Grupo BRA360

Categoria: Legislação e Compliance

O ambiente regulatório brasileiro é complexo e está em constante mudança. Por isso, mantemos você atualizado sobre alterações na legislação fiscal e contábil, normas internacionais (IFRS e CPC), aplicação da LGPD no contexto contábil e tudo que sua empresa precisa saber para operar dentro da lei com tranquilidade.

  • Benefícios Tributários Preservados pela RFB em 2026

    Benefícios Tributários Preservados pela RFB em 2026

    Benefícios tributários preservados: o que a Receita Federal decidiu manter fora dos cortes fiscais

    Os benefícios tributários preservados pela Receita Federal do Brasil (RFB) em 2026 ganharam destaque após a publicação da Instrução Normativa RFB nº 2.307/2026. Com a Lei Complementar 224/2025, o governo federal determinou uma redução linear de 10% nos incentivos fiscais federais. No entanto, diversos benefícios foram mantidos fora dessa redução, protegendo setores estratégicos da economia brasileira.

    Neste artigo, explicamos quais benefícios foram preservados, como funciona a redução linear e qual o impacto prático dessa medida para empresas e profissionais contábeis.

    O que é a redução linear de incentivos fiscais?

    A redução linear de incentivos fiscais foi estabelecida pela Lei Complementar nº 224/2025 como parte do pacote de ajuste fiscal do governo federal. Na prática, ela impõe um corte uniforme de 10% sobre os benefícios tributários listados no orçamento de 2026, abrangendo tributos como:

    • Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)
    • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
    • PIS/Pasep e Cofins
    • Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
    • Imposto de Importação (II)
    • Contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento

    Essa medida busca reequilibrar as contas públicas, mas o governo reconheceu que determinados benefícios possuem importância social e econômica que justifica sua manutenção integral.

    Quais benefícios foram preservados pela RFB?

    A Instrução Normativa RFB nº 2.307/2026 atualizou a lista de benefícios tributários que permanecem integralmente protegidos da redução linear. Entre os principais, destacam-se:

    Simples Nacional e MEI

    O regime tributário simplificado, utilizado por micro e pequenas empresas, foi totalmente preservado. Isso inclui o Simples Nacional e o tratamento diferenciado ao Microempreendedor Individual (MEI). Essa decisão protege diretamente mais de 16 milhões de MEIs e milhões de pequenas empresas em todo o país.

    Zona Franca de Manaus

    Os incentivos fiscais destinados à Zona Franca de Manaus e às Áreas de Livre Comércio foram mantidos fora dos cortes. Isso abrange benefícios para industrialização e comercialização na região, fundamentais para a manutenção do polo industrial amazonense.

    Desoneração da folha de pagamento

    Setores específicos que contam com a desoneração da folha de pagamento tiveram esse benefício preservado. A medida é considerada essencial para a manutenção de empregos em segmentos intensivos em mão de obra, como construção civil, tecnologia da informação e comunicação.

    Prouni e educação

    As isenções tributárias concedidas a instituições de ensino superior participantes do Programa Universidade para Todos (Prouni) foram integralmente mantidas. O cálculo permanece baseado na ocupação efetiva das bolsas de estudo.

    Previdência complementar fechada

    As entidades fechadas de previdência complementar, os fundos de pensão, mantiveram seus benefícios tributários preservados, garantindo estabilidade para os planos de aposentadoria complementar dos trabalhadores.

    Pesquisa, desenvolvimento e inovação

    Créditos tributários e incentivos vinculados à pesquisa e desenvolvimento tecnológico continuam fora da redução. Isso inclui benefícios para empresas de tecnologia da informação, semicondutores, computação e automação, além de exclusões de base de cálculo relacionadas a investimentos em inovação tecnológica.

    Entidades sem fins lucrativos

    A RFB reforçou o tratamento especial às associações civis sem fins lucrativos, que mantiveram suas imunidades e isenções tributárias preservadas integralmente.

    Impacto prático para empresas e contadores

    Para os profissionais da contabilidade, compreender essa divisão entre benefícios preservados e benefícios sujeitos à redução é fundamental. As empresas que utilizam incentivos não protegidos deverão recalcular seus planejamentos tributários, considerando a redução de 10% nos valores dos benefícios.

    Já as empresas enquadradas no Simples Nacional, na Zona Franca de Manaus ou em programas de P&D podem ficar tranquilas: seus benefícios permanecem inalterados para o exercício de 2026.

    É importante que os contadores revisem cuidadosamente a situação de cada cliente, especialmente aqueles que utilizam múltiplos benefícios fiscais. A reforma tributária em andamento, com a implementação do IBS e da CBS, adiciona uma camada extra de complexidade ao cenário.

    Relação com a reforma tributária

    A redução linear de incentivos fiscais ocorre em um momento de transição tributária no Brasil. Com o início da fase de testes do IBS e da CBS previstos na reforma tributária, muitos benefícios fiscais federais serão gradualmente substituídos pelo novo sistema.

    Nesse contexto, a preservação de certos benefícios pode ser vista como uma estratégia de transição suave, evitando impactos abruptos em setores sensíveis da economia. Para quem acompanha o split payment na reforma tributária, é importante entender como essas mudanças se interconectam.

    Como se preparar

    Diante desse cenário, recomendamos as seguintes ações:

    1. Mapeie os benefícios utilizados: Identifique quais incentivos fiscais sua empresa ou seus clientes utilizam e verifique se estão na lista de preservados.
    2. Recalcule o planejamento tributário: Para benefícios sujeitos à redução, ajuste as projeções financeiras considerando o corte de 10%.
    3. Acompanhe as atualizações: A RFB pode atualizar periodicamente a lista de benefícios preservados. Fique atento ao Diário Oficial da União.
    4. Considere o cenário da reforma tributária: Avalie como as mudanças da contabilidade estratégica em 2026 podem afetar sua operação.

    Conclusão

    A decisão da Receita Federal de preservar determinados benefícios tributários da redução linear demonstra o cuidado do governo em proteger setores estratégicos e regimes simplificados. Para empresas e contadores, o momento exige atenção redobrada ao planejamento tributário, especialmente considerando as múltiplas mudanças no cenário fiscal brasileiro.

    O Grupo BRA 360 está preparado para ajudar sua empresa a navegar por essas mudanças com segurança e eficiência. Nossa equipe de especialistas em contabilidade estratégica pode orientar seu planejamento tributário diante da nova realidade fiscal. Entre em contato conosco e saiba como podemos apoiar o crescimento do seu negócio.

    Perguntas frequentes

    O que é a redução linear de incentivos fiscais e quem a determinou?

    A redução linear foi estabelecida pela Lei Complementar nº 224/2025 como parte do pacote de ajuste fiscal do governo federal. Ela impõe um corte uniforme de 10% sobre os benefícios tributários listados no orçamento de 2026, abrangendo tributos como IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, IPI, Imposto de Importação e contribuições previdenciárias. A Instrução Normativa RFB 2.307/2026 detalhou quais benefícios ficam fora desse corte.

    O Simples Nacional e o MEI foram afetados pela redução de 10% nos incentivos fiscais?

    Não. O Simples Nacional e o MEI foram totalmente preservados da redução linear, protegendo diretamente mais de 16 milhões de MEIs e milhões de pequenas empresas. As alíquotas progressivas, as faixas de tributação e os benefícios específicos de cada anexo do Simples continuam vigentes sem alterações, inclusive no contexto da Reforma Tributária de 2026.

    Quais outros benefícios tributários foram mantidos integralmente pela RFB em 2026?

    Além do Simples e MEI, foram preservados os incentivos da Zona Franca de Manaus, a desoneração da folha de pagamento em setores específicos, as isenções do Prouni para instituições de ensino superior, os benefícios das entidades fechadas de previdência complementar, os incentivos à pesquisa e desenvolvimento tecnológico (inclusive Lei do Bem) e as imunidades de entidades sem fins lucrativos.

    Qual o impacto prático para empresas que utilizam benefícios não protegidos pela norma?

    As empresas que utilizam incentivos fiscais não incluídos na lista de preservados deverão recalcular seus planejamentos tributários, considerando a redução de 10% nos valores dos benefícios aplicáveis. Isso pode alterar a carga tributária efetiva, impactar o fluxo de caixa e exigir revisão dos custos operacionais para manter a competitividade.

    Como a IN RFB 2.307/2026 impacta o planejamento tributário das empresas para 2026?

    A norma trouxe segurança jurídica ao definir claramente quais benefícios ficam preservados e quais sofreram o corte de 10%. Com essa definição, empresas enquadradas em regimes protegidos podem projetar custos tributários com mais previsibilidade. Contadores e gestores financeiros precisam identificar quais incentivos utilizados pela empresa constam ou não da lista de preservados para ajustar o planejamento fiscal.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

    Sua empresa sabe quais benefícios fiscais foram preservados e quais sofreram corte em 2026?

    A BRA 360 Consultoria estrutura a estratégia tributária e financeira da sua empresa, modelando os impactos da legislação sobre a realidade da sua operação.

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    Fonte: Contábeis | Receita Federal

  • Aposentadoria do Professor: Nova Lei 15.326/2026

    Aposentadoria do Professor: Nova Lei 15.326/2026

    Aposentadoria do professor do ensino infantil: o que muda com a Lei 15.326/2026

    A aposentadoria do professor ganhou um novo capítulo com a sanção da Lei nº 15.326/2026 pelo presidente Lula. A nova legislação reconhece formalmente o trabalho dos professores da educação infantil como atividade de magistério, garantindo acesso às regras diferenciadas de aposentadoria. Essa conquista representa uma vitória histórica para a categoria, que há anos lutava pelo reconhecimento dessa equivalência.

    Neste artigo, explicamos em detalhes o que muda com a nova lei, quais são os requisitos para solicitar a aposentadoria especial e como os professores devem se preparar.

    O que diz a Lei 15.326/2026?

    A Lei nº 15.326/2026 reitera a valorização dos professores da educação infantil por meio do reconhecimento de que suas atividades se equiparam ao magistério para fins previdenciários. Na prática, isso significa que professores de creches e pré-escolas passam a ter direito às mesmas regras de aposentadoria aplicáveis aos demais docentes da educação básica.

    A legislação reforça ainda a importância do piso salarial nacional do magistério, dos planos de carreira e do acesso via concurso público às redes públicas de ensino.

    Requisitos para aposentadoria do professor em 2026

    Com as regras de transição da Reforma da Previdência (EC 103/2019) ainda em vigor, os requisitos variam conforme o gênero do profissional e o ano de solicitação do benefício.

    Para professoras (mulheres)

    • Idade mínima em 2026: 54 anos e 6 meses
    • Tempo de contribuição: 25 anos em atividade de magistério
    • Pontuação (idade + tempo): A regra de pontos também se aplica, com exigência crescente a cada ano

    Para professores (homens)

    • Idade mínima em 2026: 59 anos e 6 meses
    • Tempo de contribuição: 30 anos em atividade de magistério
    • Pontuação (idade + tempo): Segue a mesma regra progressiva

    É fundamental destacar que esses requisitos seguem a regra de transição por idade mínima progressiva. A cada ano, a idade mínima exigida aumenta em seis meses até atingir o patamar definitivo de 57 anos para mulheres e 62 anos para homens.

    Redução de até 5 anos no tempo de contribuição

    Uma das maiores vantagens da aposentadoria especial do professor é a redução de cinco anos no tempo de contribuição em relação às regras gerais do INSS. Enquanto a aposentadoria comum exige 30 anos de contribuição para mulheres e 35 anos para homens, os professores podem se aposentar com 25 e 30 anos, respectivamente.

    Com a nova lei, essa redução passa a ser acessível também para os professores da educação infantil, que antes enfrentavam dificuldades para comprovar a atividade de magistério nesse nível de ensino.

    Como comprovar a atividade de magistério na educação infantil

    Embora a Lei 15.326/2026 amplie o reconhecimento, o INSS ainda realizará análise individualizada de cada caso. Para garantir o direito à aposentadoria especial, o professor deve reunir documentação comprobatória adequada:

    1. Carteira de Trabalho (CTPS): Com registro claro de atividade em educação infantil
    2. Declaração da instituição de ensino: Atestando o exercício de funções de magistério
    3. Contracheques e holerites: Demonstrando a natureza da atividade exercida
    4. Certificados e diplomas: Comprovando habilitação para o magistério
    5. Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP): Quando disponível

    É recomendável que o professor organize essa documentação com antecedência e, se possível, busque orientação de um advogado previdenciário ou contador especializado.

    Impacto para o setor educacional

    A nova lei beneficia diretamente milhares de profissionais que atuam em creches e escolas de educação infantil em todo o Brasil. Segundo dados do INEP, o país possui mais de 120 mil estabelecimentos de educação infantil, empregando centenas de milhares de professores.

    Para gestores escolares e departamentos de recursos humanos, é importante adequar os registros trabalhistas para refletir corretamente a atividade de magistério, facilitando o processo de aposentadoria futura dos profissionais.

    Cálculo do benefício

    O valor da aposentadoria do professor segue as regras gerais de cálculo do INSS pós-reforma. A base de cálculo considera a média de 100% dos salários de contribuição desde julho de 1994. Sobre essa média, aplica-se o coeficiente de 60% mais 2% por ano de contribuição que exceder 15 anos (mulheres) ou 20 anos (homens).

    Na prática, professores com mais tempo de contribuição terão benefícios proporcionalmente maiores. Por isso, é importante realizar um planejamento previdenciário detalhado antes de solicitar a aposentadoria.

    Relação com o planejamento financeiro

    A aposentadoria do professor é apenas uma peça do planejamento financeiro de longo prazo. Profissionais da educação também devem considerar estratégias complementares, como previdência privada e investimentos. Uma contabilidade estratégica pode auxiliar nesse planejamento, garantindo maior segurança financeira no futuro.

    Além disso, para professores que também possuem atividades como pessoa jurídica ou prestadores de serviço, o Imposto de Renda 2026 pode impactar diretamente o planejamento tributário e previdenciário.

    Passo a passo para solicitar a aposentadoria

    1. Verifique seus requisitos: Confira se você atende à idade mínima e ao tempo de contribuição exigidos
    2. Reúna a documentação: Organize todos os comprovantes de atividade de magistério
    3. Acesse o Meu INSS: Faça o requerimento pelo portal ou aplicativo do INSS
    4. Acompanhe o processo: Monitore o andamento pelo sistema e responda a eventuais exigências
    5. Busque assessoria profissional: Em caso de negativa, procure um especialista para análise do caso

    Atenção: a lei não é automática

    É importante ressaltar que a simples existência da Lei 15.326/2026 não garante a concessão automática da aposentadoria de professor pelo INSS. Cada caso será analisado individualmente, e o segurado deverá comprovar o efetivo exercício de funções de magistério na educação infantil.

    Professores que tiveram pedidos anteriormente negados podem reavaliar seus casos à luz da nova legislação, apresentando novo requerimento administrativo ou, se necessário, recorrendo judicialmente.

    Conclusão

    A Lei 15.326/2026 representa um avanço significativo na valorização dos professores da educação infantil no Brasil. Ao reconhecer formalmente sua atividade como magistério para fins previdenciários, a legislação abre caminho para que milhares de profissionais acessem a aposentadoria especial com redução de até cinco anos no tempo de contribuição.

    O Grupo BRA 360 oferece assessoria contábil e previdenciária especializada para profissionais da educação e empresas do setor. Nossa equipe pode ajudar no planejamento previdenciário e na organização documental necessária. Entre em contato e garanta seus direitos com segurança.

    Perguntas frequentes

    O que muda para professores da educação infantil com a Lei 15.326/2026?

    A Lei nº 15.326/2026 reconhece formalmente o trabalho dos professores da educação infantil como atividade de magistério para fins previdenciários. Com isso, professores de creches e pré-escolas passam a ter direito às mesmas regras de aposentadoria dos demais docentes da educação básica, incluindo a redução de cinco anos no tempo de contribuição em relação às regras gerais do INSS.

    Quais são os requisitos para a aposentadoria especial do professor em 2026?

    Para professoras (mulheres): idade mínima de 54 anos e 6 meses, com 25 anos de contribuição em atividade de magistério. Para professores (homens): idade mínima de 59 anos e 6 meses, com 30 anos de contribuição em magistério. Esses requisitos seguem a regra de transição por idade mínima progressiva da EC 103/2019, com aumento de seis meses a cada ano até atingir 57 anos para mulheres e 62 anos para homens.

    Qual é a vantagem de tempo de contribuição da aposentadoria especial do professor?

    A aposentadoria especial do professor permite redução de cinco anos no tempo de contribuição em relação às regras gerais do INSS. Enquanto a aposentadoria comum exige 30 anos para mulheres e 35 anos para homens, professores podem se aposentar com 25 e 30 anos, respectivamente. Com a Lei 15.326/2026, essa vantagem passa a incluir também os professores da educação infantil.

    Como o professor da educação infantil deve comprovar a atividade de magistério para o INSS?

    O INSS realizará análise individualizada de cada caso. Para garantir o direito, o professor deve reunir: Carteira de Trabalho com registro claro de atividade em educação infantil, declaração da instituição de ensino atestando o exercício de magistério, contracheques demonstrando a natureza da atividade, certificados e diplomas de habilitação para o magistério e, quando disponível, o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP).

    Qual o impacto da Lei 15.326/2026 para gestores escolares e departamentos de RH?

    Para gestores e departamentos de recursos humanos de escolas de educação infantil, é importante adequar os registros trabalhistas para refletir corretamente a atividade de magistério dos profissionais. Segundo dados do INEP mencionados no post, o Brasil possui mais de 120 mil estabelecimentos de educação infantil, empregando centenas de milhares de professores que agora têm acesso às regras diferenciadas de aposentadoria.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

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    Fonte: Contábeis | CNTE

  • Exploração de Dados e Personificação Digital

    Exploração de Dados e Personificação Digital

    Hoje, o Brasil enfrenta uma crise de confiança digital que vai muito além de golpes pontuais ou descuidos individuais, configurando um problema estrutural. Casos como o do “falso advogado” e o do “falso gerente de banco” revelam um fenômeno mais profundo: uma profissionalização dos criminosos, capazes de personalizar detalhadamente os golpes conforme seus alvos.
    Essa habilidade é impulsionada pela exploração massiva de dados e por vulnerabilidades tecnológicas ainda pouco compreendidas por empresas e profissionais. Os golpes não surgem do acaso. Eles são o resultado de um ambiente em que as informações sensíveis circulam com relativa facilidade, muitas vezes de forma pública, fragmentada e mal protegida. 
    O Brasil é um dos países que mais concentram ataques cibernéticos no mundo, com 60 bilhões de tentativas de ataques registrados em 2023 e custo médio de violação de dados de US$1,36 milhão diante da média internacional de US$4,88 milhões, de acordo com dados da IBM. Em 2024, teve o terceiro maior aumento no custo decorrente de violação de dados, de 11,5%, atrás somente de Itália e Alemanha. 
    Para escritórios contábeis, departamentos financeiros e empresários, que operam diariamente com dados fiscais, bancários e jurídicos, o risco é especialmente elevado.
    O golpe do falso advogado
    No golpe do falso advogado, por exemplo, o contato costuma ocorrer logo após uma movimentação real num processo judicial. O criminoso conhece o número do processo, o nome das partes, o estágio da ação e até o valor envolvido. 
    Apresentando-se com segurança, ele usa linguagem jurídica adequada e solicita um pagamento urgente para “liberação de valores” ou “cumprimento de exigência judicial”. Em diversos casos recentes, o nível de precisão foi tão alto que levou tribunais e entidades de classe a emitir alertas formais sobre a prática.
    Golpe do falso gerente de banco
    Embora o golpe da falsa central bancária seja diferente da fraude advocatícia, ele segue um roteiro igualmente sofisticado. A vítima recebe uma ligação aparentemente legítima, com identificação visual compatível com a do banco. O interlocutor demonstra conhecimento prévio sobre a conta, o histórico de transações e até dados cadastrais. 
    A narrativa é de um tom de urgência: uma fraude está em andamento e ela exige ação imediata. Sob pressão, a vítima acaba realizando transferências, fornecendo códigos de autenticação ou validando operações que acabam por autorizar o desvio indevido de dinheiro.
    O elemento central que conecta esses esquemas é a qualidade da informação utilizada. Diferentemente de muitos crimes virtuais, aqui não se trata apenas de dados vazados em grandes incidentes, mas de um mosaico construído a partir de fontes públicas. 
    Diários oficiais, registros empresariais, redes sociais profissionais e processos judiciais são algumas dessas origens lícitas, que podem ser combinadas com dados obtidos de forma ilícita. 
    Em situações mais graves, há indícios claros de comprometimento direto dos computadores ou celulares das vítimas. O uso de spyware (programas espiões) representa uma escalada nesse tipo de crime. Instalado por meio de anexos, links ou aplicativos aparentemente legítimos, esse tipo de programa malicioso permite o acesso contínuo a e-mails, mensagens, documentos, contatos e até padrões de comunicação. 
    Com isso, o criminoso não só “finge ser” alguém: ele replica com precisão a forma de falar, os horários de contato e o contexto profissional da vítima. A personificação deixa de ser genérica e passa a ser uma imitação virtual quase indistinguível da comunicação real.
    Fraudes avançadas e o setor contábil
    Para o setor contábil, o potencial de perdas é enorme. Escritórios de contabilidade concentram informações estratégicas de diversos clientes de perfis variados, funcionando como pontos críticos na cadeia de dados empresariais. 
    Um único computador comprometido pode expor informações fiscais, bancárias e societárias de muitas empresas, ampliando não apenas o dano financeiro, mas também o risco jurídico para o escritório. 
    Além disso, outro ativo ainda mais fundamental numa relação profissional pode ser abalada de forma irreversível: a confiança. Portanto, o problema não pode ser tratado apenas como falha individual ou falta de atenção. 
    Diagnóstico e solução de problemas de cibersegurança
    Como dito antes, a vulnerabilidade é sistêmica: nela, combinam-se tecnologia, comportamento e excesso de exposição de dados. Assim, a resposta a essa situação propícia ao crime organizado digital também precisa ser estrutural.
    Para a essencial proteção dos dispositivos usados no trabalho, existem soluções reconhecidamente eficazes. Encontrar a melhor VPN para o dia a dia ajudará a proteger comunicações, dentro e fora do ambiente corporativo, e reduzir o risco de interceptação de dados. Essa camada adicional de defesa pode ser somada ao uso de antivírus e a boas práticas, especialmente num contexto em que profissionais e colaboradores acessam sistemas sensíveis em redes externas.
    Aliás, quando se fala em boas práticas, medidas como protocolos rígidos de verificação para pagamentos, segregação de funções, autenticação em múltiplos fatores e treinamentos recorrentes de equipes deixam de ser meras opções e passam a ser exigências básicas. 
    O avanço nos golpes de personificação no Brasil expõe o fato de que a digitalização dos negócios avançou mais rápido do que a maturidade em segurança da informação. Enquanto dados continuarem excessivamente acessíveis e mal geridos, criminosos seguirão explorando essas brechas com sofisticação crescente. A proteção de dados hoje não é apenas uma questão tecnológica, mas uma responsabilidade estratégica de contadores, empresários e profissionais de finanças.
    O post Como a exploração de dados criou o pesadelo da personificação digital no Brasil apareceu primeiro em Jornal Contábil – Independência e compromisso.

    Perguntas frequentes

    Como funciona o golpe do falso advogado e por que ele é tão convincente?

    No golpe do falso advogado, o criminoso entra em contato logo após uma movimentação real em processo judicial, conhecendo o número do processo, as partes envolvidas, o estágio da ação e o valor em disputa. Com linguagem jurídica adequada, solicita pagamento urgente para ‘liberação de valores’ ou ‘cumprimento de exigência judicial’. O alto grau de precisão levou tribunais e entidades de classe a emitir alertas formais sobre a prática.

    Quais são as fontes de informação que os criminosos usam para personalizar os golpes?

    Os golpes são construídos a partir de um mosaico de fontes públicas e privadas: diários oficiais, registros empresariais, redes sociais profissionais e processos judiciais fornecem dados lícitos que são combinados com informações obtidas de forma ilícita. Em casos mais graves, há uso de spyware instalado por anexos ou links maliciosos, que permite acesso contínuo a e-mails, mensagens e documentos da vítima.

    Por que escritórios de contabilidade são alvos especialmente vulneráveis a fraudes digitais?

    Escritórios contábeis concentram informações estratégicas de múltiplos clientes, funcionando como pontos críticos na cadeia de dados empresariais. Um único computador comprometido pode expor informações fiscais, bancárias e societárias de diversas empresas simultaneamente, ampliando não apenas o dano financeiro mas também a responsabilidade do escritório perante seus clientes.

    Qual é o volume de ataques cibernéticos que o Brasil enfrenta?

    Segundo dados citados no post com base em informações da IBM, o Brasil registrou 60 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2023, com custo médio de violação de dados de US$ 1,36 milhão. Em 2024, o país teve o terceiro maior aumento no custo decorrente de violação de dados, de 11,5%, ficando atrás apenas de Itália e Alemanha.

    Como o spyware potencializa a personificação digital em golpes contra empresas?

    O spyware, instalado por meio de anexos, links ou aplicativos aparentemente legítimos, permite acesso contínuo a e-mails, mensagens, documentos, contatos e padrões de comunicação da vítima. Com isso, o criminoso não apenas finge ser alguém: ele replica com precisão a forma de escrever, os horários de contato e o contexto profissional da vítima, tornando a imitação virtualmente indistinguível da comunicação real.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

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  • Seguro-Desemprego Extra para Gestantes e Pais

    Seguro-Desemprego Extra para Gestantes e Pais

    Seguro-desemprego extra para gestantes e pais: entenda a proposta que pode beneficiar famílias

    O seguro-desemprego extra para gestantes e pais é a proposta do Projeto de Lei 6847/25, em tramitação na Câmara dos Deputados. O projeto prevê a concessão de três parcelas adicionais do benefício para trabalhadores desempregados que estejam aguardando o nascimento de um filho. A medida visa oferecer maior proteção financeira a famílias em situação de vulnerabilidade durante a gestação.

    Neste artigo, analisamos os detalhes da proposta, quem seria beneficiado, quais os requisitos e qual o impacto esperado para trabalhadores e empresas.

    O que propõe o PL 6847/25?

    O Projeto de Lei 6847/25 altera as regras do seguro-desemprego para incluir três parcelas extras destinadas a trabalhadores que comprovem gestação em curso, seja da própria trabalhadora ou da companheira/cônjuge do trabalhador. As parcelas adicionais seriam pagas automaticamente após o término do benefício original.

    Os valores das parcelas extras seriam idênticos aos das parcelas regulares do seguro-desemprego, calculados com base na média salarial dos últimos três meses trabalhados antes da demissão.

    Quem teria direito ao benefício?

    Para receber as parcelas adicionais, o trabalhador precisaria comprovar cumulativamente:

    • Desemprego involuntário: Ter sido demitido sem justa causa
    • Já estar recebendo seguro-desemprego: As parcelas extras seriam uma extensão do benefício regular
    • Gestação em curso: Comprovada por laudo ou exame médico com identificação da gestante
    • Vínculo familiar: No caso do pai, comprovação de casamento, união estável ou declaração da gestante

    Tanto mulheres gestantes quanto seus companheiros teriam direito ao benefício, desde que cumprissem os requisitos de acesso ao seguro-desemprego regular.

    Como funciona o seguro-desemprego atual

    Para contextualizar a importância da proposta, é fundamental entender como funciona o seguro-desemprego hoje. O benefício é pago em parcelas que variam de três a cinco, conforme o tempo de trabalho e o número de solicitações anteriores:

    • Primeira solicitação: Mínimo de 12 meses de trabalho nos últimos 18 meses, recebe 4 parcelas
    • Segunda solicitação: Mínimo de 9 meses nos últimos 12 meses, recebe 3 parcelas
    • Demais solicitações: Mínimo de 6 meses nos últimos 6 meses, recebe 3 parcelas

    Com a proposta do PL 6847/25, um trabalhador que receberia 3 parcelas passaria a receber 6, e quem receberia 5 parcelas teria direito a 8. Essa extensão seria fundamental durante o período gestacional, quando os gastos familiares tendem a aumentar significativamente.

    Impacto financeiro e social da proposta

    A extensão do seguro-desemprego para gestantes e pais teria impacto direto na proteção social de milhares de famílias brasileiras. Segundo dados do Ministério do Trabalho, milhões de trabalhadores acessam o seguro-desemprego anualmente, e uma parcela significativa é composta por mulheres em idade fértil.

    Benefícios esperados

    1. Proteção financeira na gestação: Gastos com pré-natal, enxoval e preparação para o nascimento geram custos elevados
    2. Redução da vulnerabilidade social: Famílias desempregadas com filhos a caminho estão entre as mais vulneráveis
    3. Incentivo à natalidade responsável: A proteção financeira pode contribuir para decisões familiares mais seguras
    4. Igualdade de gênero: Ao incluir pais no benefício, a proposta reconhece a responsabilidade compartilhada

    Pontos de atenção

    Especialistas apontam que a proposta precisa endereçar questões como o impacto no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), a possibilidade de fraudes na comprovação de vínculos e a sustentabilidade financeira de longo prazo do programa.

    Tramitação do projeto

    O PL 6847/25 será analisado em caráter conclusivo pelas seguintes comissões da Câmara dos Deputados:

    1. Comissão de Trabalho: Avaliação da pertinência trabalhista da proposta
    2. Comissão de Finanças e Tributação: Análise do impacto financeiro e orçamentário
    3. Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania: Verificação da constitucionalidade

    Após aprovação nessas comissões, o texto seguiria para o Senado Federal. Se aprovado em ambas as casas, seria encaminhado para sanção presidencial. Ainda não há previsão de data para votação.

    Aspecto previdenciário e trabalhista

    A proposta levanta questões importantes na interseção entre direito trabalhista e previdenciário. O seguro-desemprego tem caráter assistencial, e o projeto estabelece expressamente que as parcelas extras não impediriam novos pedidos de seguro-desemprego no futuro.

    Para profissionais de RH e contadores, é importante acompanhar a tramitação desse projeto, pois sua eventual aprovação impactaria os cálculos de provisões trabalhistas e as orientações aos colaboradores demitidos. A contabilidade estratégica deve considerar esses cenários em seu planejamento.

    Comparação com outros países

    Diversos países já adotam políticas semelhantes de proteção ao trabalhador desempregado durante a gestação. Na Europa, por exemplo, países como Suécia, Noruega e Alemanha possuem sistemas robustos de proteção parental que incluem extensão de benefícios durante a gravidez.

    No contexto latino-americano, o Brasil daria um passo importante ao reconhecer a necessidade de proteção adicional para famílias em formação durante períodos de desemprego.

    O que fazer enquanto o projeto tramita

    Enquanto o PL 6847/25 não é aprovado, trabalhadores desempregados que estejam aguardando filho podem buscar outras formas de proteção:

    • Salário-maternidade: Gestantes desempregadas podem ter direito ao salário-maternidade, desde que mantenham a qualidade de segurada do INSS
    • Bolsa Família: Famílias em situação de vulnerabilidade podem acessar programas de transferência de renda
    • Planejamento financeiro: Organizar as finanças durante o período de seguro-desemprego é essencial

    Para questões relacionadas ao Imposto de Renda 2026, é importante lembrar que o seguro-desemprego é isento de tributação, mas deve ser declarado. Já a proteção patrimonial pode ser uma estratégia relevante para famílias que buscam segurança financeira.

    Conclusão

    O Projeto de Lei 6847/25 representa uma iniciativa relevante para a proteção social de trabalhadores desempregados que estejam formando família. As três parcelas extras de seguro-desemprego para gestantes e pais podem fazer a diferença em um momento de grande vulnerabilidade financeira.

    O Grupo BRA 360 acompanha de perto as mudanças na legislação trabalhista e previdenciária para manter seus clientes sempre informados e protegidos. Se você precisa de orientação sobre direitos trabalhistas, planejamento financeiro ou questões contábeis, entre em contato com nossa equipe de especialistas.

    Perguntas frequentes

    O que propõe o PL 6847/25 sobre seguro-desemprego para gestantes e pais?

    O Projeto de Lei 6847/25, em tramitação na Câmara dos Deputados, prevê a concessão de três parcelas adicionais do seguro-desemprego para trabalhadores desempregados que estejam aguardando o nascimento de um filho. As parcelas extras seriam pagas automaticamente após o término do benefício regular, com valores idênticos aos das parcelas originais.

    Quem teria direito às parcelas extras do seguro-desemprego previstas no PL 6847/25?

    Para receber as parcelas adicionais, o trabalhador precisaria comprovar simultaneamente: demissão involuntária sem justa causa, já estar recebendo o seguro-desemprego regular, gestação em curso (comprovada por laudo ou exame médico) e, no caso do pai, vínculo familiar por casamento, união estável ou declaração da gestante. Tanto mulheres gestantes quanto seus companheiros teriam direito ao benefício.

    Quantas parcelas de seguro-desemprego um trabalhador passaria a receber com a aprovação do PL 6847/25?

    Com a proposta, o trabalhador que hoje receberia 3 parcelas passaria a receber 6, e quem receberia 5 parcelas teria direito a 8. O número de parcelas regulares varia de 3 a 5, conforme o tempo de trabalho e o número de solicitações anteriores. As 3 parcelas adicionais seriam somadas ao benefício original.

    A isenção das parcelas extras do seguro-desemprego afetaria os demais direitos trabalhistas?

    O PL 6847/25 não aborda isenção de contribuições sobre as parcelas extras. O que o projeto propõe é a extensão do benefício em si. Os direitos trabalhistas regulares como férias, 13º salário e FGTS continuam calculados normalmente com base na remuneração do período de trabalho. A proposta foca exclusivamente no seguro-desemprego durante o período gestacional.

    Em que estágio de tramitação está o PL 6847/25 e quais comissões precisam aprová-lo?

    O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas Comissões de Trabalho, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. Após aprovação na Câmara, precisará passar pelo Senado Federal para se tornar lei. Especialistas apontam que o projeto precisa endereçar questões como impacto no Fundo de Amparo ao Trabalhador e prevenção de fraudes.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

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    Fonte: Contábeis | Câmara dos Deputados

  • ITI: Plano Digital 2027 Amplia Biometria e Dados

    ITI: Plano Digital 2027 Amplia Biometria e Dados

    ITI Publica Plano de Transformação Digital com Horizonte até 2027

    O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) instituiu seu Plano de Transformação Digital (PTD) com horizonte até 2027, estabelecendo como prioridades a consolidação da biometria federal, o avanço das soluções de assinatura eletrônica e a ampliação da interoperabilidade entre bases de dados públicas. O plano representa um marco na modernização da infraestrutura digital do governo brasileiro.

    A iniciativa impacta diretamente profissionais contábeis, empresas e cidadãos que utilizam certificados digitais da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) para assinar documentos, acessar sistemas governamentais e realizar transações eletrônicas com validade jurídica.

    O Que é o Plano de Transformação Digital do ITI

    O PTD do ITI é um documento estratégico que define as diretrizes, metas e ações que o instituto implementará nos próximos anos para modernizar seus serviços digitais. O objetivo central é aprimorar a oferta de serviços, otimizar custos operacionais e fortalecer a integração entre sistemas governamentais.

    O plano está estruturado em quatro eixos principais:

    • Serviço Biométrico Federal: gestão da base biométrica nacional para validação de identidade
    • Assinatura eletrônica avançada: ampliação das soluções de assinatura digital para diferentes setores
    • Interoperabilidade de dados: integração entre bases de dados governamentais
    • Modernização da ICP-Brasil: evolução da infraestrutura de chaves públicas

    Serviço Biométrico Federal

    Uma das entregas mais relevantes previstas no plano é a implementação do Serviço Biométrico Federal. Essa iniciativa abrangerá a gestão da base biométrica nacional e a coordenação do tratamento de inconsistências de identificação em todo o território brasileiro.

    A implantação será realizada de forma gradual, em fases estruturadas, com a finalidade de:

    • Ampliar a validação de identidade nos serviços públicos digitais
    • Reduzir riscos de fraudes em transações eletrônicas
    • Consolidar uma base biométrica unificada para uso governamental
    • Melhorar a experiência do cidadão no acesso a serviços digitais
    • Fortalecer a segurança das autenticações em sistemas críticos

    A biometria federal terá papel fundamental na emissão de certificados digitais, pois permitirá uma validação mais segura e eficiente da identidade dos solicitantes, reduzindo os casos de emissão fraudulenta que ainda ocorrem no sistema atual.

    Impactos para Empresas e Contadores

    Para as empresas e os profissionais contábeis, a consolidação da biometria federal significa maior segurança nas operações realizadas com certificado digital. A assinatura de documentos fiscais, a transmissão de obrigações acessórias e o acesso a sistemas como o e-CAC da Receita Federal se tornarão mais confiáveis com a validação biométrica aprimorada.

    A inteligência artificial no compliance fiscal se beneficia diretamente dessa infraestrutura, pois a confiabilidade na identificação dos usuários é um requisito essencial para a automação de processos tributários.

    Integração com o CNPJ e Automação de Processos

    No campo da interoperabilidade, o plano contempla a integração com a base do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). Essa ação faz parte da estratégia de automação de verificações e da diminuição de etapas manuais no cadastramento de agentes de registro da ICP-Brasil.

    A automação do processo de verificação do CNPJ trará benefícios significativos:

    • Agilidade: redução do tempo necessário para emissão de certificados digitais para empresas
    • Precisão: diminuição de erros humanos no processo de cadastramento
    • Custo: redução dos custos operacionais para as autoridades certificadoras
    • Segurança: verificação automatizada da regularidade cadastral das empresas

    Essa integração é especialmente relevante para os escritórios de contabilidade, que frequentemente lidam com a emissão e renovação de certificados digitais em nome de seus clientes. A automação do processo simplifica uma atividade que atualmente demanda tempo e recursos consideráveis.

    Assinatura Eletrônica na Saúde Digital

    O Plano de Transformação Digital do ITI também contempla avanços na área de saúde digital. A disponibilização e validação de assinatura eletrônica em parceria com o Ministério da Saúde visa apoiar a validação de documentos médicos, como receitas, atestados e pedidos de exames.

    A evolução gradual do uso de assinatura eletrônica no ecossistema de serviços públicos digitais de saúde representa uma mudança significativa na forma como os profissionais de saúde e seus pacientes interagem com o sistema.

    Para a contabilidade, essa iniciativa impacta os profissionais que atuam na área de saúde, especialmente os que prestam serviços para clínicas, hospitais e laboratórios, uma vez que a digitalização dos documentos de saúde gera novas demandas de compliance e gestão documental.

    Certificado Digital e ICP-Brasil: Evolução Contínua

    A ICP-Brasil é a infraestrutura que garante a validade jurídica dos documentos eletrônicos no país. O Plano de Transformação Digital do ITI prevê a modernização dessa infraestrutura para atender às demandas crescentes por serviços digitais seguros e confiáveis.

    Entre as evoluções previstas para a ICP-Brasil, destacam-se:

    • Emissão de certificados digitais pelo portal Gov.br
    • Novos modelos de certificação adaptados a dispositivos móveis
    • Integração com sistemas de identidade digital internacionais
    • Ampliação da rede de autoridades certificadoras

    A possibilidade de emitir certificados digitais diretamente pelo Gov.br é uma inovação que pode democratizar o acesso a essa tecnologia, tornando-a disponível para um número maior de cidadãos e empresas, especialmente os de menor porte que ainda não utilizam certificação digital.

    Impactos na Contabilidade e Gestão Empresarial

    As mudanças previstas no Plano de Transformação Digital do ITI têm impactos diretos na rotina dos profissionais contábeis e na gestão das empresas. O certificado digital é uma ferramenta essencial para diversas atividades contábeis e empresariais, incluindo a transmissão de declarações à Receita Federal, a assinatura de contratos e a emissão de notas fiscais eletrônicas.

    Com a Reforma Tributária em implementação, a demanda por certificados digitais tende a aumentar, uma vez que os novos tributos IBS e CBS exigirão integração digital entre empresas e administrações tributárias. O split payment, por exemplo, depende de uma infraestrutura digital robusta para funcionar adequadamente.

    As tendências da contabilidade estratégica para 2026 reforçam que a transformação digital é um caminho sem volta para a profissão, e o domínio das ferramentas de certificação e assinatura digital é competência cada vez mais essencial para os contadores.

    Considerações Finais

    O Plano de Transformação Digital do ITI com horizonte até 2027 representa uma evolução significativa na infraestrutura digital do governo brasileiro. A consolidação da biometria federal, a integração de bases de dados e a modernização da ICP-Brasil trarão mais segurança, agilidade e eficiência para empresas, profissionais e cidadãos.

    Para os profissionais contábeis e empresários, acompanhar essas mudanças é fundamental para aproveitar as novas oportunidades e manter-se atualizado com as exigências tecnológicas do mercado.

    Para orientação sobre certificação digital, compliance e transformação digital para sua empresa, conte com o Grupo BRA 360.

    Perguntas frequentes

    O que e o Plano de Transformacao Digital do ITI e quais sao suas prioridades?

    O Instituto Nacional de Tecnologia da Informacao (ITI) instituiu seu Plano de Transformacao Digital (PTD) com horizonte ate 2027. As prioridades sao a consolidacao da biometria federal, o avanco das solucoes de assinatura eletronica e a ampliacao da interoperabilidade entre bases de dados publicas. O plano esta estruturado em quatro eixos: biometria, assinatura eletronica, interoperabilidade de dados e modernizacao da ICP-Brasil.

    O que e o Servico Biometrico Federal previsto no plano do ITI?

    O Servico Biometrico Federal e uma das principais entregas do plano e abrangerá a gestao da base biometrica nacional e a coordenacao do tratamento de inconsistencias de identificacao em todo o Brasil. A implantacao sera gradual, em fases estruturadas, com objetivo de ampliar a validacao de identidade nos servicos publicos digitais, reduzir riscos de fraudes e consolidar uma base unificada para uso governamental.

    Como a biometria federal impacta contadores e empresas que usam certificado digital?

    A consolidacao da biometria federal aumentara a seguranca nas operacoes com certificado digital, como assinatura de documentos fiscais, transmissao de obrigacoes acessorias e acesso ao e-CAC da Receita Federal. A validacao biometrica mais robusta reduz riscos de emissao fraudulenta de certificados, tornando as transacoes eletronicas mais confiaveis para escritorios contabeis e empresas que dependem da ICP-Brasil.

    O plano do ITI prevê integracao com o CNPJ para emissao de certificados digitais?

    Sim. O plano contempla a integracao com a base do Cadastro Nacional de Pessoas Juridicas (CNPJ) como parte da estrategia de automacao de verificacoes e reducao de etapas manuais no cadastramento de agentes de registro da ICP-Brasil. A automacao trara agilidade, maior precisao, reducao de custos operacionais e verificacao automatica da regularidade cadastral das empresas para as autoridades certificadoras.

    Quais beneficios a modernizacao da ICP-Brasil traz para escritorios de contabilidade?

    Para escritorios que gerenciam emissao e renovacao de certificados digitais em nome de clientes, a automacao do processo de verificacao do CNPJ simplificara uma atividade atualmente manual e sujeita a erros. A integracao com bases de dados publicas e a validacao biometrica mais eficiente reduzirao o tempo e os custos envolvidos no processo, beneficiando diretamente a rotina administrativa dos escritorios contabeis.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

    Seu escritorio contabil esta preparado para a nova infraestrutura digital do governo?

    A BRA 360 Contábil cuida da contabilidade estratégica, das obrigações acessórias e do departamento pessoal com inteligência de dados.

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    Fonte: Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI)