o Banco Central reduziu os juros de forma gradual e não em cortes mais expressivos?

    As tensões geopolíticas globais, especialmente a guerra no Oriente Médio, impulsionaram preços de combustíveis e alimentos, dificultando o controle da inflação e limitando a capacidade do Copom de promover cortes mais rápidos. Em maio de 2026, a decisão foi marcada pela cautela diante das incertezas internacionais e da expectativa de inflação ainda pressionada. O Boletim Focus projeta que a Selic siga em trajetória de queda com cortes graduais de 0,25 ponto a cada reunião.

    Como a Selic em 14,5% impacta o custo do crédito para as empresas?

    Mesmo com o corte, o crédito permanece caro para a maioria das empresas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou o corte como tímido e alertou que o nível atual dos juros mantém o custo do crédito em patamar elevado, comprometendo investimentos e competitividade. O endividamento corporativo bate recordes e o custo do serviço da dívida consome parcela crescente do caixa das organizações, exigindo atenção redobrada à gestão financeira.

    Quais decisões financeiras as empresas devem tomar diante do ciclo de queda gradual da Selic?

    O cenário pede atenção a três frentes: revisão de contratos de crédito atrelados à taxa DI ou CDI, buscando spreads menores com instituições financeiras; avaliação de diversificação de investimentos financeiros para instrumentos de maior prazo ou indexados ao IPCA, já que aplicações pós-fixadas no CDI perdem rentabilidade; e recálculo da estrutura de capital, comparando custo de capital próprio e capital de terceiros com base no patamar atual e nas projeções de queda.

    Como a queda da Selic afeta a rentabilidade de aplicações financeiras das empresas?

    A queda da Selic reduz a rentabilidade de aplicações conservadoras indexadas ao CDI, como CDBs e fundos de renda fixa pós-fixados. Empresas com reservas de caixa devem avaliar a diversificação para instrumentos de maior prazo ou indexados à inflação (IPCA), preservando o poder de compra do capital ocioso. Decisões sobre emissão de debêntures ou captação via equity também precisam considerar o patamar atual e as projeções de queda gradual ao longo de 2026 e 2027.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

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    Fonte: Agência Brasil