Grupo BRA360

Autor: clorivaljunior@bracontabilidade.com

  • CFC e CRCs Discutem Fortalecimento da Contabilidade

    CFC e CRCs Discutem Fortalecimento da Contabilidade

    Sistema CFC/CRCs Define Estratégias para Fortalecer a Contabilidade Brasileira

    O Sistema CFC/CRCs realizou, entre 9 e 11 de março de 2026, em Brasília, o Seminário de Planejamento Estratégico e Governança, evento que reuniu lideranças contábeis de todo o Brasil para discutir o fortalecimento da contabilidade nacional. O encontro consolidou a agenda estratégica integrada para o biênio 2026-2027, estabelecendo metas e ações voltadas ao desenvolvimento da profissão contábil.

    O seminário representou um momento importante para a classe contábil brasileira, que enfrenta desafios significativos diante das transformações legislativas, tecnológicas e regulatórias que impactam diretamente a atuação dos profissionais do setor.

    Agenda Estratégica 2026-2027

    A agenda estratégica integrada aprovada durante o seminário do Sistema CFC/CRCs abrange diversas frentes de atuação. O objetivo central é promover o fortalecimento da contabilidade como instrumento essencial para o desenvolvimento econômico do país, garantindo que os profissionais estejam preparados para as demandas do mercado atual.

    Entre os eixos estratégicos definidos no encontro, destacam-se:

    • Governança e controle institucional: aprimoramento dos mecanismos de gestão dos conselhos regionais
    • Gestão estratégica: alinhamento das ações dos CRCs com as diretrizes nacionais do CFC
    • Sustentabilidade: incorporação de práticas sustentáveis na atuação dos profissionais contábeis
    • Liderança e prestação de contas: fortalecimento da transparência institucional
    • Posicionamento internacional: ampliação da presença da contabilidade brasileira no cenário global

    Programas e Iniciativas Lançados

    O seminário foi palco do lançamento de importantes programas que impactarão diretamente a atuação dos contadores brasileiros nos próximos anos. Cada iniciativa foi desenvolvida em parceria com instituições relevantes, ampliando o alcance e a efetividade das ações.

    Selo dos 80 Anos dos Conselhos de Contabilidade

    Em celebração às oito décadas de criação dos conselhos de contabilidade no Brasil, foi lançado um selo comemorativo que simboliza a trajetória de contribuição da profissão contábil para o desenvolvimento econômico e social do país. A marca celebra a consolidação do sistema de fiscalização e regulamentação profissional como referência na América Latina.

    Programa de Educação Continuada para Contadores Públicos

    Uma das iniciativas mais relevantes apresentadas no seminário foi o Programa de Educação Profissional Continuada para Contadores Públicos, desenvolvido em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e a Fundação Brasileira de Contabilidade (FBC). O programa estabelece a obrigatoriedade de 40 horas anuais de capacitação para contadores do setor público a partir de 2027.

    Essa exigência visa elevar a qualidade das informações contábeis e fiscais produzidas pela administração pública, alinhando o Brasil às normas internacionais de contabilidade para o setor público.

    Capacitação sobre Reforma Tributária

    Em parceria com a Receita Federal do Brasil (RFB), o CFC lançou o programa de Capacitação sobre a Reforma Tributária. A iniciativa prepara os profissionais contábeis para as mudanças decorrentes da implementação dos novos tributos IBS e CBS, que substituirão gradualmente os impostos atuais sobre consumo.

    O programa é especialmente relevante considerando que a fase de testes do split payment e dos novos tributos já está em andamento, exigindo que os contadores compreendam as novas obrigações acessórias e os procedimentos de apuração e recolhimento.

    Sustentabilidade para Micro e Pequenas Empresas

    O projeto integrado entre o CFC e o Sebrae voltado à sustentabilidade para micro e pequenas empresas reconhece o papel fundamental dos contadores como consultores de negócios. A iniciativa fornecerá ferramentas e conhecimentos para que os profissionais contábeis possam orientar seus clientes sobre práticas de gestão sustentável e relatórios ESG.

    Brazil PAO Summit 2026

    A programação do seminário incluiu ainda o Brazil PAO Summit 2026, um encontro internacional que reuniu especialistas e representantes da área contábil de diferentes países. O evento reforça o posicionamento do Brasil no cenário contábil global e promove o intercâmbio de experiências e melhores práticas.

    A presença de delegações internacionais no evento demonstra o reconhecimento crescente da contabilidade brasileira e das normas adotadas pelo CFC como referência para outros países da região.

    Desafios para o Biênio 2026-2027

    Os líderes contábeis reunidos em Brasília identificaram diversos desafios que precisam ser enfrentados nos próximos anos para garantir o fortalecimento da profissão. Entre eles, a necessidade de adaptação à transformação digital ocupa posição central.

    A incorporação de inteligência artificial e tecnologias emergentes na rotina dos escritórios contábeis exige uma atualização constante dos profissionais. O CFC reconhece que a capacitação tecnológica é fundamental para que os contadores mantenham sua relevância no mercado de trabalho.

    Outro desafio significativo é a implementação da Reforma Tributária, que demanda um esforço coordenado de capacitação e adaptação de sistemas e processos. As mudanças afetam desde a forma de apuração dos tributos até a emissão de documentos fiscais, exigindo que os profissionais estejam constantemente atualizados.

    O Papel dos CRCs Regionais

    Os Conselhos Regionais de Contabilidade desempenham um papel fundamental na execução das estratégias definidas no seminário. Cada CRC é responsável por adaptar as diretrizes nacionais à realidade local, promovendo ações de capacitação, fiscalização e suporte aos profissionais de sua jurisdição.

    A integração entre os CRCs e o CFC foi um dos temas centrais do encontro, com ênfase na necessidade de uniformizar procedimentos e compartilhar boas práticas entre as diferentes regiões do país. As tendências da contabilidade estratégica para 2026 reforçam a importância dessa articulação.

    Considerações Finais

    O Seminário de Planejamento Estratégico e Governança do Sistema CFC/CRCs consolidou uma agenda ambiciosa e necessária para o fortalecimento da contabilidade brasileira. As iniciativas lançadas no evento demonstram o compromisso das lideranças contábeis com a qualificação profissional, a transparência institucional e a adaptação às transformações do mercado.

    Para os profissionais da contabilidade, acompanhar essas mudanças e investir em capacitação contínua é essencial para se manter competitivo e preparado para os desafios do biênio 2026-2027.

    Para orientação estratégica e acompanhamento das mudanças regulatórias que afetam sua empresa, conte com o Grupo BRA 360.

    Perguntas frequentes

    Quando aconteceu o Seminário de Planejamento Estratégico do Sistema CFC/CRCs?

    O Seminário de Planejamento Estratégico e Governança do Sistema CFC/CRCs foi realizado entre 9 e 11 de março de 2026, em Brasília. O evento reuniu lideranças contábeis de todo o Brasil para consolidar a agenda estratégica integrada para o biênio 2026-2027, estabelecendo metas voltadas ao desenvolvimento da profissão contábil.

    O que prevê o Programa de Educação Continuada para Contadores Públicos?

    O Programa de Educação Profissional Continuada para Contadores Públicos, desenvolvido em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional e a Fundação Brasileira de Contabilidade, estabelece a obrigatoriedade de 40 horas anuais de capacitação para contadores do setor público a partir de 2027, visando elevar a qualidade das informações contábeis e fiscais da administração pública.

    Como o CFC está preparando contadores para a Reforma Tributária?

    Em parceria com a Receita Federal do Brasil, o CFC lançou um programa de capacitação sobre a Reforma Tributária para preparar profissionais contábeis para as mudanças decorrentes do IBS e da CBS. A iniciativa é especialmente relevante porque a fase de testes do split payment e dos novos tributos já está em andamento.

    Quais foram os eixos estratégicos definidos pelo CFC/CRCs para 2026-2027?

    A agenda estratégica aprovada no seminário abrange governança e controle institucional, gestão estratégica com alinhamento dos CRCs às diretrizes nacionais, sustentabilidade nas práticas profissionais, fortalecimento da transparência institucional e ampliação do posicionamento internacional da contabilidade brasileira no cenário global.

    O que é o Selo dos 80 Anos dos Conselhos de Contabilidade?

    O Selo dos 80 Anos foi lançado durante o seminário do CFC/CRCs para celebrar as oito décadas de criação dos conselhos de contabilidade no Brasil. A marca comemorativa simboliza a trajetória de contribuição da profissão contábil para o desenvolvimento econômico e social do país, consolidando o sistema de fiscalização e regulamentação profissional como referência na América Latina.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

    Sua equipe contábil está preparada para as mudanças de 2026 e 2027?

    A BRA 360 Contábil cuida da contabilidade estratégica, das obrigações acessórias e do departamento pessoal com inteligência de dados.

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    Fonte: Conselho Federal de Contabilidade (CFC)

  • Mulheres na Contabilidade: Avanços e Desafios

    Mulheres na Contabilidade: Avanços e Desafios

    O Dia Internacional da Mulher é uma data que convida à reflexão sobre os avanços conquistados e os desafios que ainda persistem no mercado de trabalho brasileiro. No setor contábil, as mulheres já representam aproximadamente 44% dos profissionais registrados, segundo dados do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Apesar desse avanço expressivo, a desigualdade salarial e a sub-representação em cargos de liderança continuam sendo obstáculos significativos.

    Para empresas e gestores, compreender essa realidade é fundamental para implementar políticas de equidade que não apenas cumpram a legislação, mas também tragam ganhos de produtividade e inovação para as organizações.

    Mulheres na contabilidade: panorama atual

    O Brasil possui aproximadamente 538 mil profissionais contábeis registrados, dos quais cerca de 240 mil são mulheres. Em alguns estados, a participação feminina já supera a masculina na profissão. Esses números demonstram uma transformação significativa em uma área historicamente dominada por homens.

    No entanto, quando se analisa a distribuição por nível hierárquico, o cenário muda. A presença feminina diminui significativamente em cargos de sócia, diretora ou CEO de escritórios contábeis e empresas de auditoria. Essa disparidade é conhecida como “teto de vidro”, barreiras invisíveis que limitam a ascensão profissional das mulheres.

    Desigualdade salarial: dados que preocupam

    O 4º Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelos Ministérios do Trabalho e das Mulheres, revela dados alarmantes:

    • Mulheres recebem, em média, 21,2% a menos que os homens no mercado formal
    • A diferença média é de R$ 1.049,67 por mês
    • Entre profissionais com ensino superior, a disparidade chega a 35%
    • Em cargos de gestão, homens recebem em média R$ 10.492 contra R$ 7.546 das mulheres, uma diferença de 28%

    Esses dados consideram 54.041 empresas com 100 ou mais empregados, abrangendo 24,4 milhões de postos ocupados por mulheres, o equivalente a 44,7% do total de 54,7 milhões de vínculos formais registrados na RAIS.

    Lei de igualdade salarial

    A Lei 14.611/2023 estabeleceu a obrigatoriedade de igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função. Empresas com mais de 100 empregados devem publicar relatórios de transparência salarial semestralmente. O descumprimento pode gerar multas e ações judiciais.

    Para profissionais contábeis, o compliance com essa legislação exige análise detalhada da folha de pagamento e implementação de planos de equalização salarial quando identificadas disparidades injustificadas.

    Barreiras na liderança

    Uma pesquisa recente revelou que 77% das mulheres em cargos de chefia afirmam ter enfrentado barreiras de gênero durante sua trajetória profissional. Entre os obstáculos mais citados estão:

    • Questionamento constante sobre competência técnica
    • Dificuldade de conciliar maternidade e carreira
    • Exclusão de redes informais de decisão
    • Menor acesso a oportunidades de mentoria e patrocínio profissional
    • Vieses inconscientes em processos de promoção

    Impacto na profissão contábil

    No setor contábil especificamente, embora a presença feminina na base da pirâmide seja expressiva, a representação em posições de liderança, como sócias de grandes firmas de auditoria, presidentes de conselhos regionais e diretoras de empresas contábeis, ainda é desproporcional.

    Organizações como o CFC e os Conselhos Regionais de Contabilidade têm promovido iniciativas para ampliar a participação feminina em espaços de decisão, mas o avanço é gradual.

    Avanços conquistados

    Apesar dos desafios, importantes conquistas merecem destaque:

    1. Legislação protetiva: A Lei de Igualdade Salarial e a obrigatoriedade de relatórios de transparência representam marcos regulatórios importantes
    2. Crescimento na profissão: O aumento constante da participação feminina na contabilidade reflete maior acesso à educação superior
    3. Redes de apoio: Surgimento de comunidades e associações profissionais focadas no desenvolvimento da carreira feminina
    4. Conscientização empresarial: Empresas cada vez mais reconhecem que diversidade de gênero gera melhores resultados
    5. Políticas públicas: Programas governamentais de incentivo à empregabilidade feminina e ao empreendedorismo

    O que as empresas podem fazer

    Para profissionais de contabilidade estratégica e gestores, algumas ações práticas podem contribuir para a equidade de gênero:

    • Auditoria salarial: Realizar análise periódica das remunerações por gênero e corrigir disparidades identificadas
    • Metas de diversidade: Estabelecer objetivos claros para representação feminina em cargos de liderança
    • Políticas de flexibilidade: Oferecer horários flexíveis e trabalho remoto para facilitar a conciliação trabalho-família
    • Programas de mentoria: Criar programas específicos de desenvolvimento para profissionais mulheres
    • Licença parental: Implementar políticas de licença parental que não penalizem a carreira feminina
    • Canais de denúncia: Manter canais efetivos para reportar discriminação e assédio

    Benefícios da equidade de gênero para as organizações

    Estudos internacionais demonstram que empresas com maior diversidade de gênero em suas lideranças apresentam resultados financeiros superiores. Segundo a McKinsey, organizações no quartil superior de diversidade de gênero têm 25% mais probabilidade de superar a média de lucratividade do setor.

    Além do retorno financeiro, equipes diversas tendem a tomar decisões mais equilibradas, apresentar maior capacidade de inovação e construir ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.

    Considerações finais

    O Dia da Mulher é uma oportunidade para celebrar as conquistas e renovar o compromisso com a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. Na contabilidade, as mulheres têm demonstrado competência e dedicação, transformando a profissão e contribuindo para o desenvolvimento econômico do país.

    O Grupo BRA 360 valoriza a diversidade e a igualdade de gênero como pilares fundamentais de uma gestão empresarial moderna e eficiente. Se sua empresa precisa de apoio para implementar políticas de equidade e adequar-se à legislação trabalhista vigente, entre em contato com nossa equipe de especialistas.

    Fonte original: Contábeis, Dia da Mulher: avanços e desafios no trabalho

    Perguntas frequentes

    Qual é a participação das mulheres na contabilidade no Brasil?

    Segundo dados do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), as mulheres representam aproximadamente 44% dos profissionais contábeis registrados no Brasil, totalizando cerca de 240 mil profissionais em um universo de 538 mil registrados. Em alguns estados, a participação feminina já supera a masculina na profissão.

    Quanto as mulheres ganham a menos que os homens no mercado formal?

    O 4º Relatório de Transparência Salarial revela que mulheres recebem, em média, 21,2% a menos que os homens no mercado formal, uma diferença de R$ 1.049,67 por mês. Entre profissionais com ensino superior, a disparidade chega a 35%, e em cargos de gestão a diferença é de 28%.

    O que estabelece a Lei 14.611/2023 sobre igualdade salarial?

    A Lei 14.611/2023 tornou obrigatória a igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função. Empresas com mais de 100 empregados devem publicar relatórios de transparência salarial semestralmente, sob pena de multas e ações judiciais em caso de descumprimento.

    Quais são as principais barreiras enfrentadas por mulheres em cargos de liderança?

    Pesquisa recente indica que 77% das mulheres em cargos de chefia afirmam ter enfrentado barreiras de gênero na carreira. Os obstáculos mais citados incluem questionamento constante da competência técnica, dificuldade de conciliar maternidade e carreira, exclusão de redes de decisão e menor acesso a oportunidades de mentoria e patrocínio.

    O que é ‘teto de vidro’ na contabilidade e como ele se manifesta?

    O ‘teto de vidro’ são barreiras invisíveis que limitam a ascensão profissional das mulheres. Na contabilidade, embora a presença feminina na base da carreira seja expressiva, a representação diminui significativamente em posições de liderança como sócias de grandes firmas de auditoria, presidentes de conselhos regionais e diretoras de empresas contábeis.

    Por Junior Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Atua na estruturação contábil, tributária e societária de empresas que precisam crescer com segurança jurídica e fiscal.

    Sua empresa está em conformidade com a Lei de Igualdade Salarial?

    A BRA 360 Jurídico oferece assessoria jurídica empresarial, trabalhista e de compliance integrada à operação contábil e fiscal.

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  • Conflito entre gerações afeta empresas

    Conflito entre gerações afeta empresas

    O conflito entre gerações afeta empresas brasileiras de forma crescente, especialmente nas organizações familiares e nas companhias que passaram por expansão acelerada na última década. A coexistência de profissionais de diferentes épocas, com valores, expectativas e formas de trabalhar distintas, cria um campo fértil para tensões que, sem uma gestão adequada, podem comprometer resultados, reter talentos e até ameaçar a continuidade dos negócios.

    Em março de 2026, pesquisas realizadas pelo SEBRAE e por consultorias especializadas em gestão empresarial confirmam o que muitos empresários já percebem no dia a dia: a ausência de governança corporativa clara é um catalisador poderoso para esses conflitos. Quando não há regras definidas, processos transparentes e canais de diálogo, o choque de visões entre jovens profissionais e veteranos tende a escalar rapidamente.

    Quem são as gerações em conflito?

    No ambiente corporativo atual, convivem principalmente quatro gerações. Os Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964) ainda ocupam posições de liderança em muitas empresas brasileiras, trazendo uma cultura de hierarquia rígida, lealdade institucional e preferência por resultados de longo prazo. Os profissionais da Geração X (1965, 1980) formam a espinha dorsal gerencial de boa parte das organizações, equilibrando tradição e adaptabilidade.

    Já os Millennials (1981, 1996) e a Geração Z (após 1997) chegaram ao mercado com expectativas radicalmente diferentes: valorizam propósito, flexibilidade, feedback contínuo e uso intensivo de tecnologia. Para esses profissionais, hierarquia rígida e processos manuais são sinais de ineficiência, não de seriedade.

    O resultado dessa equação é um campo de batalha silencioso que se manifesta em reuniões tensas, rotatividade elevada e queda de produtividade.

    Por que a falta de governança amplifica as tensões

    A governança corporativa, conjunto de regras, práticas e estruturas que orientam a gestão e o controle de uma empresa, é o principal antídoto para os conflitos geracionais. Quando uma organização tem papéis bem definidos, critérios claros de promoção e canais formais de comunicação, as diferenças de estilo deixam de ser ameaças e passam a ser ativos.

    O problema é que muitas empresas brasileiras, especialmente as de médio porte, ainda operam de forma patriarcal ou informal. As decisões são concentradas em uma ou duas pessoas, as regras mudam conforme o humor da liderança e o plano de sucessão inexiste. Nesse ambiente, os conflitos geracionais são inevitáveis.

    Segundo dados do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), apenas 30% das empresas familiares brasileiras chegam à terceira geração. Uma das causas centrais é justamente a incapacidade de gerir as diferenças internas, inclusive as geracionais.

    Impactos financeiros e operacionais

    Os conflitos entre gerações não são apenas uma questão de clima organizacional. Eles têm custo financeiro real e mensurável:

    • Rotatividade elevada: Substituir um profissional pode custar entre 50% e 200% do seu salário anual, segundo estimativas do SEBRAE.
    • Queda de produtividade: Times em conflito entregam menos e cometem mais erros.
    • Perda de conhecimento: Quando veteranos saem sem transferir seu know-how, a empresa perde ativos intangíveis valiosos.
    • Dificuldade de inovação: A resistência de gerações mais antigas a novas ferramentas pode bloquear a transformação digital necessária para a competitividade.

    Sinais de alerta que o empresário não pode ignorar

    Antes que o conflito tome proporções críticas, a empresa costuma emitir sinais. Fique atento a:

    • Alta rotatividade entre profissionais jovens;
    • Reclamações recorrentes sobre falta de autonomia ou reconhecimento;
    • Resistência aberta de lideranças mais antigas a projetos de modernização;
    • Silos de informação, cada geração “guarda” conhecimento para si;
    • Ausência de um plano de sucessão formalizado.

    Estratégias de governança para reduzir conflitos

    A boa notícia é que conflitos geracionais são gerenciáveis. Com as ferramentas certas de governança, é possível transformar a diversidade etária em vantagem competitiva.

    1. Mapeamento de perfis e competências

    O primeiro passo é conhecer profundamente o capital humano da empresa. Ferramentas de assessment ajudam a identificar forças e lacunas de cada profissional, independentemente da geração. Com esse mapeamento, é possível formar equipes complementares e equilibradas.

    2. Política clara de gestão de pessoas

    Critérios objetivos para contratação, promoção e desligamento reduzem a percepção de favoritismo, que é um dos maiores gatilhos de conflito. Documente e comunique esses critérios amplamente.

    3. Programas de mentoria reversa

    A mentoria reversa, em que profissionais mais jovens ensinam habilidades digitais a veteranos, cria pontes entre gerações e eleva o respeito mútuo. Ao mesmo tempo, a mentoria tradicional transfere o conhecimento estratégico dos mais experientes para os mais jovens.

    4. Canais de comunicação estruturados

    Reuniões regulares, pesquisas de clima e canais anônimos de feedback permitem que tensões sejam identificadas antes de escalar. A comunicação estruturada substitui o rumor e o conflito informal.

    5. Plano de sucessão formalizado

    Saber que há um caminho claro de crescimento reduz a ansiedade dos profissionais jovens e prepara a empresa para transições de liderança sem crises.

    O papel do contador e do advogado societário

    Muitas vezes, o conflito geracional em empresas familiares tem também uma dimensão jurídica e contábil. Disputas sobre participação societária, remuneração de sócios e distribuição de lucros frequentemente refletem tensões entre gerações de uma mesma família empresária.

    Por isso, contar com assessoria especializada em planejamento societário e governança corporativa é fundamental. Um bom contador e um advogado especializado podem ajudar a estruturar acordos de sócios, definir regras de entrada e saída de herdeiros e criar mecanismos de decisão que evitem impasses.

    Conclusão

    O conflito entre gerações é uma realidade presente em praticamente todas as empresas brasileiras. Ignorá-lo é uma escolha com custo alto. Mas encará-lo com governança, transparência e estrutura transforma o desafio em oportunidade de crescimento e fortalecimento institucional.

    Empresas que investem em gestão de pessoas integrada à governança corporativa têm equipes mais coesas, menor rotatividade e maior capacidade de adaptação às mudanças do mercado, justamente o que diferencia organizações que duram décadas daquelas que somem na segunda geração.

    Entre em contato com o Grupo BRA 360 e conte com especialistas em governança corporativa, planejamento societário e gestão estratégica para transformar conflitos em vantagens competitivas e garantir a longevidade do seu negócio.

    Perguntas frequentes

    Por que o conflito entre gerações afeta empresas brasileiras em 2026?

    Pesquisas do SEBRAE e consultorias especializadas em março de 2026 confirmam que a coexistência de Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z cria tensões crescentes, especialmente na ausência de governança corporativa clara. Quando não ha regras definidas, processos transparentes e canais de diálogo, o choque de visões entre jovens profissionais e veteranos tende a escalar rapidamente, comprometendo resultados e retendo talentos.

    Quais são os custos financeiros dos conflitos geracionais para as empresas?

    Segundo estimativas do SEBRAE, substituir um profissional pode custar entre 50% e 200% do seu salario anual. Além da rotatividade elevada, os conflitos geracionais causam queda de produtividade, perda de conhecimento quando veteranos saem sem transferir seu know-how e dificuldade de inovação quando lideranças mais antigas resistem a novas ferramentas e tecnologias necessarias para a competitividade da empresa.

    O que é governança corporativa e como ela reduz conflitos geracionais?

    Governança corporativa é o conjunto de regras, praticas e estruturas que orientam a gestão e o controle de uma empresa. Quando ha papeis bem definidos, critérios claros de promoção e canais formais de comunicação, as diferenças de estilo entre gerações deixam de ser ameaças e passam a ser ativos. Segundo dados do IBGC, apenas 30% das empresas familiares brasileiras chegam à terceira geração, e a incapacidade de gerir diferenças internas é uma causa central dessa estatistica.

    Quais sinais indicam que os conflitos geracionais estão escalando em uma empresa?

    Os principais sinais de alerta são: alta rotatividade entre profissionais jovens, reclamações recorrentes sobre falta de autonomia ou reconhecimento, resistência aberta de lideranças mais antigas a projetos de modernização, silos de informação em que cada geração guarda conhecimento para si e ausência de um plano de sucessão formalizado. Identificar esses sinais precocemente é fundamental para agir antes que o conflito tome proporções criticas.

    Quais estratégias de governança ajudam a reduzir os conflitos entre gerações nas empresas?

    Empresas que estruturam a governança com papeis bem definidos, critérios claros de promoção, canais formais de comunicação e um plano de sucessão formalizado conseguem transformar diferenças geracionais em ativos, em vez de ameaças. A ausência de plano de sucessão é especialmente critica em empresas familiares, onde a concentração de decisões em uma ou duas pessoas e regras informais amplificam as tensões entre colaboradores de épocas distintas.

    Por Junior Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Atua na estruturação contábil, tributária e societária de empresas que precisam crescer com segurança jurídica e fiscal.

    Sua empresa tem governança para gerenciar os conflitos entre gerações?

    A BRA 360 Jurídico oferece assessoria jurídica empresarial, trabalhista e de compliance integrada à operação contábil e fiscal.

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    Fonte: Portal Contábeis

  • Multinacional Investiga Fraude Contábil de R$ 8 Bi

    Multinacional Investiga Fraude Contábil de R$ 8 Bi

    Uma investigação interna em uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo acendeu um alerta. A japonesa Nidec revelou suspeitas de irregularidades contábeis que podem gerar um impacto bilionário em seus resultados.
    A companhia, que conta com presença no Brasil com uma fábrica de compressores em Santa Catarina, adquirida da Embraco em 2018, informou que as possíveis fraudes podem levar a uma baixa contábil estimada em até 250 bilhões de ienes, valor que em real ultrapassa a casa dos R$ 8 bilhões na cotação atual.
    Segundo as investigações, o caso envolve práticas de ‘’contabilidade inadequada’’ ligadas às pressões de bater metas de desempenho, especialmente de lucro operacional. A cobrança, segundo o documento, partia diretamente de Shigenobu Nagamori, fundador e ex-presidente da empresa, que pregava a crença de que prejuízos eram inaceitáveis. A situação está sendo analisada por um comitê independente criado em setembro de 2025 para investigar as operações da empresa.
    O relatório também cita que todos os casos de ‘’contabilidade inadequada’’  identificados pela investigação foram atos de má conduta cometidos para atingir metas de desempenho. Foi citado também que o Sr. Nagamori exerceu uma pressão considerável sobre os executivos da Nidec que eram responsáveis pelas unidades de negócios e subsidiárias, bem como sobre os diretores financeiros para atingir as metas de desempenho.
    Nagamori liderou a empresa desde sua abertura em 1973. Ele renunciou ao cargo de diretor executivo e presidente do conselho em dezembro de 2025.
    Essa baixa bilionária pode ter reflexos consideráveis nas demonstrações financeiras da companhia e na confiança do mercado. Casos de irregularidades contábeis costumam gerar pressões fortes de investidores e órgãos reguladores por transparência e mudanças nas políticas da empresa.
    O post Multinacional com fábricas no Brasil investiga fraude contábil que pode chegar a R$ 8 bilhões apareceu primeiro em Jornal Contábil – Independência e compromisso.

    Perguntas frequentes

    O que revelou a investigação de fraude contábil na Nidec?

    A japonesa Nidec, uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo, revelou suspeitas de irregularidades contabeis que podem gerar uma baixa contábil de até 250 bilhões de ienes, valor que ultrapassa R$ 8 bilhões na cotação atual. O caso envolve praticas de contabilidade inadequada ligadas a pressões para atingir metas de desempenho, especialmente de lucro operacional, segundo investigação conduzida por comitê independente criado em setembro de 2025.

    Qual foi o papel de Shigenobu Nagamori nas irregularidades contabeis da Nidec?

    Segundo o relatório do comitê independente, o fundador e ex-presidente Shigenobu Nagamori exerceu pressão consideravel sobre executivos responsaveis pelas unidades de negócio e subsidiarias, bem como sobre diretores financeiros, para atingir metas de desempenho. Nagamori pregava a crença de que prejuizos eram inaceitaveis. Ele renunciou ao cargo de diretor executivo e presidente do conselho em dezembro de 2025.

    Quais consequências uma fraude contábil bilionaria causa para uma empresa?

    Uma baixa bilionaria como a investigada na Nidec gera reflexos consideraveis nas demonstrações financeiras da companhia e na confiança do mercado. Casos de irregularidades contabeis costumam gerar pressões fortes de investidores e órgãos reguladores por transparência, mudanças nas politicas internas e governança da empresa. A Nidec tem presença no Brasil com uma fabrica de compressores em Santa Catarina, adquirida da Embraco em 2018.

    Como as pressões por metas de desempenho podem levar a contabilidade inadequada?

    O caso Nidec ilustra como a cobrança excessiva por resultados financeiros pode criar incentivos para praticas contabeis inadequadas. Quando a cultura organizacional estabelece que prejuizos são inaceitaveis e a pressão por metas é intensa, executivos podem manipular informações financeiras para aparentar cumprimento de objetivos. O comitê independente da Nidec identificou que todos os casos de irregularidade foram atos de ma conduta para atingir metas de desempenho.

    Por que empresas devem ter comitês independentes de investigação contábil?

    O caso Nidec mostra a importância de mecanismos independentes de auditoria e investigação. O comitê criado em setembro de 2025 foi capaz de identificar e documentar as irregularidades sem interferência da gestão que estava sob investigação. Para empresas de qualquer porte, contar com auditorias internas efetivas, canais de denúncia anonimos e politicas claras de governança reduz o risco de fraudes e protege a credibilidade das demonstrações financeiras.

    Por Junior Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Atua na estruturação contábil, tributária e societária de empresas que precisam crescer com segurança jurídica e fiscal.

    Sua empresa tem controles internos suficientes para prevenir fraudes contábeis?

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    Fonte: Jornal Contábil

  • LC 227: Multa de 1% na Declaração de Importação

    LC 227: Multa de 1% na Declaração de Importação

    A Lei Complementar 227/2026, segunda lei de regulamentação da reforma tributária, trouxe mudanças significativas na aplicação da tradicional multa de 1% sobre o valor da operação por erros na Declaração de Importação (DI). A nova legislação redefine o escopo da penalidade, alinhando-a ao novo sistema tributário baseado no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

    Para empresas que atuam no comércio exterior e profissionais de compliance aduaneiro, compreender essas alterações é essencial para evitar penalidades e adaptar os processos internos ao novo regime tributário.

    O que mudou com a LC 227/2026

    Antes da LC 227, a multa de 1% sobre o valor aduaneiro era aplicada de forma ampla a qualquer erro de classificação na Declaração de Importação. A nova legislação reduziu significativamente a amplitude de aplicação dessa penalidade, limitando-a a situações específicas.

    Casos em que a multa permanece aplicável

    A multa de 1% continua sendo aplicada quando houver declaração incompleta, imprecisa ou errônea nos seguintes dados:

    • Identificação dos responsáveis: Dados do importador, exportador e demais intervenientes
    • Destinação econômica: Finalidade do bem ou serviço importado
    • País de origem, procedência e aquisição: Informações sobre a cadeia logística internacional
    • Características essenciais do produto: Especificações técnicas que impactam a classificação fiscal

    Novo regime de infrações informacionais

    A LC 227 introduziu um regime mais estruturado de penalidades. O artigo 341-G, inciso XIX, da nova legislação estabelece que a omissão ou prestação inexata de informações em operações de importação ou exportação será punida com multa de 100 UPF por informação, com limite mínimo de 50 UPF e teto de 1% do valor total da operação por documento fiscal.

    Essa abordagem é mais proporcional que o regime anterior, pois vincula a penalidade à quantidade de informações incorretas, em vez de aplicar automaticamente 1% sobre o valor total da operação.

    Impacto da reforma tributária no comércio exterior

    A reforma tributária está transformando profundamente a tributação do comércio exterior brasileiro. O novo modelo, baseado em IBS e CBS, substitui diversos tributos que incidiam sobre importações, como PIS-Importação, COFINS-Importação, IPI e ICMS.

    Fase de transição

    A suspensão temporária da multa de 1% em determinados cenários decorre da ausência de regulamentação infralegal para o IBS e a CBS. O Fisco e o Comitê Gestor do IBS estão elaborando os regulamentos que detalharão a cobrança dessas penalidades no novo sistema.

    Esse período de transição representa tanto uma oportunidade quanto um risco para os importadores:

    • Oportunidade: Tempo para adaptar sistemas e processos ao novo regime
    • Risco: Incerteza regulatória que pode gerar interpretações divergentes

    UPF como unidade de referência

    A adoção da Unidade Padrão Fiscal (UPF) como base para cálculo das multas é uma inovação relevante. Diferentemente do percentual fixo sobre o valor da operação, o sistema baseado em UPF permite:

    • Maior proporcionalidade entre a infração e a penalidade
    • Atualização automática dos valores das multas pela correção monetária
    • Previsibilidade para o contribuinte no planejamento de custos de conformidade

    O que as empresas importadoras devem fazer

    Diante das mudanças introduzidas pela LC 227, as empresas que operam no comércio exterior devem adotar medidas proativas:

    1. Revisar procedimentos de classificação fiscal

    A classificação correta de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é fundamental. Erros de classificação podem gerar não apenas multas, mas também diferenças de alíquotas que impactam significativamente o custo da importação.

    2. Atualizar sistemas de compliance aduaneiro

    Os sistemas de gestão de comércio exterior devem ser atualizados para refletir as novas regras de tributação e penalidades. Isso inclui parametrização de validações automáticas e alertas para inconsistências nas declarações.

    3. Capacitar equipes

    Os profissionais envolvidos no despacho aduaneiro devem ser treinados sobre as mudanças introduzidas pela LC 227, incluindo os novos critérios de aplicação de multas e as obrigações acessórias relacionadas ao IBS e à CBS.

    4. Monitorar a regulamentação

    É fundamental acompanhar a publicação dos regulamentos do IBS e da CBS, que trarão detalhamentos sobre a aplicação das penalidades no novo sistema. O split payment e outras inovações da reforma tributária também impactarão as operações de importação.

    Compliance aduaneiro como estratégia

    O compliance aduaneiro deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar uma estratégia competitiva. Empresas com programas robustos de conformidade aduaneira se beneficiam de:

    • Menor risco de autuações e multas
    • Agilidade no desembaraço aduaneiro
    • Elegibilidade para programas de operador econômico autorizado (OEA)
    • Redução de custos operacionais pela otimização de processos
    • Maior previsibilidade no planejamento financeiro das importações

    Perspectivas para o comércio exterior

    A reforma tributária, apesar da complexidade inicial de transição, promete simplificar a tributação do comércio exterior no médio prazo. A unificação de tributos em IBS e CBS tende a reduzir a burocracia e os custos de conformidade, desde que a regulamentação infralegal seja clara e consistente.

    Os contribuintes devem ficar atentos ao que virá nos regulamentos do IBS e da CBS, que provavelmente trarão mais detalhes sobre a futura cobrança da multa de 1% e outros aspectos penais do novo sistema.

    Considerações finais

    A LC 227/2026 representa um avanço ao tornar a aplicação de multas por erros na Declaração de Importação mais proporcional e específica. Entretanto, o período de transição exige atenção redobrada dos importadores, que devem investir em compliance aduaneiro e acompanhar de perto a evolução regulatória.

    O Grupo BRA 360 oferece assessoria especializada em comércio exterior, compliance aduaneiro e planejamento tributário. Se sua empresa precisa se adequar às mudanças da reforma tributária, conte com nossa equipe de especialistas para uma transição segura e eficiente.

    Fonte original: Contábeis, LC 227: entenda como fica a multa de 1% por erro na Declaração de Importação

    Perguntas frequentes

    O que muda na multa de 1% da Declaração de Importação com a LC 227/2026?

    A LC 227/2026 reduziu significativamente a amplitude de aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro em erros na Declaração de Importação. Antes, ela era aplicada de forma ampla a qualquer erro de classificação. Agora, a penalidade ficou limitada a situações especificas, como dados incorretos sobre o importador, destinação econômica do bem, pais de origem e caracteristicas essenciais do produto.

    Como funciona o novo regime de infrações informacionais da LC 227/2026?

    O artigo 341-G, inciso XIX, da LC 227 estabelece que a omissão ou prestação inexata de informações em operações de importação ou exportação será punida com multa de 100 UPF por informação, com limite minimo de 50 UPF e teto de 1% do valor total da operação por documento fiscal. Esse modelo é mais proporcional que o anterior, pois vincula a penalidade à quantidade de informações incorretas, não ao valor total da operação.

    O que é a Unidade Padrão Fiscal (UPF) usada para calcular multas aduaneiras?

    A UPF (Unidade Padrão Fiscal) é uma unidade de referência adotada pela LC 227 como base para o cálculo de multas em substituição ao percentual fixo sobre o valor da operação. O sistema baseado em UPF permite maior proporcionalidade entre a infração e a penalidade, atualização automatica dos valores pela correção monetaria e maior previsibilidade para o contribuinte no planejamento dos custos de conformidade aduaneira.

    Como a Reforma Tributaria está transformando a tributação do comércio exterior?

    O novo modelo tributario baseado em IBS e CBS substitui tributos que antes incidiam sobre importações, como PIS-Importação, COFINS-Importação, IPI e ICMS. O Fisco e o Comitê Gestor do IBS ainda estão elaborando regulamentos que detalharão a cobrança dessas penalidades no novo sistema, criando um período de transição com incerteza regulatoria que representa tanto oportunidade (tempo para adaptar processos) quanto risco (interpretações divergentes).

    Quais medidas as empresas importadoras devem adotar diante das mudanças da LC 227?

    As empresas importadoras devem: revisar os procedimentos de classificação fiscal de mercadorias na NCM, pois erros impactam aliquotas e podem gerar multas; atualizar sistemas de gestão de comércio exterior para refletir as novas regras de tributação e penalidades; e capacitar equipes para o novo contexto regulatorio. A adaptação proativa reduz o risco de inconsistências nas declarações durante o período de transição do IBS e CBS.

    Por Junior Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Atua na estruturação contábil, tributária e societária de empresas que precisam crescer com segurança jurídica e fiscal.

    Sua empresa importa mercadorias? Entenda como a LC 227 muda as penalidades.

    A BRA 360 Consultoria estrutura a estratégia tributária e financeira da sua empresa, modelando os impactos da legislação sobre a realidade da sua operação.

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  • Tensão entre Irã e EUA pode afetar tributos

    Tensão entre Irã e EUA pode afetar tributos

    A tensão entre Irã e EUA pode afetar tributos e custos operacionais de empresas brasileiras de formas que, à primeira vista, podem parecer distantes da realidade nacional. Mas o Brasil é uma economia profundamente integrada ao mercado global, e instabilidades geopolíticas no Oriente Médio têm reflexos diretos sobre o dólar, os combustíveis, os insumos importados e, consequentemente, sobre a carga tributária e o planejamento financeiro das empresas.

    Em março de 2026, com os conflitos diplomáticos entre Teerã e Washington em novo patamar de tensão, é hora de empresários e contadores brasileiros entenderem os mecanismos de transmissão dessa crise para a realidade fiscal e tributária do Brasil.

    O canal do dólar: como a geopolítica chega ao caixa das empresas

    O primeiro e mais direto canal de impacto é a taxa de câmbio. Crises geopolíticas no Oriente Médio historicamente provocam aversão ao risco nos mercados globais, o que fortalece o dólar americano frente a moedas emergentes como o real brasileiro.

    Um dólar mais caro tem consequências tributárias concretas para as empresas brasileiras:

    • Importações mais caras: A base de cálculo do II (Imposto de Importação), IPI, PIS/COFINS e ICMS nas importações é expressa em dólar. Com a moeda americana mais alta, o tributo calculado sobre o valor aduaneiro aumenta automaticamente, sem qualquer mudança na legislação.
    • Dívidas em dólar: Empresas com contratos, leasing ou financiamentos atrelados ao câmbio veem seus custos disparar. Essa variação cambial pode gerar ganhos ou perdas cambiais com impacto no IRPJ e na CSLL.
    • Preços de transferência: Empresas com operações internacionais precisam monitorar as regras de preços de transferência da Receita Federal, especialmente após as mudanças introduzidas pela Lei nº 14.596/2023, que alinhou o Brasil às diretrizes da OCDE.

    O canal dos combustíveis: reflexo nos custos e na tributação

    O Irã é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Qualquer escalada no conflito com os EUA pode provocar restrições ao fornecimento global de petróleo, elevando o preço do barril e, consequentemente, o preço dos combustíveis no Brasil.

    Para as empresas, isso significa:

    • Aumento do custo operacional em setores como logística, transporte, agronegócio e indústria;
    • Pressão inflacionária que pode levar o governo federal a revisar alíquotas de CIDE-Combustíveis e PIS/COFINS sobre derivados de petróleo, tributos que têm impacto direto no preço ao consumidor final e nos custos das empresas;
    • Impacto no ICMS: Embora o ICMS sobre combustíveis tenha sido objeto de mudanças recentes (via PEC dos combustíveis), elevações de preço ainda afetam o planejamento tributário de distribuidoras e revendedoras.

    Impactos sobre importadores e exportadores

    Empresas que importam insumos ou exportam produtos também sentem o impacto de forma diferenciada:

    Para importadores

    A elevação do câmbio aumenta a base de cálculo dos tributos incidentes nas importações. Além disso, pode haver pressão por antidumping ou outras medidas protecionistas que alterem alíquotas de importação em setores específicos, impactando o planejamento tributário.

    Para exportadores

    O dólar alto beneficia receitas em moeda estrangeira, mas também exige atenção ao tratamento tributário das variações cambiais. O ganho cambial de exportações pode impactar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, dependendo do regime tributário adotado.

    Atenção ao regime tributário e ao planejamento de caixa

    Empresas no Lucro Presumido e no Lucro Real serão afetadas de formas distintas pela instabilidade cambial e pelos choques de preços:

    • No Lucro Real, as variações cambiais e os ajustes de preços impactam diretamente o lucro tributável, exigindo acompanhamento contábil rigoroso e provisões adequadas;
    • No Lucro Presumido, o impacto é mais indireto, mas pode comprometer o fluxo de caixa se os custos subirem mais rápido do que a receita;
    • Empresas do Simples Nacional devem monitorar o faturamento, pois o aumento de preços pode elevar a receita bruta e, dependendo do setor, provocar um salto de faixa com aumento da alíquota efetiva.

    O que fazer agora: medidas práticas para empresários

    Diante desse cenário, alguns passos práticos podem proteger sua empresa:

    • Revisão do fluxo de caixa: Projete cenários com dólar 10% e 20% acima do patamar atual para avaliar o impacto nos custos e no caixa;
    • Hedge cambial: Se você tem dívidas ou contratos em dólar, avalie instrumentos de proteção cambial com seu banco ou corretora;
    • Revisão dos contratos de fornecimento: Verifique se seus contratos com fornecedores têm cláusulas de reajuste atreladas ao câmbio ou ao petróleo;
    • Planejamento tributário preventivo: Antecipe com seu contador os impactos fiscais das variações cambiais no IRPJ, CSLL e PIS/COFINS;
    • Monitoramento de normas da RFB: A Receita Federal pode editar instruções normativas em resposta a choques econômicos globais, fique atento.

    Perspectiva para março de 2026

    O cenário geopolítico global reforça a necessidade de empresas brasileiras manterem uma gestão tributária e financeira ativa, não reativa. As tensões no Oriente Médio são apenas um dos vetores de instabilidade; há também a questão das tarifas comerciais entre EUA e China, a transição energética e as reformas tributárias domésticas em andamento.

    Ter um parceiro estratégico que entenda tanto o ambiente macroeconômico quanto as nuances da legislação tributária brasileira é um diferencial competitivo real.

    Entre em contato com o Grupo BRA 360 e conte com especialistas em planejamento tributário internacional, gestão cambial e compliance fiscal para proteger sua empresa dos impactos de crises geopolíticas e garantir segurança jurídica e financeira em cenários de incerteza.

    Perguntas frequentes

    Como a tensão entre Irã e EUA pode afetar os tributos pagos por empresas brasileiras?

    A tensão geopolítica provoca aversão ao risco nos mercados, fortalecendo o dólar frente ao real. Um dólar mais caro aumenta automaticamente a base de cálculo do II (Imposto de Importação), IPI, PIS/COFINS e ICMS nas importações, pois esses tributos são expressos em dólar. Isso representa aumento de carga tributária sem qualquer mudança na legislação.

    De que forma a alta do petróleo causada por conflitos no Oriente Médio afeta as empresas?

    O Irã é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Qualquer escalada no conflito pode elevar o preço do barril e, consequentemente, os combustíveis no Brasil, aumentando custos operacionais em setores como logística, transporte e agronegócio. Também pode levar o governo a revisar alíquotas de CIDE-Combustíveis e PIS/COFINS sobre derivados de petróleo.

    Como o câmbio alto afeta empresas com dívidas ou contratos em dólar?

    Empresas com contratos, leasing ou financiamentos atrelados ao câmbio veem seus custos disparar com o dólar valorizado. Essa variação cambial pode gerar ganhos ou perdas cambiais com impacto direto no IRPJ e na CSLL, exigindo monitoramento contábil rigoroso e provisões adequadas, especialmente para quem está no Lucro Real.

    Como as regras de preços de transferência impactam empresas com operações internacionais nesse cenário?

    Empresas com operações internacionais devem monitorar as regras de preços de transferência da Receita Federal, especialmente após as mudanças introduzidas pela Lei nº 14.596/2023, que alinhou o Brasil às diretrizes da OCDE. Em cenários de câmbio instável, as transações entre partes relacionadas precisam ser verificadas com mais frequência para garantir conformidade fiscal.

    Qual é o impacto para exportadores brasileiros em cenários de dólar alto?

    O dólar alto beneficia receitas de exportadores em moeda estrangeira, mas exige atenção ao tratamento tributário das variações cambiais. O ganho cambial de exportações pode impactar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, dependendo do regime tributário adotado. Empresas do Simples Nacional devem monitorar o faturamento, pois o aumento de preços pode elevar a receita bruta.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

    Sua empresa está preparada para a instabilidade cambial e seus reflexos tributários?

    A BRA 360 Consultoria estrutura a estratégia tributária e financeira da sua empresa, modelando os impactos da legislação sobre a realidade da sua operação.

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    Fonte: Portal Contábeis

  • MEI: Pix Pessoa Física na Mira da Receita

    MEI: Pix Pessoa Física na Mira da Receita

    Por um tempo muitos Microempreendedores Individuais (MEIs) acreditaram na falácia de que, mantendo apenas o controle do que entrava na conta da empresa, estariam protegidos de qualquer tipo de penalidade. O que entrasse na conta da pessoa física, vindo do mesmo trabalho, passaria por ‘’debaixo dos panos’’. Porém isso mudou e de forma definitiva.
    Com as novas mudanças na legislação tributária, especialmente após a Lei Complementar nº 214/2025 e a Resolução CGSN nº 183/2025, a Receita Federal passou a adotar um conceito mais amplo e rigoroso de receita. Basicamente todo dinheiro ligado à atividade do MEI conta como faturamento, independente de qual conta ele entrou.
    Isso mostra que a Receita Federal não olha mais apenas para o CNPJ. Ela também observa a conta da pessoa física do titular quando há ligação com a mesma atividade econômica.
    Um exemplo simples para elucidar. Imagine que um MEI faturou R$ 45 mil no ano emitindo notas fiscais pelo CNPJ. Ao mesmo tempo que na sua conta física recebeu mais de R$ 40 mil prestando o mesmo tipo de serviço. Mesmo que o dinheiro não tenha passado pela conta da empresa a Receita pode somar os valores assim ultrapassando o limite de faturamento do MEI.
    Outro exemplo comum: o MEI emite notas fiscais de R$ 40 mil, mas recebe mais R$ 60 mil sem nota via pix, diretamente na conta da pessoa física. Com o cruzamento de dados bancários, fiscais e eletrônicos, a Receita consegue identificar a origem desse dinheiro e tratá-lo como receita da atividade.
    Com isso, não existe mais separação prática entre o dinheiro do MEI e o da pessoa física quando ambos vêm do mesmo trabalho.
    Os riscos da omissão de receita
    Outra coisa que você deve se atentar é a chamada omissão de receitas. Todo o dinheiro que entrar na conta da empresa tem que ser declarado: Pix, cartões de crédito e débito, maquininhas, depósito identificados e transferências bancárias.A Receita Federal tem como objetivo claro reduzir drasticamente a sonegação fiscal. A Receita já conta com fiscalização efetiva sobre Pix, maquininhas e movimentações bancárias. Apenas o dinheiro físico ainda não possui rastreamento automático e mesmo assim, diferenças entre movimentações financeira e faturamento declarado podem levar o contribuinte à malha fiscal.
    E as consequências são pesadas: multas altas, cobrança retroativa de impostos, exclusão do MEI ou do Simples Nacional e, em casos mais graves, autuações por sonegação.
    O post MEI, seu pix como pessoa física agora pode ser alvo da Receita apareceu primeiro em Jornal Contábil – Independência e compromisso.

    Perguntas frequentes

    A Receita Federal pode incluir o Pix da conta pessoal do MEI como faturamento da empresa?

    Sim. Com a Lei Complementar nº 214/2025 e a Resolução CGSN nº 183/2025, a Receita Federal passou a adotar um conceito mais amplo de receita. Todo dinheiro ligado à atividade do MEI conta como faturamento, independentemente de qual conta recebeu. A Receita cruza dados bancários, fiscais e eletrônicos para identificar a origem dos valores.

    O que é omissão de receita e quais são as consequências para o MEI?

    Omissão de receita ocorre quando o MEI não declara todos os valores recebidos, como Pix, cartões, maquininhas, depósitos e transferências bancárias. As consequências incluem multas elevadas, cobrança retroativa de impostos, exclusão do MEI ou do Simples Nacional e, em casos mais graves, autuações por sonegação fiscal.

    Se um MEI recebe valores pelo CNPJ e pela conta pessoal, como a Receita calcula o faturamento?

    A Receita soma os valores de ambas as contas quando os recebimentos estão ligados à mesma atividade econômica. Por exemplo, se o MEI fatura R$ 45 mil pelo CNPJ e recebe mais R$ 40 mil na conta pessoal pela mesma atividade, a Receita pode somar os valores, ultrapassando o limite de faturamento permitido para a categoria MEI.

    Quais formas de pagamento a Receita Federal já consegue rastrear automaticamente?

    A Receita Federal já possui fiscalização efetiva sobre Pix, maquininhas de cartão, cartões de crédito e débito, depósitos identificados e transferências bancárias. Apenas o dinheiro físico ainda não tem rastreamento automático, mas diferenças entre movimentações financeiras e faturamento declarado podem levar o contribuinte à malha fiscal.

    Quais mudanças legais ampliaram o conceito de receita para o MEI?

    A Lei Complementar nº 214/2025 e a Resolução CGSN nº 183/2025 foram as normas que formalizaram a mudança. Com elas, a separação prática entre o dinheiro do MEI e o da pessoa física deixou de existir quando ambos provêm da mesma atividade, eliminando a possibilidade de usar a conta pessoal para receber sem que os valores entrem no cômputo do faturamento.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

    Seu MEI está em dia com as novas regras da Receita Federal sobre faturamento?

    A BRA 360 Consultoria estrutura a estratégia tributária e financeira da sua empresa, modelando os impactos da legislação sobre a realidade da sua operação.

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    Fonte: Portal Contábeis

  • Sou obrigado a trabalhar nos domingos e feriados?

    Sou obrigado a trabalhar nos domingos e feriados?

    Normalmente, quando pensamos na nossa jornada de trabalho, imaginamos uma escala de segunda a sexta-feira ou, em alguns casos, de segunda a sábado. No entanto, é cada vez mais comum vermos empresas exigindo que seus funcionários trabalhem aos domingos e feriados. Diante dessa realidade, surge a dúvida: o trabalhador é realmente obrigado a trabalhar nesses dias?
    Ele pode se recusar a cumprir a jornada aos domingos e feriados?
    Neste texto, vamos apresentar em quais situações a empresa pode exigir o trabalho nesses períodos e quais são os direitos do empregado previstos na lei.
    Posso ser obrigado?
    A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) estabelece em seu artigo 67 que todo empregado tem direito a um descanso semanal remunerado de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos. Porém, existem exceções previstas na legislação para atividades que não podem ser interrompidas.
    O artigo 68 da CLT permite o trabalho aos domingos mediante autorização prévia da autoridade competente. Para o comércio, a lei 10.101/00 regulamenta a possibilidade de trabalho aos domingos, desde que respeitadas as normas coletivas da categoria.
    Já com relação aos feriados, a lei 605/1949 determina que o trabalho nesses dias é proibido, salvo em casos de atividades indispensáveis ou quando autorizado por convenção coletiva.
    Sim, a empresa pode exigir trabalho aos domingos e feriados, mas apenas  em casos em que houver previsão no acordo ou convenção coletiva. Além disso, é obrigatório conceder folga compensatória em outro dia da semana. Caso o trabalhador não receba essa folga, deve ser pago um adicional do dobro do valor do dia trabalhado, conforme o art. 9 da lei 605/1949.
    Se não houver previsão no acordo ou convenção coletiva, o trabalhador pode sim recusar o trabalho aos domingos e feriados sem sofrer punições. Qualquer outra forma de intimidação ou retaliação por parte do empregador é considerada ilegal.
    Quais são meus direitos se eu trabalhar nos domingos e feriados?
    Os direitos do trabalhador nesses dias incluem:
    Folga compensatória: Se o trabalhador atuar no domingo ou feriado, ele deve receber folga em outro dia da semana.
    Acordo coletivo: Qualquer exigência de trabalho nesses dias precisa estar amparada por acordo ou convenção coletiva.
    Adicional de 100%: Caso não receba a folga compensatória, o pagamento do dia trabalhado deve ser feito em dobro.
    Se não houver previsão no acordo ou convenção coletiva, o trabalhador pode sim recusar o trabalho aos domingos e feriados sem sofrer punições. Qualquer outra forma de intimidação ou retaliação por parte do empregador é considerada ilegal.
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    Perguntas frequentes

    A empresa pode exigir que o funcionário trabalhe aos domingos?

    Sim, mas apenas quando houver previsão em acordo ou convenção coletiva. A CLT, em seu artigo 67, garante ao empregado descanso semanal remunerado de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos. Para o comércio, a Lei 10.101/2000 regulamenta o trabalho dominical desde que respeitadas as normas coletivas da categoria.

    O trabalhador pode se recusar a trabalhar nos feriados sem sofrer punição?

    Sim. Se não houver previsão em acordo ou convenção coletiva, o trabalhador pode recusar o trabalho aos domingos e feriados sem sofrer punições. A Lei 605/1949 determina que o trabalho em feriados é proibido, salvo em casos de atividades indispensáveis ou quando autorizado por convenção coletiva. Qualquer retaliação pelo empregador é considerada ilegal.

    Qual é o adicional pago ao trabalhador que trabalha no domingo ou feriado sem receber folga?

    Caso o trabalhador atue em domingo ou feriado e não receba folga compensatória em outro dia da semana, o pagamento do dia trabalhado deve ser feito em dobro, conforme o artigo 9 da Lei 605/1949. A folga compensatória é obrigação do empregador e deve ser concedida preferencialmente na mesma semana.

    Quais são os direitos garantidos a quem trabalha nos domingos e feriados?

    Os direitos incluem: folga compensatória em outro dia da semana quando houver trabalho dominical ou em feriados; amparo em acordo ou convenção coletiva para qualquer exigência nesses dias; e adicional de 100% no valor do dia trabalhado caso a folga compensatória não seja concedida.

    Quando a empresa pode exigir trabalho em feriados sem convenção coletiva?

    Mesmo sem convenção coletiva, o trabalho em feriados é permitido para atividades consideradas indispensáveis, conforme prevê a Lei 605/1949. São exemplos os serviços essenciais como hospitais, segurança, energia elétrica e abastecimento de água, cujas operações não podem ser interrompidas independentemente do calendário.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

    Você sabe quais são os direitos do trabalhador em domingos e feriados?

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  • Processos Trabalhistas Batem Recorde de R$ 50 Bi

    Processos Trabalhistas Batem Recorde de R$ 50 Bi

    As empresas brasileiras desembolsaram R$ 50,7 bilhões em ações trabalhistas em 2025, marcando a primeira vez na história em que os pagamentos superaram a marca de R$ 50 bilhões em um único ano. Foram apresentadas 2,3 milhões de novas ações nas varas do trabalho, uma alta de 8,7% em relação ao ano anterior. Os números revelam um cenário preocupante para o setor empresarial e reforçam a urgência de investir em compliance trabalhista e gestão preventiva de riscos.

    Para profissionais contábeis e gestores financeiros, esse recorde impacta diretamente as provisões para contingências, o planejamento orçamentário e a saúde financeira das organizações.

    Os números recordes de 2025

    Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) revelam a dimensão do problema:

    • R$ 50,7 bilhões desembolsados em ações trabalhistas, recorde histórico
    • 2,3 milhões de novas ações ajuizadas nas varas do trabalho
    • Alta de 8,7% no número de novos processos em relação ao ano anterior
    • Taxa de conciliação caiu para 20,9%, ante 26% em 2021
    • Aumento de 57% em pedidos de reconhecimento de vínculo empregatício por pejotização

    Principais causas do crescimento

    Diversos fatores contribuíram para o aumento expressivo dos processos trabalhistas no Brasil:

    1. Ampliação do acesso à justiça gratuita

    Uma mudança nas regras do TST passou a permitir que a solicitação de justiça gratuita fosse feita por autodeclaração de insuficiência financeira, sem necessidade de comprovação imediata. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou dois trechos da reforma trabalhista de 2017, consolidando a gratuidade como direito constitucional dos empregados.

    Com a eliminação do risco financeiro de sucumbência, mais trabalhadores se sentiram encorajados a ingressar com ações judiciais, mesmo em casos com menor probabilidade de êxito.

    2. Crescimento da pejotização

    Os pedidos de reconhecimento de vínculo empregatício relacionados à chamada pejotização, contratação de trabalhadores como pessoa jurídica para mascarar relação de emprego, cresceram 57% em 2025. Esse fenômeno atinge setores como tecnologia, saúde, transporte por aplicativo e serviços profissionais.

    3. Questões de saúde ocupacional

    O aumento de diagnósticos de burnout, ansiedade e depressão relacionados ao trabalho tem gerado demandas por indenizações e reconhecimento de doenças ocupacionais. A pandemia acelerou essa tendência, que continua impactando os tribunais.

    4. Novas formas de trabalho

    O trabalho remoto, híbrido e por plataformas digitais gerou novas categorias de litígios trabalhistas, incluindo questões sobre controle de jornada, fornecimento de equipamentos e ergonomia no home office.

    Impacto financeiro nas empresas

    O crescimento dos passivos trabalhistas afeta diretamente a saúde financeira das organizações de diversas formas:

    Provisões contábeis

    As normas contábeis (CPC 25 / IAS 37) exigem que as empresas constituam provisões para contingências trabalhistas classificadas como prováveis. Com o aumento do volume e dos valores envolvidos, essas provisões podem comprometer significativamente o resultado operacional.

    Para profissionais de contabilidade estratégica, a gestão adequada dessas provisões é fundamental para garantir a transparência e a confiabilidade das demonstrações financeiras.

    Queda nas conciliações

    A proporção de processos resolvidos por conciliação caiu de 26% em 2021 para apenas 20,9% em 2025. Com a gratuidade da justiça, menos trabalhadores têm incentivo para aceitar acordos rápidos, preferindo aguardar o julgamento completo da ação. Para as empresas, isso significa processos mais longos e custos mais elevados.

    Estratégias de prevenção

    Investir em prevenção é significativamente mais econômico do que lidar com passivos trabalhistas. As empresas devem adotar uma abordagem proativa:

    Compliance trabalhista robusto

    • Auditoria trabalhista periódica: Revisão sistemática de contratos, folha de pagamento, jornada e benefícios
    • Políticas internas claras: Regulamento interno, código de conduta e procedimentos disciplinares documentados
    • Canal de denúncias: Sistema acessível para que colaboradores reportem irregularidades
    • Gestão de jornada: Controle efetivo de ponto, horas extras e banco de horas

    Gestão de contratos

    É fundamental revisar a forma de contratação de prestadores de serviço para evitar a caracterização de pejotização. Os requisitos de pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade devem ser cuidadosamente analisados para distinguir uma prestação de serviços legítima de uma relação de emprego disfarçada.

    Investimento em saúde e segurança

    Programas efetivos de saúde ocupacional, prevenção de acidentes e promoção do bem-estar reduzem significativamente o risco de ações trabalhistas relacionadas a doenças ocupacionais e acidentes de trabalho.

    O papel da tecnologia na prevenção

    A inteligência artificial e a tecnologia podem ser aliadas poderosas na prevenção de passivos trabalhistas:

    • Sistemas de gestão de RH: Automatização do controle de jornada, férias e benefícios
    • Analytics preditivo: Identificação de padrões que indicam risco de litígio
    • Plataformas de compliance: Monitoramento automatizado do cumprimento de obrigações trabalhistas
    • Gestão documental: Digitalização e organização de documentos trabalhistas para facilitar a defesa em eventuais ações

    Planejamento financeiro para contingências

    As empresas devem incorporar a gestão de riscos trabalhistas ao seu planejamento patrimonial e financeiro:

    1. Mapear e classificar contingências trabalhistas (provável, possível, remota)
    2. Constituir provisões adequadas conforme normas contábeis
    3. Estabelecer política clara de acordos judiciais
    4. Monitorar a evolução dos processos e atualizar provisões periodicamente
    5. Incluir riscos trabalhistas nas análises de viabilidade de novos projetos

    Considerações finais

    O recorde de R$ 50,7 bilhões em processos trabalhistas em 2025 é um sinal de alerta para o setor empresarial brasileiro. A combinação de maior acesso à justiça, novas formas de trabalho e crescimento da pejotização exige que as empresas invistam em prevenção, compliance e gestão estratégica de riscos trabalhistas.

    O Grupo BRA 360 oferece consultoria especializada em compliance trabalhista, gestão de riscos e planejamento empresarial. Nossa equipe pode ajudar sua empresa a implementar políticas preventivas eficazes e reduzir a exposição a passivos trabalhistas. Entre em contato para uma avaliação personalizada.

    Fonte original: Contábeis, Processos trabalhistas crescem no país e empresas desembolsam maior valor já registrado

    Perguntas frequentes

    Qual foi o recorde de gastos com processos trabalhistas no Brasil em 2025?

    Em 2025, as empresas brasileiras desembolsaram R$ 50,7 bilhões em ações trabalhistas, a primeira vez na história que os pagamentos superaram R$ 50 bilhões em um único ano. Foram apresentadas 2,3 milhões de novas ações nas varas do trabalho, uma alta de 8,7% em relação ao ano anterior, segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho.

    Por que os pedidos de reconhecimento de vínculo empregatício por pejotização cresceram?

    Os pedidos relacionados à pejotização, contratação de trabalhadores como pessoa jurídica para mascarar relação de emprego, cresceram 57% em 2025. O fenômeno atinge setores como tecnologia, saúde, transporte por aplicativo e serviços profissionais, impulsionado por mudanças nas regras de gratuidade da justiça que reduziram o risco financeiro para os trabalhadores.

    Como as provisões para contingências trabalhistas devem ser registradas contabilmente?

    As normas contábeis CPC 25 e IAS 37 exigem que empresas constituam provisões para contingências trabalhistas classificadas como prováveis. Com o aumento do volume e dos valores envolvidos, essas provisões podem comprometer significativamente o resultado operacional, tornando a gestão adequada dessas provisões essencial para a transparência das demonstrações financeiras.

    O que explica a queda na taxa de conciliação trabalhista?

    A taxa de conciliação caiu de 26% em 2021 para 20,9% em 2025. A principal razão é a ampliação do acesso à justiça gratuita, que passou a ser obtida por autodeclaração de insuficiência financeira, sem comprovação imediata, reduzindo o risco financeiro do trabalhador e tornando os acordos rápidos menos atrativos.

    Quais medidas preventivas as empresas podem adotar para reduzir passivos trabalhistas?

    As empresas devem investir em compliance trabalhista com auditoria periódica de contratos, folha e jornada; criação de políticas internas claras com regulamento e código de conduta; treinamento de gestores; adequação das relações com prestadores de serviço para evitar reconhecimento de vínculo; e monitoramento de questões de saúde ocupacional como burnout e doenças relacionadas ao trabalho.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

    Sua empresa tem passivos trabalhistas ocultos que podem virar processos?

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  • Tarifa Zero avança e pode mudar vale-transporte

    Tarifa Zero avança e pode mudar vale-transporte

    O projeto de tarifa zero avança no debate político e legislativo brasileiro em 2026, e com ele cresce a expectativa de mudanças significativas nas regras do vale-transporte para empresas. O tema, que ganhou força em diversas capitais brasileiras e está sendo discutido em âmbito federal, pode transformar uma das obrigações trabalhistas mais antigas do país, com impactos diretos sobre o planejamento financeiro e a gestão de folha de pagamento das organizações.

    Para empresários e departamentos de pessoal, entender o que está em jogo é essencial. Afinal, o vale-transporte representa um custo relevante da folha e tem regras específicas de custeio compartilhado entre empresa e empregado.

    O que é e como funciona o vale-transporte hoje

    O vale-transporte foi instituído pela Lei nº 7.418/1985 e é regulamentado pelo Decreto nº 95.247/1987. Pela legislação vigente, o empregador é obrigado a antecipar ao trabalhador os valores necessários para cobrir despesas de deslocamento entre residência e trabalho, utilizando transporte coletivo público.

    O custo é dividido da seguinte forma:

    • O empregado contribui com até 6% do seu salário básico;
    • O empregador arca com o restante do custo do deslocamento;
    • A parcela paga pelo empregador é dedutível como despesa operacional para fins de IRPJ (no Lucro Real), mas não integra o salário para fins previdenciários e trabalhistas.

    Para muitas empresas, especialmente as que empregam trabalhadores de baixa renda em grandes centros urbanos, o vale-transporte representa um custo mensal significativo.

    O que propõe a tarifa zero

    O movimento pela tarifa zero no transporte público urbano defende a gratuidade total das passagens de ônibus, metrô e outros modais de transporte coletivo, financiada pelo poder público por meio de fundos específicos, impostos sobre combustíveis ou transferências da União.

    Em cidades onde o projeto já avança, como em algumas capitais e municípios do interior, a gratuidade tem sido implementada de forma gradual, por faixas etárias, horários ou linhas específicas.

    No âmbito federal, o debate inclui a criação de um fundo nacional de mobilidade urbana que financiaria a tarifa zero em municípios que aderirem ao programa, com contrapartidas de gestão e eficiência do sistema de transporte.

    Impactos diretos sobre as empresas e o vale-transporte

    Se a tarifa zero for implementada de forma ampla, as obrigações das empresas em relação ao vale-transporte precisarão ser revistas. Os cenários mais prováveis são:

    Cenário 1: Extinção do vale-transporte nas cidades com tarifa zero

    Se o transporte público for gratuito, o fundamento legal do vale-transporte, custear o deslocamento do trabalhador, deixa de existir. Nesse caso, a obrigação do empregador poderia ser extinta por lei, eliminando esse custo da folha de pagamento.

    Cenário 2: Adaptação das regras para deslocamentos específicos

    Trabalhadores que moram em cidades sem tarifa zero ou que utilizam modais não incluídos no programa (como transporte intermunicipal ou privado) ainda precisariam do vale-transporte. Isso exigiria uma legislação diferenciada por município ou por tipo de deslocamento.

    Cenário 3: Conversão em benefício monetário

    Há também a possibilidade de o vale-transporte ser convertido em um auxílio mobilidade pago diretamente ao trabalhador, sem vinculação a um modal específico, o que já ocorre em alguns acordos coletivos e no regime de teletrabalho.

    O que muda na folha de pagamento e nos custos trabalhistas

    Para o departamento de pessoal e para o contador da empresa, qualquer mudança nas regras do vale-transporte exige atualização imediata dos processos de cálculo da folha. Os pontos de atenção são:

    • Cálculo da contribuição do empregado: Se a gratuidade for total, o desconto de até 6% do salário precisa ser suspenso imediatamente para evitar passivos trabalhistas;
    • Tratamento fiscal da despesa: A dedutibilidade do custo do vale-transporte no IRPJ depende de ele ser classificado corretamente como despesa necessária à atividade da empresa;
    • Revisão de contratos coletivos: Convenções e acordos coletivos podem ter cláusulas específicas sobre vale-transporte que precisarão ser revisadas em caso de mudança legal;
    • eSocial e SPED: As informações de benefícios devem ser atualizadas nos sistemas obrigatórios de forma tempestiva.

    Atenção ao período de transição

    Mesmo que a tarifa zero avance, é esperado um período de transição com regras diferenciadas por município e por categoria de transporte. Durante esse período, a empresa precisa de clareza sobre quais trabalhadores continuam tendo direito ao vale-transporte e em qual valor.

    A recomendação dos especialistas é monitorar a legislação municipal e federal com atenção redobrada em 2026, especialmente nos municípios onde a empresa opera, e manter o departamento de pessoal e o escritório contábil alinhados para adaptações rápidas.

    Oportunidade de revisão do pacote de benefícios

    A eventual mudança nas regras do vale-transporte pode ser uma oportunidade para as empresas revisarem todo o pacote de benefícios oferecido aos colaboradores. Nesse contexto, vale avaliar:

    • Substituição ou complementação por vale-refeição e alimentação com regras atualizadas pela Portaria MTE 671/2021;
    • Adoção de programas de mobilidade corporativa (auxílio combustível, parceria com apps de transporte);
    • Revisão da política de teletrabalho e trabalho híbrido, que reduz a necessidade de deslocamento diário.

    Um pacote de benefícios moderno e eficiente reduz custos, aumenta a atratividade da empresa para talentos e pode ser estruturado de forma fiscalmente eficiente.

    Entre em contato com o Grupo BRA 360 e conte com especialistas em gestão trabalhista, folha de pagamento e planejamento de benefícios para adaptar sua empresa às mudanças nas regras do vale-transporte e garantir compliance total com a legislação trabalhista e previdenciária.

    Perguntas frequentes

    Como funciona o vale-transporte hoje e quem paga o quê?

    O vale-transporte foi instituído pela Lei nº 7.418/1985. O custo é dividido entre empregado, que contribui com até 6% do salário básico, e empregador, que arca com o restante. A parcela paga pelo empregador é dedutível como despesa operacional para fins de IRPJ no Lucro Real, mas não integra o salário para fins previdenciários e trabalhistas.

    O que propõe o movimento pela tarifa zero no transporte público?

    A tarifa zero defende a gratuidade total das passagens de ônibus, metrô e outros modais, financiada pelo poder público via fundos específicos, impostos sobre combustíveis ou transferências da União. No âmbito federal, o debate inclui a criação de um fundo nacional de mobilidade urbana que financiaria a gratuidade em municípios aderentes ao programa.

    O que acontece com o vale-transporte se a tarifa zero for adotada?

    Se o transporte público for gratuito, o fundamento legal do vale-transporte deixa de existir e a obrigação do empregador poderá ser extinta. Outros cenários incluem a adaptação das regras para deslocamentos específicos em cidades sem gratuidade ou a conversão do benefício em um auxílio mobilidade pago diretamente ao trabalhador.

    Quais são os impactos da tarifa zero na folha de pagamento?

    Para o departamento de pessoal, qualquer mudança exige atualização imediata dos processos de cálculo da folha. Os pontos de atenção são: suspensão do desconto de até 6% do salário do empregado, revisão do tratamento fiscal da despesa no IRPJ e adequação dos acordos coletivos que porventura mencionem o vale-transporte.

    A tarifa zero já foi implementada em alguma cidade brasileira?

    Sim. Em algumas capitais e municípios do interior, a gratuidade tem sido implementada de forma gradual, por faixas etárias, horários ou linhas específicas. O debate avança em diversas cidades em 2026, com discussões no âmbito federal sobre a criação de um fundo nacional de mobilidade urbana para financiar a medida.

    Por Rodrigo Brustolin

    Sócio-fundador do Grupo BRA 360. Lidera frentes de consultoria estratégica, planejamento tributário e governança para empresas em crescimento.

    Sua empresa está preparada para mudanças nas regras do vale-transporte?

    A BRA 360 Jurídico oferece assessoria jurídica empresarial, trabalhista e de compliance integrada à operação contábil e fiscal.

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    Fonte: Portal Contábeis